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Oficializada há cinco anos, raça Purunã se consolida entre os pecuaristas

Foram quase quatro décadas de cruzamentos e seleções sucessivas e controladas até que fosse possível agregar os melhores atributos de cada uma das raças formadoras

Por: Redação
13/10/2021 às 13h57
Oficializada há cinco anos, raça Purunã se consolida entre os pecuaristas
Autêntico “bicho do Paraná”, bovino para corte é troféu da pesquisa paranaense. Foto Toninho Anhaia

Cinco anos após ser oficialmente reconhecida pelo Ministério de Agricultura e Abastecimento (Mapa), Purunã segue confirmando seus atributos positivos e conquistando adeptos. A raça de bovinos para corte é a primeira desenvolvida no Estado e a única criada no País por um centro estadual de pesquisa, o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná — Iapar-Emater (IDR-Paraná).

Já existem exemplares Purunã em todos os estados do Brasil, de acordo com a Associação Brasileira de Criadores da Raça Purunã (ABCP). A entidade — igualmente credenciada pelo Mapa há cinco anos, juntamente com o registro da raça — é responsável pela manutenção do padrão zootécnico dos animais e reúne 42 pecuaristas. São mais de 8 mil animais sob seu controle.

Tecnicamente, Purunã é um bovino composto. Isso significa que resulta de cruzamentos entre outras raças, no caso, animais Charolês, Aberdeen Angus, Caracu e Canchim. 

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Ao associar o melhor dessas quatro raças, os especialistas apontam que animais Purunã são capazes de manter alto desempenho em diversas condições de relevo e de temperatura ambiente. Com isso, interessam aos mais variados perfis de criadores, do mais simples ao mais especializado, para uso em confinamento ou manejados em pastagem.

Também são pontos de destaque e bastante elogiados da raça Purunã a distribuição equilibrada de gordura e o elevado rendimento da carcaça, assim como a alta qualidade da carne, que tem excelente marmoreio, de acordo com os técnicos.

Denomina-se marmoreio a gordura entremeada nos cortes, que dá maciez, suculência e sabor amanteigado à carne.

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Novilhas Purunã na Estação Experimental Fazenda-Modelo em Ponta Grossa. Foto Toninho Anhaia.

 

INVESTIMENTO EM PESQUISA — A ideia de desenvolver uma nova raça surgiu ainda no início da década de 1980, em Ponta Grossa, a partir de bons resultados obtidos em uma investigação que os pesquisadores do IDR-Paraná conduziam sobre a eficiência na produção de carne em cruzamentos alternados envolvendo Charolês-Caracu e Aberdeen Angus-Canchim. 

Foram quase quatro décadas de cruzamentos e seleções sucessivas e controladas até que fosse possível agregar os melhores atributos de cada uma das raças formadoras — Caracu e Canchim transmitiram rusticidade, tolerância ao calor e resistência aos carrapatos. Charolês contribuiu para dar velocidade ao ganho de peso, grande rendimento de carcaça, elevado porcentual de carnes nobres e pequena capa de gordura. 

Já o Angus deu precocidade, tamanho adulto moderado e temperamento dócil, além de alta qualidade de marmoreio na carne. A habilidade materna e a boa produção de leite pelas vacas, características importantes para o manejo dos rebanhos herdadas de Caracu e Angus, são também atributos que se destacam nos animais Purunã. 

Todo o trabalho de desenvolvimento da raça foi conduzido na Estação Experimental Fazenda-Modelo, unidade de pesquisa do IDR-Paraná em Ponta Grossa, próxima à Serra do Purunã, da qual ganhou o nome em homenagem ao acidente geográfico.

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