
A colheita do trigo no Paraná avança sob sérias dificuldades em outubro de 2026, com o excesso de chuva comprometendo a qualidade do cereal nos 182 mil hectares pendentes e provocando novos rebaixamentos nas estimativas oficiais de produção. A avaliação consta no boletim conjuntural elaborado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento. De acordo com o órgão, a qualidade das lavouras sofreu forte degradação: atualmente, apenas 46% das áreas a colher são consideradas boas, enquanto 42% apresentam situação média e 12% estão em condições ruins.
A instabilidade do clima provocada pelo El Niño forte repete um cenário desafiador para os triticultores do estado. As operações de colheita ocorridas em 210 mil hectares nas últimas semanas sob precipitações constantes provocaram o PH mais baixo dos grãos e perdas comerciais significativas. Em setembro, os preços pagos ao produtor subiram 5% em reação à menor disponibilidade interna de grão padrão panificação. Na primeira quinzena de outubro, as cotações se mantiveram sustentadas pela escassez de trigo de alta qualidade no mercado nacional.
O Engenheiro Agrônomo do Deral/Seab-PR, C. Hugo W. Godinho, detalhou a perda de potencial das lavouras em virtude do clima adverso: "Na última estimativa de produção, quando se projetava uma queda de 10% na produtividade, os índices eram de 7% ruins, 29% médias e 64% boas. Como agravante para o cenário, o avanço de colheita ocorreu sob chuvas frequentes, o que comprometeu a qualidade do grão até mesmo nas lavouras de médio e alto potencial."
O especialista do Deral também ressaltou os desdobramentos de mercado e os próximos passos das estimativas técnicas: "A reestimativa de safra programada para o dia 29 de outubro deve confirmar uma redução ainda maior na produção de inverno paranaense, restringindo a oferta de trigo. Embora o cenário cambial e as cotações internacionais em queda pressionem o mercado para baixo, a escassez do trigo de alta qualidade segue sustentando as cotações no curto prazo."
A escassez de grãos com padrão ideal para a indústria moageira mantém o setor em alerta, forçando moinhos a buscarem lotes específicos e mantendo aquecidos os preços internos da farinha de alta qualidade.
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