
Estudantes do curso de Medicina Veterinária da Faculdade Cescage, de Ponta Grossa, levaram orientações sobre prevenção, sintomas e vacinação contra a raiva animal aos produtores rurais durante o Café do Produtor, realizado em 14 de outubro, no Sindicato Rural de Castro, nos Campos Gerais do Paraná.
A iniciativa integrou um projeto acadêmico de conscientização sobre a zoonose, que afeta o sistema nervoso central, é fatal e exige medidas preventivas, como a vacinação dos animais e a comunicação de casos suspeitos aos órgãos de defesa sanitária.
Durante o encontro, os acadêmicos apresentaram informações sobre a doença, esclareceram dúvidas e disponibilizaram materiais educativos para consulta dos produtores. A atividade também aproximou os estudantes da realidade do meio rural, promovendo a troca de conhecimentos entre futuros médicos-veterinários e profissionais que convivem diariamente com os desafios da produção agropecuária.
A raiva é uma doença viral que ataca o sistema nervoso central dos mamíferos e pode acometer bovinos, equinos, cães, gatos, outros animais e seres humanos. No meio rural, uma das principais formas de transmissão ocorre pela mordida de morcegos hematófagos infectados, que se alimentam de sangue.
Entre os sinais clínicos que podem indicar a doença estão mudanças de comportamento, dificuldade para caminhar, falta de coordenação motora, salivação excessiva e paralisia. Como os sintomas podem variar, a suspeita exige atenção e orientação dos órgãos de defesa sanitária.
A prevenção é fundamental porque, depois do aparecimento dos sinais clínicos, a raiva apresenta evolução geralmente fatal. Por isso, a vacinação preventiva dos animais, conforme as orientações sanitárias aplicáveis, e a notificação de suspeitas são medidas essenciais para proteger o rebanho e reduzir os riscos à saúde pública.

O estudante Kevin William Carneiro Lopes, do segundo período de Medicina Veterinária do Cescage e atuante na Clínica Veterinária Pioneiros, destacou que a equipe buscou conscientizar os produtores sobre a importância da vacinação e dos cuidados com os animais.
“A nossa intenção é vir aqui falar um pouco sobre a raiva, um pouco de zoonose. Queremos focar mais na parte de vacinação, atenção com os animais e também no bem-estar animal”, explicou.
O acadêmico reforçou que a prevenção é indispensável diante da gravidade da doença. Ele orientou os produtores a manterem a vacinação em dia e procurarem os órgãos responsáveis quando identificarem sinais suspeitos.
“A raiva é fatal, não tem cura nem tratamento. O ideal é vacinar o rebanho e os animais domésticos. Se algum animal apresentar sintomas que possam indicar a doença, é importante chamar o órgão responsável, que é a Adapar, para tomar as providências cabíveis”, afirmou.
A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) é uma das referências para a orientação e a notificação de suspeitas no estado. Diante de um animal com sinais neurológicos ou de possível contato com morcegos, o produtor deve evitar o contato direto e buscar orientação sanitária.
A estudante Ana Luíza Machado Gomes, acadêmica de Medicina Veterinária do Cescage e profissional do setor de melhoramento genético da CRV Lagoa, ressaltou que a raiva merece atenção por ser uma zoonose capaz de atingir diferentes espécies, inclusive os seres humanos.
“É uma coisa muito grave. As pessoas não dão a devida importância, mas ela é uma zoonose. Então, afeta diversas espécies e até mesmo o ser humano”, alertou.
Para ampliar o acesso às informações, os estudantes prepararam um panfleto com orientações sobre a doença. O material reúne informações sobre os sinais clínicos e as formas de prevenção e ficará disponível no Sindicato Rural de Castro para consulta dos produtores e demais interessados.
Entre os sintomas apresentados no material estão alterações de comportamento, dificuldade para andar, salivação excessiva e paralisia. Ana Luíza reforçou que a ausência de tratamento curativo torna a prevenção ainda mais importante.
“Hoje a gente não tem tratamento para a raiva. Por isso, damos tanta importância à vacinação e à prevenção dessa doença”, destacou.

A atividade também foi uma oportunidade de aprendizado para os acadêmicos, que puderam compartilhar informações técnicas e conhecer experiências de quem trabalha diretamente com a atividade rural.
Kimberly Rodrigues Borba, moradora de Castro e estudante de Medicina Veterinária do Cescage, representou seu grupo durante o encontro. Ela avaliou positivamente a experiência e ressaltou a contribuição da troca de conhecimentos com produtores e representantes do município.
“A avaliação foi muito boa. A gente adquiriu bastante conhecimento, não só eu, mas o meu grupo também. Os produtores e o pessoal da prefeitura trouxeram bastante conhecimento. A gente agradece pela oportunidade que o Sindicato Rural de Castro ofereceu”, afirmou.
O acadêmico Gustavo Carneiro Bachmann também destacou a importância da integração entre a formação universitária e o cotidiano dos produtores. Segundo ele, o projeto permite que os estudantes ampliem seus conhecimentos para além dos conteúdos trabalhados em sala de aula.
“É uma matéria muito importante porque envolve os alunos com o meio rural, diretamente com os produtores, trazendo conhecimento deles para a gente. Isso auxilia muito na nossa formação, porque aprendemos coisas novas e conhecemos pontos de vista diferentes daqueles em que estamos focados dentro da faculdade”, explicou.
Gustavo também agradeceu ao Sindicato Rural de Castro pela oportunidade de apresentar o trabalho e estabelecer contato com os produtores. Para ele, essa aproximação contribui para a formação profissional, especialmente diante da diversidade de situações encontradas no campo.
A participação dos estudantes no Café do Produtor reforçou a importância da conscientização sobre a raiva no meio rural. Além de reconhecer possíveis sinais da doença, os produtores precisam conhecer os procedimentos preventivos e saber como agir diante de uma suspeita.
A vacinação preventiva, a vigilância dos animais e a notificação aos órgãos sanitários são medidas importantes para a proteção dos rebanhos, dos animais domésticos e das pessoas.
A iniciativa também demonstrou como a integração entre instituições de ensino e entidades representativas do setor agropecuário pode contribuir para disseminar informações técnicas e fortalecer a prevenção de doenças que afetam a produção rural e a saúde pública.