Sábado, 04 de Julho de 2020
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O que os incêndios florestais na Austrália podem ensinar aos paranaenses?

Tendo crescido mais de 50% no último ano, as queimadas no estado precisam ser mais discutidas

06/01/2020 14h07 Atualizada há 6 meses
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Por: Felipe Martins de Oliveira
Área que continha floresta plantada devastada por incêndio em Jaguariaíva (PR), próximo a bairro residencial. Foto: Vitor C. M. Coelho.
Área que continha floresta plantada devastada por incêndio em Jaguariaíva (PR), próximo a bairro residencial. Foto: Vitor C. M. Coelho.

Nesta segunda-feira, 06 de janeiro, finalmente choveu em parte da Austrália, fazendo as temperaturas baixarem, dando um fôlego no combate aos incêndios que já se alastraram a mais de 4 milhões de hectares. Porém, as chamas ainda estão longe de serem extintas e as perdas se somam em vidas humanas, animais silvestres, casas, florestas e tudo o mais que o fogo encontrou pela frente. Fogo causado principalmente pelo macroclima que deixou o país em uma condição de seca anormal nesta época.

Para se ter uma ideia, a área incendiada na Austrália já é cerca de quatro vezes e meia maior do que as queimadas da Amazônia, amplamente divulgadas nos meios de comunicação em nível nacional e internacional. Tendo ocorrido no bioma mais extenso do Brasil, notoriamente a divulgação dos dados e a conscientização da população foi muito grande. E isso é muito significativo: a informação da população.

É muito importante a informação popular, e devemos ficar tristes devido aos incêndios florestais, seja na Austrália, no Brasil ou em qualquer outro local do mundo. Assim, precisamos nos sensibilizar ainda mais quando tais incêndios ocorrem próximos de nossos lares, como aconteceu em 2019 aqui no Paraná. Dados divulgados em diferentes mídias, principalmente as digitais, anunciaram que o ano passado foi atípico, com aumento excessivo do numero de queimadas no estado, que cresceram mais de 50%.

Tais informações somente não foram mais exploradas por terem acontecido, em grande parte, ao mesmo tempo das famosas queimadas da Amazônia. Não raro, em conversas informais com as mais diferentes pessoas, quando o assunto eram as queimadas a Amazônia, todas ficavam indignadas, seja com os reais culpados ou com os que a mídia colocava como tal. Porém, quando o assunto eram as queimadas no Paraná, as pessoas pouco ou nada sabiam relatar ou opinar.

Isso mostra que, muitas vezes, ao invés de ficarmos atentos às telas de nossos smartphones ou dos jornais na televisão, necessitamos desligar os aparelhos eletrônicos e olharmos o mundo à nossa volta. Hoje, fala-se dos incêndios na Austrália. Ontem, comentava-se sobre as queimadas da Amazônia. Mas e quanto aos milhares de focos de incêndio registrados no Paraná no último ano?

Como exemplo, no pequeno trecho de cerca de 45 km de extensão da Rodovia PR-151, que liga os municípios de Piraí do Sul e Jaguariaíva, na Mesorregião Centro Oriental Paranaense, foi possível observar áreas rurais queimadas durante quase todo o ano de 2019. Porém, o inverno frio e seco, aliado a ventos fortes principalmente nos meses de julho, agosto e setembro, foram ingredientes fundamentais que alastraram grandes incêndios por toda a região no período, região esta composta principalmente por agricultura, plantios florestais e pastagem.

Além do corpo de bombeiros, grande parte do crédito ao combate dos incêndios deve ser dado às empresas florestais e seus brigadistas, treinados e capacitados para enfrentarem as mais adversas situações quando o assunto é incêndio florestal.

Mas tudo isso vai continuar acontecendo enquanto não for combatida a origem do incêndio, ou seja, o propagador do foco inicial. Seja ele um incendiário criminoso ou acidental, a conscientização deve vir desde a infância, mostrando que a floresta, seja ela nativa ou plantada, traz inúmeros benefícios para a vida das pessoas no nosso Brasil. O setor florestal paranaense não pode ser anualmente refém dos incêndios florestais, que causam prejuízos enormes a instituições que geram emprego e renda para milhares de famílias paranaenses.

Que as lastimáveis perdas causadas pelos incêndios florestais da Austrália, mesmo que devido a causas diferentes, sirvam como exemplo à população paranaense. Que não precisemos perder vidas humanas para que só então tomemos alguma atitude. Vamos conservar nossas florestas e dar o exemplo!

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Sobre Florestal
O Blog Florestal é escrito pelo Engenheiro Florestal e Doutor em Ciências Florestais Felipe Martins de Oliveira
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