
A suinocultura do Paraná atravessa uma grave crise de rentabilidade decorrente do descompasso direto entre a queda acentuada nos preços de venda e a disparada nos custos de produção. Dados oficiais apontam que em setembro de 2026 o custo médio para produzir um quilo de suíno vivo no estado alcançou R$ 6,13, valor 6,24% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Em contrapartida, o valor pago ao produtor rústico caiu para R$ 5,17 por quilo, resultando em um prejuízo amargo de 15,66% em relação ao custo total da atividade.
O médico-veterinário Roberto Carlos Andrade e Silva, técnico do Deral, pontua como a ração animal pesou no orçamento da granja:
"No estado do Paraná, a alimentação dos suínos, principal componente do custo de produção, passou a representar 71,45% do custo total de R$ 6,13 por quilo. Em setembro de 2026, o valor da nutrição atingiu R$ 4,38 por quilo, uma alta de 10,61% sobre igual mês de 2025". O especialista alerta que a relação de troca sofreu sua pior deterioração em anos.
O mercado foi pressionado pelo avanço do preço do milho no atacado (R$ 66,43/saca) e do farelo de soja (R$ 2.171,40/t). Para comprar uma tonelada de farelo de soja, o suinocultor paranaense precisou entregar 420 kg de carne suína em setembro deste ano, contra 238 kg necessários em 2025 — uma desvantagem brutal de 76,5%. Além do encarecimento da ração, a alta na oferta de carne no mercado interno e o poder de compra retraído dos consumidores dificultam a recuperação imediata dos preços do setor.
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