
O município de Arapoti recebeu, nesta terça-feira (16), a 6ª edição de 2026 do Encontro Regional de Líderes Rurais, promovido pelo Sistema Faep. O evento reuniu 213 produtores, lideranças e representantes sindicais da regional de Ponta Grossa para debater um dos temas mais estratégicos para o agronegócio brasileiro: a sucessão familiar no campo. Com o tema “Da família, a liderança. Do protagonismo, a força do agro”, o encontro também chamou atenção pela presença de novos participantes, que representaram quase um terço do público.
A proposta foi ampliar o diálogo sobre planejamento sucessório, governança familiar e preparação das futuras gerações para assumir a condução das propriedades rurais. Em um cenário em que muitas famílias enfrentam dificuldades para manter os jovens no campo, o tema ganhou ainda mais relevância entre os participantes.
O presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette, destacou que a sucessão familiar é uma das pautas mais urgentes do agro paranaense e que precisa ser tratada com planejamento e responsabilidade.
Segundo ele, os encontros regionais já fazem parte da política da entidade para aproximar produtores e lideranças dos principais temas que impactam o setor.
“A sucessão familiar vem em um momento muito importante. Precisamos começar a trabalhar e pensar no futuro e na longevidade dos nossos legados dentro da porteira e fora dela. Nada melhor do que tratar desse assunto com especialistas e produtores para construirmos esse caminho juntos”, afirmou.
Meneguette também aproveitou o encontro para apresentar avanços obtidos pelo Sistema FAEP em pautas estaduais e federais. Entre elas, destacou ações relacionadas ao marco temporal, renegociação de dívidas agrícolas, defesa dos produtores em questões ambientais e a busca pela retomada de programas que desburocratizem processos no Paraná.
Para o presidente da entidade, a atuação sindical segue sendo fundamental para garantir segurança jurídica e melhores condições de trabalho aos produtores rurais.

O presidente do Núcleo dos Sindicatos Rurais dos Campos Gerais e do Sindicato Rural de Ponta Grossa, Gustavo Ribas Netto, ressaltou que falar de sucessão é falar de família, liderança e futuro.
De acordo com ele, o agronegócio brasileiro depende cada vez mais do envolvimento das novas gerações para manter sua força e competitividade.
“A família do agro é muito importante e muito forte. A sucessão faz parte desse processo de protagonismo. As mulheres já vieram e hoje temos mais mulheres aqui do que homens. Agora precisamos trazer cada vez mais os jovens para perto da atividade”, destacou.
A fala reforçou uma das principais mensagens do encontro: o futuro do agro passa necessariamente pela integração entre diferentes gerações e pela valorização da participação feminina nas decisões das propriedades e entidades representativas.

Um dos momentos mais aguardados do evento foi a palestra ministrada por Mariely Biff, especialista em sucessão e governança em negócios familiares.
Durante sua apresentação, ela alertou que muitas famílias ainda evitam discutir o tema por considerá-lo desconfortável, mas que esse silêncio pode gerar conflitos e perdas patrimoniais no futuro.
Segundo Mariely, o primeiro passo é abrir espaço para conversas sinceras sobre sonhos, expectativas e o futuro da propriedade.
“Alinhar expectativas e conversar sobre o futuro do negócio é fundamental. Muitas vezes cobramos os sucessores, mas não dedicamos tempo para ensiná-los e prepará-los para tomar decisões no nosso lugar”, explicou.

Ela também destacou que a sucessão vai muito além da divisão de bens. “Quando a sucessão é feita de forma preventiva, organizada e profissional, conseguimos manter intacto o núcleo familiar e preservar a prosperidade dos negócios.”
Outro ponto enfatizado pela especialista foi a importância de buscar orientação antes de tomar decisões relacionadas ao patrimônio.
“A sucessão não começa no inventário. Ela começa quando os filhos ainda são pequenos. Uma decisão mal planejada pode fazer a família perder patrimônio e até precisar vender bens para corrigir erros futuros”, alertou.
Entre os participantes, o assunto encontrou forte identificação com a realidade vivida nas propriedades rurais. O presidente do Sindicato Rural de Piraí do Sul, Luiz Fernando Tonon, afirmou que a sucessão é um dos desafios mais importantes enfrentados atualmente pelas famílias rurais.
“Muitos produtores estão vivendo essa realidade. Existem propriedades estruturadas, mas sem sucessores interessados em continuar o trabalho. Por isso, o tema de hoje foi extremamente importante e precisa ser levado muito a sério”, observou.
A preocupação reflete uma realidade crescente no campo brasileiro: o envelhecimento dos produtores e a dificuldade de atrair as novas gerações para permanecerem na atividade rural.
Entre os estreantes no evento estava a produtora rural Sonia Fidelix, que participou pela primeira vez do Encontro Regional de Líderes Rurais.
Ela avaliou a experiência como enriquecedora e destacou o conteúdo das palestras. “Foi muito gratificante. Aprendi muitos conhecimentos e as palestras foram excelentes. Espero participar novamente nos próximos anos.”
Sobre o tema da sucessão familiar, Sonia acredita que o debate chegou em um momento oportuno. “Já estava na hora de incentivar nossos filhos a seguirem nossos passos. Estamos vendo muitos jovens deixando o campo e os pais ficando sozinhos. Foi uma reflexão muito importante para todos.”

A presença feminina também foi destaque no encontro. Representando a Comissão de Mulheres do Sindicato Rural de Piraí do Sul, Silvana Daiane Sutil de Oliveira ressaltou a importância do evento para fortalecer conexões e ampliar o engajamento das produtoras rurais.
“É uma oportunidade para fazermos conexões entre municípios, fortalecer nosso grupo e mostrar a importância da participação das mulheres dentro do sindicato.”
Segundo ela, a comissão já reúne mais de 25 integrantes e continua crescendo. “Também é um momento para reacender a importância de contribuir com o sindicato e unir forças em prol do agro de nossa cidade.”

Ao longo do encontro, uma mensagem ficou clara entre palestrantes, lideranças e produtores: a sucessão familiar não deve ser tratada apenas quando surge um problema. Ela precisa ser construída ao longo dos anos, por meio do diálogo, da preparação dos herdeiros e do planejamento patrimonial.
Mais do que garantir a continuidade das propriedades, a sucessão organizada protege relações familiares, evita conflitos e assegura que o conhecimento acumulado por gerações continue produzindo resultados dentro das fazendas.
Com participação expressiva, presença de novos líderes e forte envolvimento de mulheres e jovens, o Encontro Regional de Líderes Rurais de Arapoti reforçou que o futuro do agro passa, necessariamente, pela capacidade das famílias rurais de preparar hoje quem conduzirá os negócios amanhã.