
O plantio da primeira safra de feijão de 2026/27, amplamente conhecida como safra das águas por coincidir com a intensificação das chuvas da primavera, está se aproximando de sua reta final e deve ser totalmente encerrado ao longo deste mês. No entanto, o desenvolvimento das lavouras vem sofrendo impactos diretos do aumento expressivo dos volumes de precipitação, associados à formação de um fenômeno El Niño de forte intensidade combinado com as mudanças climáticas globais. A região Sul do Paraná, apontada como a principal zona produtora estadual do grão neste período — concentrando cerca de 80% da produção da primeira safra —, registrou estações meteorológicas com acumulados superiores a 700 mm de chuva, o que representa o dobro do volume historicamente esperado para a época.
Esse excesso acentuado de umidade gera sérios pontos de atenção para a produtividade agrícola, sobretudo porque mais de 10% da área cultivada já se encontra em estágios reprodutivos sensíveis. Como o ciclo biológico da cultura do feijão é bastante curto, há margem reduzida para a recuperação das plantas. Até o momento, o desenvolvimento tem sido limitado pela baixa incidência de radiação solar, pela lixiviação de nutrientes do solo e pela facilitação de doenças fúngicas aliada à dificuldade de execução dos tratotes fitossanitários. Atualmente, 85% das lavouras ainda são classificadas em boas condições, mas o percentual poderá sofrer quedas. Somado a isso, uma redução de 16% na área estimada para o período contribui para um cenário de menor oferta, fazendo com que o mercado reaja com forte valorização: em outubro, os preços registraram altas de 13% para o feijão preto e de 5% para o carioca em relação a setembro.
O engenheiro agrônomo C. Hugo W. Godinho alerta para os riscos climáticos enfrentados pelos agricultores paranaenses nesta temporada. "Nessa região, diversas estações meteorológicas registraram acumulados superiores a 700 mm de chuva, volume aproximadamente duas vezes superior ao esperado para o período, o que traz sérias consequências para a produtividade da cultura", ressalta o agrônomo ao enfatizar que a escassez de sol e o avanço de doenças exigem monitoramento constante.
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