
Produtores rurais dos Campos Gerais participaram, no dia 20 de maio de 2026, do Café do Produtor Rural promovido pelo Sindicato Rural de Castro, com foco nas novas diretrizes de outorga d’água e licenciamento ambiental no Paraná. O encontro reuniu agricultores, pecuaristas e técnicos para discutir as mudanças nas exigências ambientais, os impactos no financiamento rural e o aumento da burocracia nos processos de regularização.
A palestra foi conduzida por Carla Beck, técnica do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP/SENAR-PR, que destacou a necessidade de os produtores manterem toda a documentação ambiental regularizada para evitar problemas futuros, principalmente no acesso ao crédito bancário.
Segundo Carla Beck, o encontro teve como principal objetivo orientar os produtores sobre a importância da regularização ambiental nas propriedades rurais. A especialista explicou que documentos como outorga d’água, licenciamento ambiental e Cadastro Ambiental Rural (CAR) passaram a ser fundamentais dentro da atividade agropecuária moderna.
A técnica do Sistema FAEP/SENAR-PR ressaltou que a exigência dessas documentações deixou de ser apenas uma questão ambiental e passou a impactar diretamente a viabilidade econômica das propriedades.
“Hoje, todo financiamento de banco exige que o produtor tenha a outorga d’água, o licenciamento ambiental e o CAR na situação ativa para que ele consiga acesso ao crédito bancário”, explicou Carla Beck.
Durante a apresentação, a especialista também alertou para a preocupação crescente do setor produtivo em relação ao encarecimento das renovações das outorgas, ao excesso de exigências técnicas e ao aumento da burocracia nos processos ambientais.
O tema tem mobilizado entidades do agro no Paraná, especialmente diante das novas instruções normativas que ampliam a quantidade de documentos e projetos exigidos para autorização do uso da água em propriedades rurais.
Carla Beck destacou que a outorga d’água é, na prática, uma autorização concedida pelo órgão ambiental para utilização de recursos hídricos, garantindo que haja equilíbrio entre todos os usuários de uma mesma bacia hidrográfica.
“A outorga nada mais é do que o produtor pedir autorização para utilizar uma quantidade de água. Quando ele informa ao órgão ambiental quanto vai utilizar, isso ajuda a garantir que todos os usuários daquela bacia hidrográfica tenham acesso à água com quantidade e qualidade”, afirmou.
A especialista reforçou ainda que a água é um recurso limitado e que o uso racional é essencial para garantir sustentabilidade tanto na agricultura quanto na pecuária.
Na região dos Campos Gerais, muitas propriedades utilizam poços artesianos para abastecimento das atividades produtivas. Sobre esse tema, Carla Beck orientou os produtores a verificarem se a captação já possui outorga regularizada junto ao órgão ambiental.
“É importante que o produtor verifique se o poço artesiano já possui outorga. Caso não tenha, ele deve procurar um responsável técnico para fazer esse processo corretamente”, orientou.
Outro ponto destacado durante o encontro foi a responsabilidade ambiental do produtor rural dentro da legislação atual. Segundo Carla, manter a documentação em dia deixou de ser opcional e passou a ser uma obrigação diretamente ligada à continuidade da atividade agropecuária.
“A outorga é uma responsabilidade ambiental e uma obrigatoriedade. O produtor não consegue financiamento, nem licenciamento ambiental, se não estiver com tudo regularizado”, enfatizou.
O debate também abriu espaço para dúvidas dos produtores, principalmente sobre os custos envolvidos nas adequações e sobre a dificuldade de atender às novas exigências técnicas impostas pelos órgãos ambientais.
A preocupação do setor é que o excesso de burocracia aumente ainda mais os custos de produção no campo, especialmente para pequenos e médios produtores, que já enfrentam desafios relacionados ao clima, mercado e rentabilidade.
Mesmo diante das dificuldades, a orientação das entidades do agro é que os produtores busquem informação e regularizem suas propriedades o quanto antes, evitando transtornos futuros e garantindo segurança jurídica para continuidade das atividades rurais.
