Sexta, 16 de Abril de 2021 11:20
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Pecuária MULHER NO AGRO

Diálogo e um olhar mais analítico para a agropecuária nacional

Em entrevista para o Minuto Rural no mês da mulher, a veterinária Najara Alves, da Elanco, considera que estas são contribuições femininas importantes para o setor

25/02/2021 17h07
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Por: Redação
 Najara Alves, veterinária há 11 anos e técnica comercial na Elanco Saúde Anima
Najara Alves, veterinária há 11 anos e técnica comercial na Elanco Saúde Anima

A presença feminina no agronegócio, na agropecuária e na medicina veterinária vem crescendo. Atualmente, segundo dados do IBGE, as mulheres representam 42% do setor Agro, com um aumento significativo dessa atuação em cargos de liderança. E no que diz respeito à carreira veterinária, estima-se que hoje as mulheres representem mais da metade do contingente de profissionais formados no Brasil. Ou seja, o cenário que se tem na agropecuária nacional, um dos setores mais importantes para a economia do país, é o de cada vez mais mulheres prestando consultoria técnica veterinária a mulheres produtoras, nas fazendas. Algo que não era muito comum em um passado recente.

Para se ter uma ideia, quando se fala em mulheres dirigindo especificamente negócios voltados à agropecuária, de acordo com o último Censo Agro, divulgado pelo IBGE em outubro de 2019, hoje são mais de 945 mil produtoras, representando 19% do total, o que supera os 13% registrados no último censo, em 2006O que significa um crescimento de 6 pontos percentuais da presença feminina em um segmento tradicionalmente muito masculino.

Mas como e quais têm sido os desafios, a atuação e contribuição femininas para a agropecuária nacional?

Para falar a respeito, o Minuto Rural conversou com Najara Alves, veterinária há 11 anos e técnica comercial na Elanco Saúde Animal, a segunda maior empresa do mundo nos mercados pet (cães e gatos) e de animais de produção (bovinos, suínos, aves e peixes), e a terceira no Brasil. A Elanco tem refletido essa tendência do mercado, valorizando o recrutamento feminino para diferentes áreas e reunindo cerca de 45% de mulheres em seus cargos de liderança.

Najara representa muito bem a presença feminina no mercado e no campo ao trabalhar hoje em Castro, no Paraná, um dos principais polos da produção de gado leiteiro no Brasil, visitando tanto propriedades pequenas quanto fazendas referência com até 700 animais confinados. Para ela, a mulher vem se capacitando cada vez mais para responder às expectativas do setor, vencendo preconceitos diversos.

 

Minuto rural – você acha que ainda há um certo preconceito em relação à atuação técnica feminina nas fazendas?

Acredito que a mulher vem avançando muito na agropecuária se capacitando em universidades e rompendo preconceitos diversos sim, relacionados à força, capacidade técnica, e mesmo à aparência física.  Eu entrei na universidade e no mercado pensando no segmento de cães e gatos, mas logo vi que os animais de grande porte, nas fazendas, eram minha paixão. Sofri sim preconceito com isso, mas aprendi muito. Hoje acho que a mulher vem trazendo a este setor mais diálogo, um olhar detalhista, mais analítico e menos imediatista, características que fazem a diferença para o setor.

Minuto rural – como você acha que esse olhar tem feito diferença?

Eu acredito que esse olhar mais detalhado acaba contribuindo para a redução de custo aos produtores, para o ganho em bem-estar e saúde aos animais e para o fortalecimento da cadeia produtiva, desmistificando crenças e conceitos equivocados. Sinto que às vezes o produtor não está observando o comportamento do animal e acaba investindo alto em uma solução que, nem sempre, vai na raiz do problema, ou na prevenção dele. Na minha experiencia, já ouvi de clientes a frase: ´tinha mesmo que ser uma mulher para prestar esse serviço integrado’.  Em muitos casos é preciso mudar protocolos de conduta com o animal, antes mesmo de se investir em um novo protocolo terapêutico, por exemplo. Na Elanco temos esse viés, que é o viés do bem-estar do animal, da saúde, da sustentabilidade, da prevenção dos problemas.

Minuto rural – como é hoje trabalhar em fazendas onde a mulher também está na direção?  

Eu acredito que, independentemente de quem esteja na gestão da fazenda, o humanismo e a integração são peças-chave da agropecuária do futuro. É preciso observar tanto o animal quanto quem está na lida diária com ele. Saber se relacionar com um núcleo de liderança cada vez mais compartilhado nas fazendas, ou seja, que possui somente mulheres ou casais no comando, e não mais o homem na direção de tudo, é muito interessante, é um desafio que tenho visto. Isso é muito bom, e requer sensibilidade, tato e uma escuta e conquista empática que as mulheres tendem a se predispor mais. Isso fez ainda mais diferença com a chegada da Covid, quando não foi possível acessar as fazendas presencialmente.

Minuto rural – e como é transitar por propriedades de diferentes portes, se relacionando com essa liderança compartilhada?

É muito gratificante, sobretudo considerando o fato de que, na Elanco, eu tenho esse espaço para ser uma espécie de elo entre os pequenos produtores e os grandes, promovendo esse intercâmbio de conhecimentos. A cadeia precisa estar mais unida, e eu acho que a mulher, o olhar feminino ajuda neste diálogo. Isso porque se o pequeno produtor consegue ter um foco mais individualizado para o animal, observando mais e melhor o comportamento dele, o grande tem mais acesso a novas tecnologias, soluções e às oportunidades do mercado. Um pode e deve contribuir para o desenvolvimento do outro. Na Elanco tenho tido a oportunidade de ser esse elo.

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