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4º Congresso Abramilho recebe vice-presidente da República e debate crise de custos, biotecnologia e geopolítica do agronegócio

Evento em Brasília reuniu governo, parlamentares, diplomatas e setor produtivo para discutir os desafios e oportunidades do milho e do sorgo no Brasil

Por: Redação
14/05/2026 às 17h52
4º Congresso Abramilho recebe vice-presidente da República e debate crise de custos, biotecnologia e geopolítica do agronegócio

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, André de Paula, participaram nesta terça-feira (13/05) do 4º Congresso Abramilho, realizado no Unique Palace, em Brasília.

Ao longo de três painéis temáticos, representantes do governo, do Congresso Nacional, da diplomacia e do setor produtivo debateram crédito rural, biotecnologia, segurança alimentar e os impactos da geopolítica sobre o agronegócio brasileiro.

Na abertura, o diretor executivo da Abramilho (Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo), Glauber Silveira, pontuou que o Plano Safra e outros instrumentos de apoio ao produtor precisam avançar para que o campo possa operar com segurança e previsibilidade.

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Crédito rural e crise de custos pautam painel de abertura

O primeiro painel, "Agricultura em transformação: desafios atuais e propostas para fortalecer o setor", concentrou as principais cobranças do setor ao governo. Alckmin ouviu as demandas e sinalizou abertura para discutir o crédito rural, mencionando um fundo garantidor como possível caminho para ampliar o acesso ao financiamento. Na área de energia, afirmou: "Tudo está se encaminhando bem para passarmos de 30% para 32% o percentual de etanol na gasolina. Etanol de milho é um sucesso. Traz ganhos ambientais e econômicos."

O presidente da Abramilho, Paulo Bertolini, sinalizou o sorgo como nova fronteira para o etanol. O grão, mais tolerante à seca e com custo de produção mais baixo, pode avançar em áreas onde a janela de plantio do milho ficou estreita.

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A senadora Tereza Cristina, vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), descreveu um quadro de pressão simultânea: guerras em curso, commodities em queda, insumos caros e juros elevados. "Estamos vivendo uma tempestade perfeita, uma crise, só não sei se no começo ou no meio", resumiu. O deputado federal e presidente da FPA, Pedro Lupion, fez críticas ao Plano Safra e defendeu formas de custeio privado como caminho complementar ao crédito público.

Participaram ainda do painel Daniel Carrara, diretor geral da CNA Senar; Tania Zanella, presidente do Instituto Pensar Agro (IPA) e presidente executiva do Sistema OCB; e Luiz Pedro Poletti Bier, vice-presidente da Aprosoja-MT. A mediação foi de Cassiano Ribeiro, da Revista Globo Rural.

Foto: Assessoria de Imprensa Congresso Abramilho

China e Brasil reafirmam parceria

O segundo painel, "Inovação que alimenta o mundo: o futuro da segurança alimentar", teve como destaque a participação do embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, que defendeu a ciência e a tecnologia como caminho para a agricultura do futuro. "O futuro da agricultura está na ciência e tecnologia. A China impulsionará ainda mais a construção de um sistema agrícola moderno, de alta qualidade e sustentável, apoiada em ciência e tecnologia", afirmou.

O embaixador reforçou a interdependência comercial entre os dois países. "A China tem sido o maior mercado de exportações agrícolas do Brasil. O Brasil tem sido o maior mercado fornecedor de produtos agrícolas para a China. Estamos no mesmo barco. Precisamos fazer um esforço conjunto e remar para a mesma direção."

Mario Murakami, presidente da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), destacou que a adição gênica, técnica que há dez anos ainda gerava dúvidas, é hoje uma realidade consolidada para ampliar a produção com segurança. Glauber Silveira sinalizou a expectativa de que Brasil e China avancem para um protocolo de reconhecimento mútuo de aprovações de biotecnologias, o que daria maior segurança ao produtor brasileiro na adoção de variedades já liberadas no mercado nacional.

O painel contou ainda com Carlos Goulart, secretário de Defesa Agropecuária do Mapa, e Daniel Furlan Amaral, economista-chefe da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais). A mediação foi de Luiz Patroni, do Canal Rural.

Brasil a caminho da liderança nas exportações agropecuárias

O terceiro painel, "Geopolítica: como proteger o agro frente às incertezas globais?", trouxe uma perspectiva otimista e ao mesmo tempo realista sobre o posicionamento do Brasil no mercado internacional. O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luís Rua, afirmou ter confiança de que o Brasil vai ultrapassar os Estados Unidos ainda este ano e se consolidar como o maior exportador de produtos agropecuários do mundo.

Sueme Mori, diretora de Relações Internacionais da CNA, alertou para o avanço do protecionismo. "Acredito que teremos ainda mais barreiras daqui para frente. Por isso a importância do pragmatismo do agro e das boas relações." A dependência de fertilizantes importados foi outro ponto de atenção: o Brasil importa cerca de 80% dos nitrogenados que consome, vulnerabilidade exposta pelo conflito entre Rússia e Ucrânia.

Arene Trevisan, diretor executivo de Suprimentos da JBS, lembrou a trajetória do país. "Até 2005 o Brasil importava milho por falta de produção. É uma grande jornada que evoluiu muito e precisamos continuar. O desafio é nossa dependência de insumos externos." 

Participaram ainda Grace Tanno, chefe da Divisão de Política Agrícola do MRE (Ministério das Relações Exteriores); Márcio Farah, diretor geral Brasil da Pivot Bio; Maciel Silva, diretor técnico adjunto da CNA; e Manuel Ron, presidente da Aliança Internacional do Milho (Maizall). A mediação foi de Mauro Zafalon, da Folha de S. Paulo.

Foto: Assessoria de Imprensa Congresso Abramilho

Prêmio Abramilho homenageia jornalista, senadora e empresa de etanol

O evento incluiu a entrega do Prêmio Abramilho a três homenageados. A jornalista Vera Ondei, editora de agro da Forbes Brasil e idealizadora do ranking Forbes Agro100, recebeu o reconhecimento e destacou o caráter coletivo da profissão. "O jornalismo não é uma trajetória solitária. É uma trajetória coletiva", afirmou, ressaltando a criação da Rede Agrojor, grupo de profissionais do jornalismo agropecuário com atuação em todo o Brasil e interface com colegas internacionais.

A senadora Tereza Cristina foi homenageada pela trajetória de defesa do setor agropecuário, que inclui ter sido a primeira mulher a ocupar o cargo de ministra da Agricultura. A Inpasa Brasil, maior produtora de etanol de milho da América Latina, foi premiada pela contribuição à cadeia produtiva do milho safrinha, ao transformar o grão em etanol e coprodutos como o DDG (Distillers Dried Grains, ou farelo de destilaria) e óleo de milho, agregando valor ao produtor e impulsionando a transição energética.

 

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