Segunda, 06 de Julho de 2026
11°C 20°C
Castro, PR
Publicidade

Virose impõe novo sistema de manejo ao maracujá

Com medidas simples, fruticultor pode driblar a doença e aumentar a produtividade nos pomares

Por: Redação Fonte: FAEP
22/10/2022 às 10h24
Virose impõe novo sistema de manejo ao maracujá
A constatação de que o vírus CABMV (sigla em inglês para “vírus do mosaico do caupí”) havia chegado ao Estado aconteceu durante um curso do SENAR-PR realizado na região Noroeste.

O manejo do maracujazeiro, importante cultura frutífera no Paraná, passou recentemente por mudanças para minimizar os estragos causados por uma virose, detectada há alguns anos. A constatação de que o vírus CABMV (sigla em inglês para “vírus do mosaico do caupí”) havia chegado ao Estado aconteceu durante um curso do SENAR-PR realizado na região Noroeste. Na ocasião, os instrutores da entidade ministravam uma aula quando constataram estranhas lesões na planta.

“Detectamos a presença durante a primeira formação do curso de maracujá, em 2015. Durante uma visita a uma propriedade, um dos participantes identificou plantas infectadas e orientou que a gente encaminhasse amostras para análise em laboratório”, conta a instrutora do SENAR-PR Beatriz Meira. “As duas amostras enviadas ao laboratório voltaram com [diagnóstico] positivo para o CABMV. Ficamos perdidos na hora porque era uma doença que ainda não conhecíamos muito bem”, relata a profissional.

Diante da novidade, Beatriz e outros instrutores foram em busca de mais informação sobre a doença. Para isso, contataram especialistas do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR) e foram conhecer mais sobre a doença junto a produtores de Presidente Prudente, no Estado de São Paulo, que já enfrentavam a virose há mais tempo. “Nós constatamos que a melhor forma de tratamento era a erradicação da lavoura doente”, relata a instrutora.

Continua após a publicidade
Anúncio

Em condições normais, o maracujazeiro é uma cultura semiperene, isto é, os mesmos pomares podem continuar produzindo ao longo de três ou quatro anos consecutivos. Sob a influência do CABMV, as plantas devem ser erradicadas anualmente sob pena de perdas severas de produção.

José Luiz de Oliveira, fruticultor em Jandaia do Sul

 

“O estrago é grande. Tivemos áreas com problemas nutricionais onde as perdas foram de 100%”, afirma o coordenador de fruticultura do IDR-PR, Eduardo dos Santos, que acompanhou o processo desde o início.

Continua após a publicidade
Anúncio

Segundo o profissional, a virose entrou no Paraná em 2004, mas só em 2014 que começou a trazer problemas aos produtores de maracujá. “Dois anos depois [do vírus chegar à área de produção da cooperativa] houve uma redução drástica na produtividade. Em 2021 conseguimos voltar a produzir o mesmo volume de antes”, afirma Santos. O segredo dessa retomada, segundo ele, foi a adoção do novo manejo da fruta.

Manejo certo

O CABMV é transmitido pela picada do pulgão, que leva o vírus de uma planta infectada para outra saudável. Segundo Santos, o sistema de manejo capaz de enfrentar esse problema consiste em levar mudas maiores e, portanto, mais fortes e resistentes, para o campo. Se antes as mudas saiam com até 30 centímetros do viveiro para o pomar, hoje devem ter pelo menos 1,5 metro de altura. “A estratégia é esse manejo cultural, com as mudas maiores, e uma atenção especial na parte nutricional da planta”, explica o coordenador. “Se a planta começou a florescer, então a doença já não é mais problema. Basta ir controlando com a nutrição até o final do ciclo”, completa.

No caso do fruticultor José Luiz de Oliveira, de Jandaia do Sul, o plantio do maracujazeiro já começou sob este novo sistema de manejo. “Plantei uns pés há uns quatro anos para ver e acabei gostando. Quando comecei, o pessoal já falava que não dava para plantar duas vezes na mesma área, que entrava virose”, lembra.

Com experiência no cultivo de uvas, Oliveira aproveitou a mesma estrutura em que cultivava as parreiras para conduzir o maracujá. “Tem que plantar e erradicar todo ano, não cheguei a pegar a fase em que rebrotava por dois até três anos”, conta.

Com essa estratégia de levar as mudas mais desenvolvidas para o campo e erradicar os pomares anualmente, Oliveira vem obtendo uma produtividade média de 3,5 caixas (12 quilos) de maracujá por pé, o que representa um bom desempenho. “As frutas que ficam um pouco menores eu tiro para fazer polpa, não perco nada”, afirma o produtor, que ainda mantém uma pequena área com uvas.

Curso para formação de instrutores na área do maracujazeir

 

Do acordo com Santos, do IDR-PR, a erradicação dos pomares de maracujá funciona como um vazio sanitário para frear a disseminação do vírus. “É um período de 20 a 30 dias sem plantas na lavoura, enquanto a muda está protegida do pulgão que transmite o vírus no viveiro. Esse vazio ocorre normalmente no final da safra, entre julho e agosto, de acordo com cada região. Acabou de colher, já pode fazer”, ensina.

A instrutora do SENAR-PR recorda que quando passaram a ser levadas a campo, essas orientações encontraram resistência por parte de produtores tradicionais da fruta. “Os produtores não foram muito receptivos a essa recomendação”, recorda Beatriz. Essa postura, segundo ela, pode ter acelerado a propagação da doença no Estado. “Acredito que acabaria contaminando [outras regiões do Estado], mas não com a rapidez como aconteceu”, observa. “Vimos áreas infectadas a uma distância de 30 quilômetros do foco. O fato de o produtor não conhecer a biologia e a forma de disseminação faz com que subestime o vírus. Por isso tem que fazer curso, treinamento, para entender o procedimento”, avalia Santos.

Nesse sentido, o papel do SENAR-PR é estratégico. “A partir da confirmação de que o vírus estava presente nos pomares, os produtores buscaram um sistema de produção que pudesse enfrentar esse novo cenário. Foi a partir disso que elaboramos o novo curso de maracujazeiro do SENAR-PR, no qual ensinamos como conviver com a virose e ainda obter uma alta produtividade. O produtor aprende a escolher a cultivar adequada, fazer o manejo de nutrição, irrigação, manejo das mudas, levando na altura correta para o campo, e aprende a identificar os sintomas da virose, para saber se ela existe no seu pomar ou não”, observa a técnica do Departamento Técnico (Detec) do Sistema FAEP/SENAR-PR Vanessa Reinhart. “Outra parte importante do curso é, ao final do ciclo, fazer a erradicação das plantas para que a virose não sobreviva de um ciclo para o outro, não fique indo de um vizinho para o outro e não saia daquela área”, complementa.

O curso “Maracujazeiro” do SENAR-PR passou por uma reformulação para contemplar o controle do CABMV e, em breve, estará disponível para os fruticultores do Estado.

Com crescimento de 11,7% em 2025, comercialização de minérios atinge R$ 2,9 bilhões no Paraná Foto: Denis Ferreira Netto/SEDEST
CALCÁRIO Há 5 dias

Com crescimento de 11,7% em 2025, comercialização de minérios atinge R$ 2,9 bilhões no Paraná

Dados constam no Informe Mineral 03/2026, divulgado nesta quarta-feira (1º) pela Divisão de Geologia do Instituto Água e Terra. No ano passado, foram produzidas e comercializadas 71,23 milhões de toneladas de minério no Estado, com destaque para substâncias usadas na fabricação de cimento, cal e corretivo agrícola.

IDR-Paraná prepara quatro novas cultivares para fortalecer a fruticultura paranaense Foto: IDR
FRUTAS Há 1 semana

IDR-Paraná prepara 4 novas cultivares para fortalecer a fruticultura do Estado

As novas cultivares (uma maçã, duas ameixas e uma pitaia) foram desenvolvidas para combinar elevado desempenho agronômico com a produção de frutos de alta qualidade, capazes de atender às exigências do mercado e conquistar o consumidor.

Concurso revela que capacitação e assistência técnica são essenciais para diminuir perdas na colheita da soja Foto: Jaelson Lucas/Arquivo AEN
ASSITÊNCIA TÉCNICA Há 1 semana

Concurso mostra que assistência técnica diminui perdas na colheita da soja

De acordo com as avaliações durante o 21º Concurso Regional de Qualidade na colheita da Soja-safra 2024/2025, a perda média na região de Maringá chegou a 1,75 saca por hectare. Os participantes atendidos pelo IDR-PR registraram apenas 0,43 saca por hectare.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Piraí do Sul - PR
Agricultura Há 2 semanas

Piraí do Sul realiza recolhimento itinerante de embalagens vazias de agrotóxicos em parceria com a ADINP

A iniciativa reforça o compromisso com a preservação ambiental e o cumprimento da legislação, oferecendo aos produtores rurais uma altern...

SEEDCORP|HO atualiza portfólio e investe mais em pesquisa para dobrar faturamento em cinco anos
PORTFÓLIO Há 2 semanas

SEEDCORP|HO atualiza portfólio e investe mais em pesquisa para dobrar faturamento em cinco anos

Com investimentos crescentes em pesquisa, lançamento de novas cultivares e foco em produtividade, a SEEDCORP|HO projeta dobrar a comercialização de sementes de soja até 2031, alcançando 5 milhões de sacos vendidos e faturamento de R$ 1 bilhão.

Castro, PR
15°
Tempo nublado
Mín. 11° Máx. 20°
15° Sensação
3.95 km/h Vento
93% Umidade
100% (1.54mm) Chance chuva
07h05 Nascer do sol
17h44 Pôr do sol
Terça
16°
Quarta
19°
Quinta
21°
Sexta
23° 11°
Sábado
22° 13°
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,13 -0,75%
Euro
R$ 5,89 -0,33%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 348,428,99 +2,44%
Ibovespa
172,447,58 pts -0.93%
Publicidade
Publicidade
Enquete
Nenhuma enquete cadastrada
Publicidade