
Agosto de 2026 - Piraí do Sul voltou a experimentar, quase três décadas depois, a força destrutiva de um fenômeno meteorológico severo. Em 8 de agosto de 2026, um tornado atingiu áreas da zona rural do município e provocou danos em residências, barracões, estruturas agrícolas e instalações destinadas à criação de animais. O fenômeno foi confirmado pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar).
Mas o episódio de 2026 não é a primeira vez que os ventos provocam grandes estragos em Piraí do Sul.
Um exemplar histórico do jornal O Piraiense, publicado em 15 de outubro de 1997, resgata um episódio ocorrido poucas semanas antes, na manhã de 29 de setembro daquele ano.
A manchete estampada na página relata: “Chuva e vento forte deixam muitos estragos em Piraí”. Em outra chamada da edição, o jornal também destacava: “Fúria dos ventos traz muitos prejuízos a Piraí”.
Segundo a reportagem de 1997, uma chuva acompanhada de vento forte atingiu o município e assustou a população. O vendaval teria durado aproximadamente 20 minutos, mas foi suficiente para provocar estragos tanto na área urbana quanto, principalmente, na zona rural.
O relato publicado pelo jornal mostra que o episódio de 1997 teve características que chamaram a atenção dos moradores.
A reportagem cita casas destelhadas ou danificadas, quedas de árvores, problemas no abastecimento de água e energia elétrica, além de danos em barracões, instalações para criação de animais e maquinários agrícolas.
Entre os locais atingidos estava a região do Campina do meio, onde a pequena Capela do Divino também sofreu com a força do vento. O jornal registrou que árvores caíram sobre a capela, danificando parte do telhado, além do barracão de churrasco e do coreto.
A área rural aparece como um dos principais pontos de preocupação da reportagem. O jornal chegou a detalhar prejuízos em diferentes propriedades, incluindo perdas de telhas, barracões, casas, aviários, pocilgas, equipamentos agrícolas e até estoques de insumos.
Em uma das propriedades citadas, por exemplo, a reportagem relata a perda de de aviários com a morte de inúmeros frangos, de pocilga, entre outros prejuízos.
Em outra propriedade, o jornal registrou a perda total de um barracão de 320 metros quadrados, além de danos em uma casa, colheitadeira, toneladas de adubo e sacas de milho.
Os números mostram que, em 1997, o impacto não ficou restrito às construções. A produção rural também foi diretamente atingida.
O episódio provocou mobilização da Prefeitura de Piraí do Sul.
De acordo com O Piraiense, o prefeito da época determinou que equipes municipais atuassem na desobstrução das estradas e no atendimento aos produtores atingidos.
A administração também buscou apoio junto aos governos estadual e federal para tentar obter recursos e condições de financiamento que permitissem a reconstrução das propriedades atingidas.
A reportagem cita ainda pedidos encaminhados a deputados e senadores para que fossem criadas alternativas de financiamento com juros baixos e prazo longo, diante dos prejuízos provocados pelo temporal.
O cenário descrito pelo jornal revela uma realidade que continua bastante atual: quando um evento extremo atinge a zona rural, o prejuízo vai muito além do telhado de uma casa. Ele pode comprometer galpões, animais, máquinas, insumos e a própria capacidade produtiva das famílias.
Quase 29 anos depois daquele episódio, Piraí do Sul voltou a registrar um evento de grande impacto.
No fim da tarde de 8 de agosto de 2026, um tornado atingiu diferentes pontos da zona rural do município. O Simepar confirmou a ocorrência após analisar registros visuais e relatos recebidos pelo centro operacional. A intensidade do fenômeno, porém, depende de avaliação técnica baseada no conjunto dos danos e demais evidências.
Os primeiros levantamentos apontaram danos em regiões como Jararaca, Fundão, Capinzal, Vassoura e Boa Vista, entre outras localidades.
Residências, barracões, estruturas agrícolas e áreas destinadas à criação de animais foram atingidas. Apesar dos estragos, não havia registro de vítimas decorrentes do tornado nas primeiras informações divulgadas.
Existe, portanto, uma conexão histórica interessante entre os dois episódios.
Em 1997, o jornal local registrou um forte vendaval que deixou um rastro de destruição e grandes prejuízos, principalmente no campo.
Em 2026, Piraí do Sul novamente enfrenta os efeitos de um fenômeno meteorológico severo, desta vez com confirmação de tornado pelo Simepar.
Isso não significa que o evento de 1997 tenha sido necessariamente um tornado. A reportagem daquela época o descreve como vendaval, e não há, no material histórico apresentado, uma classificação meteorológica que permita fazer essa afirmação hoje.
O que os dois episódios permitem mostrar é outra coisa: a história de Piraí do Sul também pode ser contada pela relação do município com os eventos extremos climáticos.
E, quase três décadas depois, a força dos ventos voltou a deixar uma marca que agora também passa a fazer parte dos registros históricos da cidade.
