
Muito se fala hoje sobre agricultura familiar.
Aumento de produção.
Mais crédito disponível.
Novos programas.
Editais surgindo em diferentes níveis.
Mas existe um ponto essencial que quase ninguém está abordando:
- eficiência.
Estamos acompanhando, ao longo deste ano, produtores de diferentes tamanhos dentro da agricultura familiar. E o que encontramos é um padrão que se repete.
O problema não está, na maioria das vezes, na produção.
Também não está na capacidade técnica.
O que falta é algo mais básico — e ao mesmo tempo mais estratégico:
- processo definido e gestão aplicada.
Hoje, dentro de muitas propriedades, não existe clareza sobre:
onde estão as perdas
quanto custa produzir
o que realmente gera lucro
como organizar a produção para atender o mercado
E isso tem um impacto direto no bolso do produtor.
Porque enquanto se fala em produzir mais,
o que está acontecendo na prática é o produtor perdendo dinheiro sem perceber.
No hortifruti, por exemplo, as perdas são altas.
Produto fora de padrão, falha de planejamento, dificuldade de comercialização, falta de logística.
E tudo isso é tratado como algo normal.
Mas não é.
- Perda é falta de gestão.
E falta de gestão custa caro.
Por isso, o trabalho que estamos desenvolvendo não começa na produção.
Também não começa na recomendação técnica.
Começa na gestão.
Estamos focando em algo que gera resultado imediato:
redução de perdas.
Porque cada caixa aproveitada, cada produto bem direcionado, cada decisão melhor tomada…
é dinheiro direto no bolso do produtor.
E isso muda tudo.
Existe hoje uma série de canais de distribuição disponíveis:
programas institucionais, mercados locais, cooperativas, vendas diretas, contratos.
Oportunidade não falta.
O que falta é organização para acessar essas oportunidades com consistência.
E aqui entra um ponto importante.
O produtor rural da agricultura familiar não está parado.
Ele está buscando se associar, se organizar, melhorar seus resultados.
Ele está fazendo a parte dele.
- O que falta agora é estrutura de gestão para potencializar esse esforço.
A nova fase da agricultura familiar não será marcada apenas por mais produção.
Será marcada por mais inteligência, mais eficiência e mais resultado por metro quadrado produzido.
Porque produzir mais sem controle não resolve.
Agora, produzir melhor, com menos perda e mais estratégia…
isso sim gera prosperidade.
No final das contas, não se trata apenas de números.
Se trata de justiça.
Justiça com quem trabalha, com quem acorda cedo, com quem produz alimento todos os dias e merece ver o resultado desse esforço refletido na renda.
- A nova agricultura familiar já começou.
E ela começa pela gestão.
Luiz Francisco Araujo da Costa Vaz
Engenheiro Agrônomo
Colunista do Minuto Rural