
Muito se fala sobre o chamado “Custo Brasil”. Impostos altos, burocracia, logística cara, combustível, taxas, dificuldades de mercado.
Tudo isso é real.
Mas existe uma pergunta que o produtor rural precisa começar a fazer com mais frequência:
Nós realmente sabemos quanto custa produzir?
Porque, muitas vezes, estamos discutindo os custos do país sem sequer conhecer com precisão os custos da própria operação rural. Precisamos reduzir custos. Mas como fazer isso se não sabemos o custo?
E aqui começa um dos maiores desafios do agro moderno.
Vejo constantemente produtores do setor de hortifruti tentando acompanhar o mercado no impulso.
Plantam conforme a moda do momento, aumentam ou reduzem produção sem planejamento e tentam ajustar a propriedade ao mercado sem constância.
O resultado quase nunca é sustentável.
Porque mercado não recompensa improviso por muito tempo.
Ao longo de mais de 20 anos trabalhando com consultoria ambiental, avaliação de propriedades rurais e organização de processos, aprendi algo importante:
- Resultado consistente vem de método.
Entre erros e acertos, conseguimos construir metodologias, ajustar processos e encontrar formas mais eficientes de executar o trabalho.
E foi exatamente aí que comecei a entender melhor o verdadeiro significado da sustentabilidade.
Hoje, para mim, sustentabilidade não é discurso bonito. Sustentabilidade é eficiência.
É produzir melhor. É perder menos. É ter processo definido.
É fazer a conta fechar sem destruir o futuro da operação.
E quando olhamos para o agro, percebemos um cenário muito claro.
Existe um abismo entre a grande e a pequena propriedade rural na busca por eficiência.
Os grandes grupos já entenderam isso há muito tempo.
Eles sabem que eficiência não é diferencial — é sobrevivência.
Por isso investem constantemente em:
Enquanto isso, o pequeno produtor está começando essa caminhada agora.
Está buscando culturas mais rentáveis.Mercados que paguem melhor.
Alternativas que valorizem a segurança alimentar e reduzam a dependência de commodities tradicionais.
E isso é positivo, mas existe um ponto fundamental:
Pequeno ou grande propriedade, ninguém consegue sobreviver sem atualização constante.
O mercado muda rápido.
Os custos mudam rápido.
O comportamento do consumidor muda rápido.
Quem não acompanha essas mudanças perde competitividade.
E aqui entra um tema que ainda gera resistência no campo:
- pagar para ter melhores resultados.
Muitos produtores ainda enxergam gestão, assistência técnica, organização de mercado e planejamento como custo.
Mas, na prática, isso é investimento.
Porque é justamente essa busca por eficiência que permite encaixar o chamado “Custo Brasil” dentro da operação sem destruir a margem do produtor.
No final das contas, o produtor rural brasileiro já provou ao mundo que sabe produzir.
O próximo passo é provar que também sabe:
Porque o agro do futuro não será vencido apenas por quem produz mais.
Será vencido por quem produz melhor, com inteligência e estratégia.
Luiz Francisco Araujo da Costa Vaz
Engenheiro Agrônomo
Colunista do Minuto Rural