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Dia de Campo destaca uso de biodigestão na suinocultura do Paraná

Evento no Sudoeste do Estado reuniu mais de 100 produtores e técnicos para apresentar a destinação de dejetos animais

Por: Redação Fonte: Faep
21/08/2026 às 18h25
Dia de Campo destaca uso de biodigestão na suinocultura do Paraná
Dia de Campo destaca uso de biodigestão na suinocultura do Paraná

O Sistema FAEP, em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), a Embrapa e a Cooperativa dos Produtores de Energia e Adubo (Coopenad), promoveu um Dia de Campo voltado à biodigestão de resíduos animais. O evento realizado na sede da Coopenad, no município de Salgado Filho, no Sudoeste do Paraná, reuniu 135 participantes, entre suinocultores, técnicos, representantes de prefeituras municipais e presidente de sindicatos rurais, como Albino Poposki, de Francisco Beltrão, e Osvaldo da Rocha, de Realeza.

“O produtor que dá destino aos dejetos resolve, ao mesmo tempo, um passivo ambiental e reduz o custo de produção, pois economiza em insumos. Hoje com as margens apertadas, é fundamental encontrar alternativas”, destaca o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette.

Os participantes tiveram a oportunidade de conhecer a estrutura da Coopenad usada para compostar cama de aves e o digestato da biodigestão, que resulta em um composto orgânico de alta qualidade — matéria-prima para fertilizantes organominerais. Segundo o responsável pela cooperativa, Volmir Anater, o projeto nasceu de uma necessidade concreta dos produtores da região.

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“O nascimento da Coopenad permitiu resolver as questões de licenciamento das granjas, dando um destino adequado aos dejetos e, a partir deles, gerando biogás e energia”, afirma Anater, que produz até 52 mil perus por lote, sendo oito, ao ano.
Hoje, a estrutura recebe diariamente cerca de 160 mil litros de dejetos coletados nas granjas associadas, que abastecem a unidade de processamento da cooperativa. Para viabilizar o projeto, a entidade investiu R$ 20 milhões.

“O investimento nessa área precisa de um estudo de viabilidade confiável. É preciso decidir o que fazer com o biogás, entre geração de energia, produção de biometano, uso da energia calorífica. A associação entre vários produtores é muito interessante, mas as questões logísticas precisam ser muito bem avaliadas”, orienta Anater.

“A experiência da Coopenad é um exemplo de como os produtores podem transformar um desafio ambiental em uma nova fonte de renda para o campo”, complementa Meneguette.

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Estações técnicas

A programação do Dia de Campo foi dividida em três estações temáticas, que percorreram diferentes etapas do aproveitamento de resíduos da produção animal — da compostagem à geração de energia.

Na primeira estação, o professor Carlos Alberto Casali, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná – Campus Dois Vizinhos (UTFPR-DV), apresentou a técnica da compostagem e os cuidados de manejo envolvidos no processo. Casali compartilhou seis anos de pesquisas do grupo Biofert, da instituição, sobre o uso do composto como substituto de fertilizantes minerais, além de tabelas de recomendação para culturas como trigo, soja e milho. O material, ainda em fase de conclusão, deve ser disponibilizado futuramente a produtores e técnicos.

Na segunda estação, o engenheiro agrônomo Volmir Anater, idealizador da Coopenad, detalhou o processo de produção dos fertilizantes organominerais. A base do produto é a matéria orgânica compostada, complementada por fontes minerais de nitrogênio (sulfato de amônia, MAP ou NP), fósforo (MAP, DAP, NP, superfosfato simples ou triplo) e potássio (cloreto de potássio).

Anater ainda explicou as exigências do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para esse tipo de produção: soma mínima de 10 pontos de NPK (nitrogênio, fósforo e potássio), ao menos 8% de carbono orgânico e Capacidade de Troca de Cátions (CTC) mínima de 80%. Ele também comparou a eficácia dos organominerais frente aos fertilizantes minerais convencionais e resumiu o funcionamento da fábrica da cooperativa.

Na terceira estação, o pesquisador Ricardo Steinmetz, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), abordou o biogás e o biometano como ativos energéticos, com aplicações que vão da geração de eletricidade à substituição de diesel e gasolina. Foram destacados os benefícios ambientais da biodigestão, sobretudo o potencial de redução das emissões de carbono, e os participantes puderam observar de perto o funcionamento de um biodigestor.

Steinmetz também apresentou duas ferramentas de apoio ao setor: a calculadora BIOGASFORT®️, que estima o potencial de produção de biogás em cada propriedade; e a plataforma e-Campo, com cursos gratuitos sobre temas do agronegócio.

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