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Como o curso de Doma Racional em Castro profissionaliza o setor equino que movimenta R$ 3 bilhões no Brasil

Curso promovido pelo Sindicato Rural de Castro em parceria com o Sistema FAEP/SENAR aposta em bem-estar animal, qualificação técnica e profissionalização de um setor que movimenta cerca de R$ 3 bilhões por ano no Brasil.

Por: Redação Fonte: Toninho Anhaia
28/05/2026 às 20h32 Atualizada em 28/05/2026 às 20h38
Como o curso de Doma Racional em Castro profissionaliza o setor equino que movimenta R$ 3 bilhões no Brasil
Curso de doma racional em Castro aposta no bem-estar animal e na formação de novos profissionais do mercado equino. Crédito da Foto: Toninho Anhaia

Na última semana de maio de 2026, o Sindicato Rural de Castro, em parceria com o Sistema FAEP/SENAR, promoveu em Castro um curso de doma racional focado na profissionalização e no bem-estar animal. A capacitação utilizou o método de Doma Racional para transformar a relação entre homem e cavalo, preparando novos profissionais para ingressarem em um mercado que movimenta R$ 3 bilhões por ano no Brasil

A busca por uma relação mais respeitosa entre homem e cavalo tem ganhado força no Paraná e já começa a transformar a realidade de trabalhadores rurais, estudantes e apaixonados pelo universo equino. O curso reuniu participantes interessados em aprender técnicas modernas de treinamento, baseadas no bem-estar animal, segurança e confiança.

A capacitação mostrou que a doma deixou de ser apenas uma tradição passada de geração em geração para se tornar uma profissão cada vez mais técnica e valorizada dentro de um mercado bilionário.

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Muito além de ensinar um cavalo a aceitar sela ou obedecer comandos, a Doma Racional trabalha a construção de confiança entre animal e domador. O método de Doma Racional utilizando  técnicas como " pressão e alívio" entre outras técnicas, busca ensinar o cavalo sem violência, respeitando o tempo de aprendizado de cada animal.

O médico veterinário, domador de cavalos e instrutor do SENAR/PR, Eder Ribeiro da Rosa, destacou que a doma é a etapa mais importante da vida de um cavalo.

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Segundo ele, todo o futuro do animal depende da forma como essa iniciação é conduzida.“A doma é o início de todo o cavalo. É a parte talvez mais importante do treinamento, porque uma boa iniciação com respeito, confiança e dominância vai trazer um cavalo confiante e disposto a nos ajudar, seja no esporte ou no trabalho de campo. A doma é a base, o alicerce forte para a vida inteira daquele cavalo”, explicou.

Durante o curso, os participantes aprenderam desde os fundamentos básicos até técnicas práticas de manejo, sanidade e alimentação. Eder ressaltou que a doma racional representa uma mudança de mentalidade em relação aos métodos antigos. “Nós tratamos o cavalo da mesma forma como gostaríamos de ser tratados. Tudo que o cavalo faz é por vontade própria. Não existe nada contra a vontade do animal. Se ele ainda não está preparado para determinada atividade, precisamos respeitar o tempo dele”, afirmou.

O instrutor explicou que a metodologia racional também aumenta a segurança para quem trabalha com os animais. Diferente da doma tradicional, que durante muitos anos utilizou força e enfrentamento, o método atual reduz riscos tanto para o cavalo quanto para o cavaleiro.

“A Doma Racional permite que até pessoas sem tanta experiência consigam domar um cavalo com tranquilidade. Não precisa ser um ginete acostumado a aguentar pulos. O objetivo principal é ter um cavalo extremamente manso, seguro e confiante”, disse.

Segundo ele, um dos maiores erros cometidos historicamente no treinamento de cavalos foi a busca por resultados rápidos. Enquanto muitos acreditavam que um animal poderia estar completamente domado em 60 ou 90 dias, a realidade exige paciência e repetição.

“Uma doma sólida leva entre oito e doze meses. O cavalo aprende lentamente e através de repetição. Quando o processo é acelerado demais, o animal até executa comandos na mão do treinador, mas aquilo ainda não está consolidado na cabeça dele. Depois ele acaba desaprendendo”, explicou.

Na prática, os resultados chamaram a atenção. Durante as demonstrações, os alunos conseguiram realizar manuseios delicados com os cavalos, incluindo passar por baixo dos animais, levantar membros e simular procedimentos de casqueamento sem qualquer reação agressiva. “A intenção do domador é entregar um cavalo preparado para todos os profissionais que vão trabalhar com ele no futuro. O casqueador, o ferrador, o veterinário e o cavaleiro precisam receber um animal tranquilo e bem preparado”, destacou Eder.

O vice-presidente do Sindicato Rural de Castro e também criador de cavalos, Anselmo Westphal Netto, reforçou que a profissionalização do setor é fundamental para fortalecer o mercado equino brasileiro.

Segundo ele, muitos trabalhadores já atuam informalmente na área e precisam de qualificação técnica e certificação profissional. “A importância de trazer esse conhecimento é justamente profissionalizar quem já atua com cavalos. O curso oferece mais conhecimento, certificação e permite que esse profissional entre no mercado formal, possa emitir nota fiscal e seja reconhecido pela qualidade do serviço prestado”, afirmou.

Anselmo também destacou a dimensão econômica do setor. “O mercado do cavalo gira em torno de 3 bilhões de reais no Brasil. E não é só a venda do animal. O menor valor investido muitas vezes é a compra do cavalo. Depois vêm veterinário, doma, nutrição, ferrageamento, equipamentos, transporte, competições e lazer”, explicou.

Ele lembrou ainda que quase 3 milhões de pessoas estão diretamente envolvidas com o mercado equino no país, entre treinadores, veterinários, ferradores, fabricantes de equipamentos, transportadores e trabalhadores rurais. “O cavalo movimenta uma cadeia enorme de empregos diretos e indiretos. É um setor extremamente importante para o meio rural brasileiro”, ressaltou.

Novos Horizontes: Como a Qualificação Profissional Abre Portas no Mercado Equino

O curso também reuniu pessoas que enxergam no mercado do cavalo uma oportunidade de transformação profissional. O acadêmico de veterinária Gustavo Carneiro Bachmann afirmou que decidiu participar da capacitação justamente pela falta de profissionais qualificados na área.

“O curso abre muitas portas. Hoje existe muita oportunidade de emprego e faltam profissionais preparados”, comentou.

Durante os dias de treinamento, Gustavo disse que percebeu que a doma racional vai além do controle do cavalo. “A gente aprende não só sobre o cavalo, mas sobre nós mesmos. Aprende a se controlar, entender o tempo do animal e trabalhar o conceito de alívio e pressão. Isso serve até para a vida da gente”, relatou.

Segundo ele, o aprendizado trouxe confiança para seguir atuando no setor. “Hoje eu já sinto que consigo ser um domador. O animal foi bem tratado desde o começo da doma e isso faz com que ele confie na gente”, afirmou.

Outro participante que chamou atenção foi Paulo Adriano Xavier Oliveira. Atualmente trabalhando como frentista, ele viu no curso uma oportunidade de mudar de profissão e iniciar uma nova trajetória ligada aos cavalos. “A gente aprende que não é na bordoada como antigamente. É na confiança. O cavalo precisa confiar em nós e nós nele”, comentou.

Acostumado a trabalhar diariamente com carros, Paulo contou que lidar com cavalos trouxe uma visão completamente diferente sobre trabalho e comportamento.

 

“É totalmente diferente. O carro chega, abastece e vai embora. O animal responde aos comandos, cria confiança e conexão. É uma mudança da água para o vinho”, definiu.

Além da qualificação profissional, o curso também reforçou a importância cultural e econômica do cavalo dentro do meio rural. Mesmo com a mecanização das atividades agrícolas, os cavalos seguem indispensáveis para o manejo do gado e continuam extremamente valorizados em esportes, cavalgadas e provas funcionais.

Laço, tambor, baliza, rédeas, enduro e vaquejada fazem parte de um universo que movimenta milhões de reais todos os anos e amplia a necessidade de mão de obra qualificada.

Para o Sistema FAEP/SENAR e o Sindicato Rural de Castro, levar esse conhecimento ao campo significa preparar novos profissionais para um mercado em constante crescimento, mas também garantir mais respeito e qualidade de vida aos animais.

A doma racional mostra que a força bruta ficou no passado. Hoje, a confiança passou a ser a principal ferramenta para transformar cavalos e também vidas.

 

 
 
 
 
 
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