
Existe uma história conhecida sobre um balde cheio de caranguejos.
Quando há apenas um caranguejo no balde, ele pode tentar escalar e sair. Mas, quando existem vários, enquanto um tenta subir, os outros acabam puxando-o novamente para baixo.
É uma metáfora. Mas vale uma reflexão para o agronegócio.
Quantas vezes escutamos:
“Meu pai sempre fez assim.”
“Não tenho tempo para fazer curso.”
“Esse negócio de gestão é para empresa grande.”
“Diversificar dá muito trabalho.”
“Esse ano não dá para investir.”
“Quando melhorar, eu vejo isso.”
O problema é que o mundo muda mesmo quando nós decidimos não mudar.
Juros mudam.
Custos mudam.
Clima muda.
Tecnologia muda.
Consumidor muda.
Legislação muda.
Mercado muda.
E continuar fazendo exatamente a mesma coisa também é uma decisão.
Talvez o produtor não consiga controlar a taxa de juros, o dólar, os impostos ou o preço das commodities.
Mas existem coisas que estão dentro da porteira — e dentro da nossa cabeça — que podemos controlar.
Podemos conhecer melhor nossos custos.
Podemos descobrir quais atividades realmente dão lucro.
Podemos cuidar do patrimônio.
Podemos organizar as dívidas.
Podemos buscar novos mercados.
Podemos melhorar a produtividade.
Podemos diversificar quando fizer sentido.
Podemos estudar.
Podemos usar tecnologia.
Podemos transformar informações da propriedade em indicadores para tomar decisões melhores.
Porque existe uma diferença enorme entre trabalhar muito e construir riqueza.
Às vezes o produtor trabalha 12 ou 14 horas por dia, movimenta centenas de milhares de reais durante o ano e, quando chega dezembro, não sabe responder uma pergunta básica:
Minha propriedade ficou mais rica ou mais pobre este ano?
Isso precisa mudar.
O produtor do futuro não pode ser apenas um excelente produtor.
Precisa ser também gestor do seu negócio e do seu patrimônio.
E talvez o primeiro indicador que precisamos acompanhar nem esteja em uma planilha.
É uma pergunta:
O que estou fazendo hoje de diferente do que fazia há cinco anos?
Se a resposta for “quase nada”, enquanto todo o ambiente ao redor mudou, temos um alerta.
Não precisamos abandonar nossa experiência.
Precisamos juntar experiência + conhecimento + dados + gestão + coragem para mudar.
Porque reclamar do tamanho do balde não nos tira dele.
Precisamos aprender a escalar.
*Luiz Francisco Araujo da Costa Vaz
Engenheiro Agrônomo e Colunista Minuto Rural