
O mapa do campo está mudando. No Paraná, cresce o número de pequenas propriedades de até 4 módulos fiscais, movimento que também aparece em outros estados do Brasil. Ao mesmo tempo, aumenta a pressão por resultados: áreas menores precisam gerar mais renda por hectare para se manterem viáveis. Isso só é possível com uma combinação de inovação, boa gestão e um novo olhar sobre o agronegócio.
Quando falamos em inovação no campo, muita gente pensa apenas em máquinas modernas, drones e aplicativos. Tudo isso é importante, mas essa transformação é, antes de tudo, cultural. A imagem clássica do “senhor de enxada na mão”, fazendo ordenha manual, com o rosto marcado pelo cansaço, ainda existe – mas já não representa a realidade de boa parte das novas gerações do campo.
Hoje vemos jovens conectados, estudando, buscando capacitação, abrindo CNPJ, fazendo conta de custo, usando redes sociais para vender, organizando a produção em cooperativas, entregando cestas, hortifrúti, leite, ovos, queijo, produtos coloniais e muito mais. Eles entenderam algo simples e poderoso: agronegócio não é só soja, milho e grandes fazendas. Agronegócio somos todos nós.
Da micropropriedade às fazendas de médio porte, quem entra em programas de desenvolvimento, assistência técnica e organização da produção percebe que a rentabilidade pode ser muito boa. A conta é direta: todos os dias milhões de pessoas precisam comer. A produção de alimentos não vai “sair de moda”. Quem percebe essa oportunidade está investindo em três frentes ao mesmo tempo:
- Pessoas do campo – capacitação, assistência técnica, gestão e sucessão familiar;
- Agricultura familiar – organizada, com foco em qualidade, regularização e acesso a mercados melhores;
- Tecnologia e inovação – desde o planejamento de plantio até a venda direta ao consumidor ou para programas institucionais.
Não é uma missão simples. Exige criatividade, resiliência e disposição para mudar velhos hábitos. Mas é totalmente possível. Pequenas propriedades que antes mal se pagavam, hoje conseguem agregar valor com processamento (queijos, embutidos, panificados, produtos coloniais), turismo rural, venda direta, contratos com mercados, feiras e até fornecimento para programas públicos e privados.
O segredo para gerar abundância e prosperidade no campo está na conexão com o futuro:
- futuro em que a tecnologia ajuda a decidir o que plantar, quando produzir, para quem vender;
- futuro em que o produtor não é visto como “atrasado”, mas como empreendedor rural;
- futuro em que cidade e campo param de se enxergar como opostos e passam a se reconhecer como parceiros da mesma cadeia.
No fim das contas, todos nós somos agro:
- quem produz;
- quem transporta;
- quem processa;
- quem vende;
- quem financia;
- quem apoia;
- e, principalmente, quem consome.
Se você come, você faz parte do agronegócio. A diferença é se você vai apenas assistir essa transformação acontecer ou se vai escolher participar dela – investindo, apoiando, comprando do pequeno, fortalecendo a agricultura familiar e valorizando a inovação no campo.
Fica a provocação para a semana: qual é o seu papel nessa nova fase do agro brasileiro?
*Autor : Luiz Francisco Araujo da Costa Vaz – Engenheiro Agrônomo – Head de Desenvolvimento EcoS 360