
Em um cenário de margens cada vez mais apertadas na atividade leiteira, como reduzir o custo de energia usado no resfriamento do leite sem comprometer a qualidade do produto? A Serap Brasil apresentou uma alternativa durante a Agroleite 2026, realizada de 3 a 7 de agosto, no Parque Tecnológico Agroleite, em Castro, nos Campos Gerais do Paraná. O sistema de pré-resfriamento utiliza água natural disponível na propriedade para retirar parte do calor do leite logo após a ordenha, diminuindo a carga térmica que chega ao tanque e podendo reduzir em até 40% o consumo de energia do resfriador.
A proposta parte de uma lógica simples: quanto mais quente estiver o leite ao entrar no tanque, maior será o esforço necessário para o equipamento atingir a temperatura adequada de conservação. Ao fazer uma etapa de pré-resfriamento antes dessa entrada, o sistema reduz o trabalho exigido do resfriador.
De acordo com a Serap, o equipamento apresentado na feira é o Coaxial, uma tecnologia desenvolvida originalmente na França e que agora chega ao mercado brasileiro.
O diretor comercial e de marketing da Serap Brasil, João Pedro Gonti de Moreira, explica que o objetivo do sistema é retirar parte da temperatura do leite antes que ele chegue ao tanque.
“A Serap trouxe para o Brasil o pré-resfriador chamado Coaxial, e a ideia e o conceito dele é reduzir a temperatura do leite antes mesmo de entrar no tanque.”
Na prática, o leite recém-ordenhado pode sair da ordenha com temperatura próxima de 35°C. O pré-resfriador utiliza água natural da propriedade em um processo de troca térmica em contracorrente para retirar parte desse calor.
Em uma demonstração realizada durante a Agroleite, a Serap simulou a entrada do leite a 35°C e a água a aproximadamente 20°C. Após a passagem pelo sistema, o leite saiu a cerca de 28°C, enquanto a água chegou a aproximadamente 24°C.
Essa diferença representa uma redução da carga térmica que posteriormente será enfrentada pelo tanque de resfriamento.
“Após essa saída do leite, está abastecendo o tanque em uma temperatura mais baixa e reduzindo-se a carga térmica do resfriador. É nesse formato que o resfriador passa a reduzir o consumo de energia dele em até 40%”, explica João Pedro.
Para o produtor de leite, a redução do consumo de energia pode representar um impacto direto nos custos da propriedade, principalmente em um momento em que a atividade trabalha com margens estreitas.
João Pedro destaca que a estratégia é aproveitar recursos que já estão disponíveis dentro da própria fazenda.“Uma economia de 40%. Algo bem importante para a gente estar utilizando, ainda mais no mercado do leite que tem margens apertadas.”
Segundo ele, o produtor precisa olhar para a propriedade de maneira integrada, identificando oportunidades de eficiência energética e aproveitamento dos recursos naturais. “O produtor precisa utilizar os recursos naturais da própria fazenda, olhar a fazenda como uma verdadeira matriz energética e usar de boas práticas para estar ganhando cada vez mais na sua rentabilidade.”
Um dos pontos apresentados pela Serap durante a Agroleite foi justamente o destino da água utilizada na troca térmica.
A empresa demonstrou uma aplicação em que a água aquecida após o processo pode ser aproveitada para consumo dos animais. Outra possibilidade é utilizar a água em um circuito fechado, fazendo sua recirculação dentro da propriedade.
“Uma opção é você utilizar essa água para recircular dentro de uma caixa e depois você vai ficar fazendo um circuito fechado. Ou seja, nenhum litro de água é perdido com o sistema de pré-resfriamento com o Coaxial”, explica João Pedro.
A possibilidade de reaproveitamento amplia a proposta de eficiência do sistema, que não fica restrita apenas à redução do consumo de energia.
Outro diferencial destacado pela Serap é a possibilidade de utilização do pré-resfriador em diferentes equipamentos.
Segundo João Pedro, o Coaxial não depende de uma marca específica de tanque de resfriamento. A tecnologia pode ser instalada em diferentes configurações utilizadas nas propriedades leiteiras.
“Poderíamos utilizar isso num tanque aberto, num tanque meia-cana e num tanque de outra marca também, não necessariamente num tanque Serap.”
A empresa também destaca que o sistema possui uma característica diferente dos modelos de pré-resfriamento que utilizam placas e podem demandar filtros. “Ele não requer nenhum tipo de filtro, que é algo que tem nos sistemas de placa. O próprio turbilhão de água tira todas as impurezas dela e não tem um entupimento desse sistema.”
Na avaliação da Serap, isso contribui para tornar a tecnologia mais simples de ser aplicada no campo.

Além do pré-resfriador, a Serap apresentou na Agroleite o tanque FSC, um equipamento fechado com sistema de limpeza automática. João Pedro explica que a tecnologia permite acompanhar diferentes parâmetros do processo de limpeza e operação do equipamento.
“Com esse sistema, nós temos todo o controle de temperatura, de consumo de água, consumo de produtos químicos e também de volume.”
A proposta é permitir que o produtor tenha mais informações sobre o funcionamento do equipamento e possa acompanhar os processos com maior precisão.
Para a indústria, tecnologias desse tipo também podem contribuir para aumentar a confiança do consumidor, ao demonstrar que a produção está associada a equipamentos capazes de oferecer maior controle sobre os processos dentro da propriedade.
Além da economia potencial de energia, outro ponto apresentado pela Serap é o retorno sobre o investimento.
Durante a Agroleite, a empresa realizou demonstrações e cálculos para apresentar aos produtores a possibilidade de retorno do investimento na tecnologia.
De acordo com João Pedro, o payback estimado do sistema fica entre três e quatro anos, dependendo das características e condições de cada propriedade.
“A gente pode mostrar com cálculos o payback que é de três a quatro anos. Acho que é muito importante verificar isso.”
O executivo reforça que a análise precisa considerar a realidade de cada fazenda, já que fatores como volume de leite produzido, temperatura da água disponível, consumo atual de energia e configuração do sistema de resfriamento interferem no resultado.

A lógica apresentada pela Serap é transformar recursos que já existem na propriedade em ferramentas de redução de custos.
No caso do Coaxial, a água natural disponível na fazenda participa do processo de retirada de calor do leite antes que ele chegue ao tanque. O resultado esperado é diminuir o esforço do equipamento de refrigeração e, consequentemente, o consumo de energia.
Para João Pedro, o objetivo final da tecnologia é contribuir para que o produtor produza mais e melhor utilizando os recursos disponíveis.
“Nosso objetivo é sempre ajudá-lo a ganhar mais e ser cada vez mais produtivo e eficiente.”
A Serap informou que produtores interessados em conhecer o sistema podem procurar a empresa pelas redes sociais ou pelo site. A companhia conta ainda com técnicos comerciais em diferentes regiões do Brasil para avaliar a propriedade, realizar simulações de redução do consumo de energia e verificar a possibilidade de adaptação do sistema aos tanques já existentes.
A apresentação do pré-resfriador durante a Agroleite mostra como a busca por eficiência deixou de ser apenas uma questão tecnológica e passou a ser também uma estratégia de rentabilidade para o produtor.
Em uma atividade na qual energia, alimentação, mão de obra, insumos e qualidade do leite pesam diretamente no resultado final, reduzir o custo de uma etapa importante como o resfriamento pode representar uma oportunidade de melhorar a eficiência da propriedade.
A proposta da Serap é justamente atuar antes que o leite chegue ao tanque: retirar parte do calor utilizando água disponível na própria fazenda, reduzir a carga térmica do equipamento e permitir que o sistema de refrigeração trabalhe com menor esforço.
Para o produtor, a conta é simples de entender: quanto menos energia for necessária para levar o leite à temperatura adequada, maior pode ser a eficiência do sistema de produção.