
O caminho da precocidade dos rebanhos é um só: a própria precocidade. Por mais óbvio que pareça, a afirmação expõe a necessidade urgente da pecuária nacional de gerar e compilar dados de animais jovens, algo ainda embrionário em muitas fazendas brasileiras. Focado na temática “Terneiros de alto desempenho”, o Fórum Promebo na Prática abriu a programação da 3ª Feira Nacional de Genética (Fenagen) nesta quarta-feira (1/7).
A ideia foi expor cases de propriedades que fundamentaram os avanços de seus rebanhos no trabalho meticuloso de análise de informações obtidas a campo.
“Processos de seleção eficientes exigem constância, persistência e atenção aos dados”, salientou o presidente do Conselho Deliberativo Técnico da Associação Nacional de Criadores Herd Book Collares (ANC), Leandro Hackbart. A programação contou com explanações técnicas e, na sequência, uma demonstração em pista do que um programa de melhoramento genético eficaz pode fazer.

Entre os projetos apresentados que mostram o avanço obtido com a sistematização de dados, a Estância das Gruta, de Capão do Leão (RS), demonstrou os avanços de ganho de peso, precocidade e fertilidade de seu programa de seleção de gado Montana. O composto, que conta com composição sanguínea de diferentes raças, é alvo do empenho de mais de 30 anos da criadora Anna Luiza Sampaio. O projeto de seleção adotado no criatório foi detalhado pelo médico veterinário da propriedade Rodrigo Ferreira.
“Estamos aqui hoje falando que o melhoramento genético pode mudar os rebanhos e, mesmo assim, ainda há quem diga que é muito difícil e que não há mão de obra disponível para o serviço. Mas o que estamos vendo aqui em pista é fruto de um trabalho iniciado nos anos 80 por uma menina carioca que chegou a essa região para assumir a fazenda da família e estava disposta a fazer diferente”, frisou Ferreira a uma plateia de pecuaristas, executivos de centrais e lideranças do agronegócio gaúcho reunida no Parque da Associação Rural de Pelotas.
Os dados da Estância da Gruta não deixam dúvidas do sucesso obtido. Os terneiros nascidos em 2025 e desmamados em 2026, por exemplo, tiveram peso médio ao nascer de 35,9 quilos. Ao desmame, atingiram 267,4 quilos e alcançaram um GMD de 1,095 quilos. Hackbart contou que, ao visitar a fazenda para selecionar os lotes para a apresentação do Fórum, chamou atenção a quantidade de dados armazenados no sistema da estância.
“A Gruta tem dados dos avós, dos bisavós e de gerações e gerações de animais registrados que remontam a alguns dos primeiros rebanhos registrados do Devon. A terneira primípara que vemos aqui é filha de uma vaca que também foi primípara, que nasceu de uma mãe também primípara”, exemplificou, reforçando a essência de qualquer programa de melhoramento que é amplificar o uso de indivíduos melhoradores.
O volume de informações disponível, salientou Ferreira, garante à Gruta a produção de terneiros padronizados e, todos os anos, uma oferta uniforme de touros Montana ao mercado. Produção que, neste ano, irá à venda no 28º Leilão Montana da Gruta, agendado para ocorrer de forma presencial na pista de remates do Parque da Associação Rural de Pelotas no dia 6 de outubro.
“A régua de seleção na Gruta é muito elevada. Vaca vazia não tem vez, seja ela mãe de grande campeão”, ponderou o veterinário frisando o rigor da criadora Anna Luiza Sampaio.