
A avicultura industrial do Paraná enfrenta um momento de forte aperto financeiro com custos de produção superiores aos preços pagos pelo frango vivo no mercado rústico e integrado. Em setembro de 2026, o custo para criar aves no modelo climatizado atingiu R$ 4,96 por quilo, acumulando alta mensal de 2,27% e elevação de 7,13% em 12 meses. No entanto, o preço médio recebido pelo avicultor no mesmo período ficou fixado em R$ 4,75/kg, deixando a atividade com uma margem negativa de R$ 0,21 por quilo.
O médico-veterinário Roberto Carlos Andrade e Silva, especialista do Deral, explica quais fatores foram determinantes para essa pressão sobre a rentabilidade do produtor:
"Essa alta mensal foi puxada principalmente pelos gastos com ração das aves (+5,06%) e custos de capital (+1,97%). A nutrição animal continua sendo o fator de maior peso na atividade, representando 65,55% do ICPFrango". O analista enfatizou que o desembolso com alimentação atingiu R$ 3,25 por quilo de ave viva produzida.
O grande vilão desse encarecimento foi o valor dos insumos de grãos no atacado paranaense. A saca de 60 kg do milho encerrou o mês cotada a R$ 66,43, enquanto a tonelada do farelo de soja saltou para R$ 2.171,40, valor 27,5% superior ao registrado em setembro de 2025. Esse cenário deteriorou a relação de troca: agora o avicultor precisa de 233 kg de frango para comprar uma tonelada de milho e 457 kg para adquirir uma tonelada de farelo.
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