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Bem-estar animal ganha protagonismo no acesso a novos mercados

Bem-estar animal ganha importância estratégica ao contribuir para a saúde dos rebanhos, a qualidade dos alimentos e a competitividade do agronegócio.

Por: Redação Fonte: *Elisa Tjarnstrom
15/06/2026 às 11h27
Bem-estar animal ganha protagonismo no acesso a novos mercados
Bem-estar animal ganha protagonismo no acesso a novos mercados. Foto Divulgação

Mais do que uma questão ética, o bem-estar animal está diretamente ligado à prevenção de doenças e à promoção de sistemas produtivos mais saudáveis, resilientes e sustentáveis. Animais submetidos a boas condições de manejo, alimentação adequada, conforto, ambiência apropriada e menor exposição a situações de estresse tendem a apresentar melhor resposta imunológica e maior resistência a enfermidades. Isso contribui para reduzir a necessidade de intervenções medicamentosas e fortalecer a saúde geral dos plantéis. Além disso, reduz perdas e mortalidade, gerando impactos positivos também na produtividade.

A discussão está fortemente conectada ao conceito de Saúde Única (One Health), que reconhece a interdependência entre saúde animal, saúde humana e meio ambiente. A prevenção de doenças nos sistemas produtivos e o uso responsável de medicamentos, incluindo antibióticos, são temas estratégicos para toda a cadeia de alimentos e para a sociedade. Com boas práticas de bem-estar animal, a dependência de antimicrobianos pode ser reduzida, o que traz benefícios importantes não apenas para a saúde dos animais, mas também para a saúde pública.

Nesse contexto, as boas práticas sanitárias e o papel dos profissionais que atuam diariamente na produção são fundamentais. Equipes capacitadas, manejo cuidadoso e atenção constante ao comportamento e às necessidades dos animais ajudam a prevenir problemas antes que eles ocorram, promovendo um ambiente mais equilibrado e seguro tanto para os animais quanto para a produção.

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Elisa Tjarnstrom, diretora-executiva da COBEA - Daiane Braga

 

Além dos impactos positivos na saúde, práticas adequadas de bem-estar contribuem para a qualidade do produto final e para o fortalecimento da confiança de consumidores e mercados. Em um cenário de crescente atenção às formas de produção de alimentos, investir em bem-estar animal significa também investir em credibilidade e competitividade para o setor.

As recentes discussões envolvendo exportações brasileiras de produtos de origem animal para a União Europeia evidenciam que temas como saúde animal, uso responsável de antimicrobianos e bem-estar animal deixaram de ser apenas questões técnicas para se tornarem fatores estratégicos para o comércio internacional. Cada vez mais, mercados, consumidores e reguladores avaliam não apenas o produto final, mas também as condições em que os animais são criados e manejados ao longo da cadeia produtiva.

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Esse cenário reforça a importância de acelerar iniciativas que promovam a prevenção de doenças, a melhoria contínua das práticas de manejo e o fortalecimento da cultura de bem-estar animal. Ao investir nessa agenda, o Brasil não apenas contribui para sistemas produtivos mais saudáveis e sustentáveis, mas também fortalece sua posição como fornecedor confiável de alimentos para o mundo.

Nesse contexto, iniciativas colaborativas como a Colaboração Brasileira de Bem-Estar Animal (COBEA) ganham ainda mais importância. Ao reunir diferentes empresas e atores da cadeia produtiva, a iniciativa busca promover diálogo, alinhamento e soluções práticas para desafios cada vez mais complexos enfrentados pelo setor de alimentos. Em um momento em que saúde animal, saúde pública, sustentabilidade, segurança alimentar e competitividade internacional estão cada vez mais conectadas, fortalecer a relação entre bem-estar animal, prevenção de doenças e produção responsável torna-se uma agenda estratégica para o futuro da cadeia produtiva brasileira.

Mais do que responder às expectativas da sociedade e do mercado, trata-se de construir sistemas produtivos mais resilientes, preparados para enfrentar desafios sanitários, ambientais e comerciais em um cenário global em constante transformação.

* Elisa Tjarnstrom é diretora-executiva da Colaboração Brasileira de Bem-Estar Animal (COBEA). 

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