
Em uma iniciativa voltada ao fortalecimento da sustentabilidade na cafeicultura, produtores cooperados da Capebe - Cooperativa Agropecuária de Boa Esperança conquistaram a certificação Carbono Neutro para suas propriedades produtoras de café. O reconhecimento atesta que as propriedades avaliadas removeram mais carbono do que emitiram ao longo do processo produtivo, resultado associado à adoção de práticas agrícolas voltadas à redução das emissões de gases de efeito estufa.
A iniciativa integra o programa “Café Carbono Neutro”, da Sumitomo Chemical, desenvolvido com o apoio da consultoria E2Carbon. As propriedades certificadas são Tijuco Preto, Mata do Paraíso, Segredo, Conquista do Segredo, Sapezinho, Lontra, Lagoinha, Corguinho, Brasil e Riacho Doce.
“O projeto reflete o compromisso da Sumitomo Chemical em promover a sustentabilidade no agronegócio. A certificação confere um diferencial competitivo importante para o café brasileiro, posicionando-o como uma bebida premium e sustentável”, afirma Renata Bergamo, gerente sênior de Stewardship, Sustentabilidade e Propriedade Intelectual LATAM da Sumitomo Chemical.
Para André Luiz Reis, diretor-presidente da Capebe, a certificação representa uma oportunidade de valorizar a produção dos cooperados e ampliar o reconhecimento do café produzido nas propriedades.
“Ser uma referência no agronegócio, com equilíbrio ambiental e social, é a visão da Capebe desde a fundação há 63 anos. Entendemos que isso só é possível quando o nosso cooperado tem a produção valorizada e fica em evidência, como no caso da certificação Carbono Neutro, que contribui com mais visibilidade do café e novas oportunidades de negócios lucrativos. Isso mostra que vivemos um processo de conscientização de cada vez mais produtores rurais e profissionais do setor. Em nome do Conselho de Administração, parabenizo os cinco cooperados certificados, a Sumitomo Chemical pelos programas Café Carbono Neutro e Matsu e a E2Carbon pela consultoria. Juntos, fazemos um agro mais resiliente, sustentável e respeitado ao redor do mundo”, afirma Reis.
Entre os produtores certificados está Gabriel Vilela Figueiredo Souza, das fazendas Tijuco Preto e Mata do Paraíso, localizadas em Campos Gerais (MG). Juntas, as propriedades produzem cerca de 2.500 sacas de café por ano.
Para a certificação Carbono Neutro, foram considerados dados como consumo de fertilizantes e óleo diesel, além das práticas de manejo adotadas nas propriedades. “É um reconhecimento e dá um valor agregado para, depois, a comercialização, porque não vai ser mais um café, vai ser ‘o’ café. Nós podemos agregar um valor de venda superior, tendo sustentabilidade”, afirma.
Éder Alves de Aguiar, das fazendas Segredo e Conquista do Segredo, em Cristais (MG), acompanhou o processo de certificação, que incluiu visitas às propriedades e análise de documentos, maquinários e insumos. As fazendas produzem, em média, 3.200 sacas de café por ano.
“É muito satisfatório saber que estamos trabalhando de maneira consciente, produzindo sem degradar o meio ambiente e sem prejudicar as nossas gerações seguintes. A satisfação é saber que a gente está trabalhando de forma adequada, sem poluir, contribuindo com o meio ambiente. O que vier de retorno financeiro, e não foi essa a proposta, se tiver alguma coisa, a gente fica feliz”, afirma.
O objetivo do programa “Café Carbono Neutro” é mensurar as emissões e as remoções de carbono dentro das lavouras de café. Para isso, inicialmente é realizado um levantamento das fontes de emissão presentes nas propriedades, considerando fatores como uso de fertilizantes nitrogenados, aplicação de calcário e ureia, processos de secagem e combustão móvel, relacionados ao uso de equipamentos, máquinas e veículos.
A partir desse levantamento, são identificadas e quantificadas as fontes de remoção de carbono. Entre elas estão as mudanças de uso do solo, como a conversão de pastagens e áreas degradadas para lavouras de café, além da biomassa das plantas, calculada a partir do incremento médio anual de carbono armazenado em cada planta.
Também são consideradas as remoções biogênicas associadas a práticas como adubação verde e utilização de plantas de cobertura. Com os dados levantados, é realizado o balanço entre emissões e remoções para determinar o resultado de cada propriedade em relação à emissão de carbono.
“A sustentabilidade precisa estar conectada ao cenário local. O trabalho de campo permite trazer um conjunto de dados únicos de cada fazenda, valorizando o trabalho do produtor. A certificação dos cinco cooperados representa um importante reconhecimento das práticas adotadas na cafeicultura e do compromisso dos produtores com uma produção mais sustentável e de menor impacto climático”, destaca Patrícia Ribeiro, diretora comercial da E2Carbon.
A certificação permite aos produtores utilizar o Selo Carbono Neutro na comercialização do café e em materiais de comunicação e marketing, além de apresentar o resultado ambiental da propriedade a potenciais compradores. O reconhecimento também pode contribuir para a busca por valorização do produto e para o acesso a iniciativas de financiamento e investimento que considerem critérios de sustentabilidade.
A iniciativa faz parte do programa de incentivo “Matsu”, da Sumitomo Chemical, voltado especificamente às cooperativas. O nome, que significa “pinheiro” em japonês, simboliza longevidade e força, valores associados ao relacionamento com as cooperativas e ao desenvolvimento de um agronegócio mais resiliente e sustentável