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Características do trabalho florestal antes e depois da mecanização

O setor deve estar atento aos novos problemas, ajudando a conservar a sustentabilidade do negócio florestal

24/02/2020 15h22 Atualizada há 4 meses
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Por: Felipe Martins de Oliveira
Carregamento mecanizado de madeira de eucalipto.
Carregamento mecanizado de madeira de eucalipto.

A colheita da madeira é tida como uma área altamente sofisticada da cadeia produtiva florestal, pois tratores florestais de grande porte, com design ergonômico e que atingem altas taxas de produtividade podem ser vistos em operação na maior parte do território nacional. Não somente em grandes empresas, mas também em pequenas e médias, é possível verificar o trabalho de máquinas de colheita da madeira do tipo purpose-built ou adaptados em escavadeiras hidráulicas, adquiridos direto de fábrica ou comprados de segunda mão. Mesmo assim, há operações ainda feitas no método semimecanizado, como o corte realizado por equipes de operadores de motosserra e o arraste feito por mini-skidders, por exemplo. Entretanto, nem sempre foi assim, e há algumas décadas o trabalho de colheita florestal se caracterizava por operações com pouca mecanização, baixa produtividade individual, grande contingente de mão-de-obra e altas taxas de

acidentes.

Método semimecanizado (a) e mecanizado (b) de colheita florestal.
Método semimecanizado (a) e mecanizado (b) de colheita florestal.

No início da década de 90, os trabalhadores florestais dos países em desenvolvimento ainda estavam frequentemente em condições precárias de saúde e equipados de forma inadequada, as condições de trabalho raramente satisfaziam as normas exigidas, levando a uma carga de trabalho excessiva, fadiga e altas taxas de acidentes, mas também a baixa produtividade. Como resultado de tudo isso, os salários eram baixos, os trabalhadores viviam em condições ruins de nutrição e habitação, sendo incapazes de elevarem o nível de vida (Organização Internacional do Trabalho, 1992). A realidade atual é bastante diferente, pois as máquinas de colheita são muito melhores ergonomicamente, provendo mais conforto, segurança e bem-estar ao trabalhador florestal, melhorando, assim, suas condições de trabalho.

As

principais características do trabalho nas diferentes atividades da colheita florestal antes da mecanização são o elevado contingente de mão-de-obra, a baixa produtividade individual, o maior risco de acidentes e as péssimas condições ergonômicas. Depois da mecanização, as principais características são a diminuição do contingente de mão-de-obra, o aumento da produtividade, a redução do risco de acidentes e melhores condições de trabalho.

Dentre as melhores condições de trabalho, pode-se citar a melhoria do conforto térmico, pois o ambiente a céu aberto foi trocado pela cabine da máquina de colheita, na maioria das vezes utilizando-se de cabines com ar-condicionado. As máquinas fornecem melhores condições ergonômicas, pois o trabalho que era executado andando, com coluna curvada e joelhos flexionados, passou a ser realizado na posição sentada, com poltrona regulável, excelente campo de visão, com os controles ao alcance próximo do operador. A respiração não está mais lesada pela inalação de gases poluentes resultantes da queima do combustível ou de escapamentos. Diminuiu-se a probabilidade de acidentes devido ao local aberto no qual o trabalhador estaria, quando se deparava com animais peçonhentos, tocos, pedras e buracos. Juntamente com a mecanização, surgiu também a possibilidade da redução da jornada de trabalho, melhor conforto e ergonomia para o trabalhador, além de remuneração melhor.

No entanto, devido à alta produtividade oriunda de maior capacitação, maior exigência mental e menor exigência física, surgiram os problemas de repetitividade, monotonia, lesões por esforços repetitivos e posturas inadequadas, além da vibração e possíveis problemas organizacionais devido às constantes exigências por altas taxas de produtividade. As características do trabalho nas diferentes atividades da colheita florestal mudaram, e para melhor, depois da mecanização. Entretanto, o setor florestal deve estar atento aos novos

problemas, de forma a manter o trabalhador florestal com condições de trabalho adequadas, ajudando a conservar a sustentabilidade do negócio florestal.

Este e outros temas são abordados a série Ergonomia e Mecanização Florestal, livros 1 e 2, disponíveis em e-book na Amazon por meio dos links a seguir:

Ergonomia e mecanização florestal: Livro 1 – características e possibilidades

Ergonomia e mecanização florestal: Livro 2 – variáveis ergonômicas

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O Blog Florestal é escrito pelo Engenheiro Florestal e Doutor em Ciências Florestais Felipe Martins de Oliveira
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