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Possível mudança na classificação da tilápia pode derrubar em até 90% as exportações brasileiras

Análise técnica da PEIXE BR estima perdas superiores a US$ 38 milhões e alerta para impactos em toda a cadeia aquícola

Por: Redação Fonte: Assessoria
19/05/2026 às 13h44
Possível mudança na classificação da tilápia pode derrubar em até 90% as exportações brasileiras
Possível mudança na classificação da tilápia pode derrubar em até 90% as exportações brasileiras. Foto: Jonathan Campos / AEN

A possibilidade de inclusão da tilápia na lista de espécies exóticas invasoras voltou a acender um alerta no setor aquícola nacional. No próximo dia 26 de maio, a Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio) deve votar a proposta que pode enquadrar a espécie nessa classificação. Segundo análise técnica elaborada pela PEIXE BR, a medida pode gerar impactos significativos sobre as exportações brasileiras e provocar reflexos em toda a cadeia produtiva da aquicultura.

De acordo com o levantamento da associação, a decisão pode ser interpretada internacionalmente como um reconhecimento oficial de risco ambiental pelo próprio governo brasileiro, criando precedentes para restrições sanitárias, ambientais e comerciais em mercados considerados estratégicos para o setor.

A principal preocupação está relacionada ao desempenho das exportações de tilápia, especialmente para os Estados Unidos, principal comprador do produto brasileiro. Atualmente, aproximadamente 85% das exportações nacionais da espécie têm como destino o mercado norte-americano, movimentando cerca de US$ 35 milhões por ano.

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O estudo aponta ainda um precedente considerado crítico para o setor. “Em 2010, os Estados Unidos classificaram a carpa asiática como espécie invasora. Como consequência, as exportações chinesas da espécie registraram queda de aproximadamente 97% em apenas um ano, sem recuperação posterior do mercado”, compartilha o presidente da PEIXE BR, Francisco Medeiros.

Com base nesse cenário, a análise da PEIXE BR projeta que uma eventual classificação da tilápia como espécie invasora no Brasil poderia resultar em uma redução de até 90% nas exportações da espécie em um período de seis meses. O impacto financeiro estimado ultrapassaria US$ 38 milhões somente para a cadeia da tilápia.

Além dos efeitos diretos, o documento alerta para possíveis impactos indiretos sobre outras espécies e segmentos da aquicultura brasileira. A projeção é de um efeito cascata capaz de gerar perdas anuais de aproximadamente US$ 64 milhões ao setor pesqueiro exportador.

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Espécies nativas, como tambaqui e pintado, também poderiam sofrer consequências comerciais em razão do aumento de auditorias internacionais, endurecimento de exigências sanitárias e possíveis desgastes à imagem da aquicultura brasileira no mercado internacional.

Outro ponto destacado pela análise é o risco de comprometimento de certificações internacionais, entre elas BAP, ASC e Global G.A.P., que adotam critérios rigorosos relacionados ao controle ambiental e ao manejo de espécies.

Sobre a PEIXE BR

A PEIXE BR é uma associação que possui 12 anos de atuação no mercado de piscicultura, com forte representatividade no setor. Uma de suas missões é melhorar a competitividade da atividade e do ambiente regulatório do segmento no Brasil, promovendo o desenvolvimento da cadeia produtiva de forma sustentável e transparente

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