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Tomate híbrido pode gerar oportunidades para setor produtivo no Nordeste

Superando o desafio do clima quente e úmido da Zona da Mata alagoana, tomate BRS Sena tem apresentado produtividade considerável em experimentos. Variedade rendeu 70 toneladas por hectare, bem maior que a produtividade média estadual, em torno de 56 t/ha..

Por: Redação
18/07/2022 às 09h11
 Tomate híbrido pode gerar oportunidades para setor produtivo no Nordeste
O BRS Sena tem sabor diferenciado e elevado grau brix, com equilíbrio entre doçura e acidez, o que agrada aos consumidores e à indústria de processamento. Foto: Aluísio Goulart

O BRS Sena, primeiro tomate rasteiro híbrido desenvolvido no Brasil, tem mostrado potencial para produção no Nordeste brasileiro. Experimentos conduzidos pela Embrapa em Alagoas, desde 2020, vêm apresentando resultados promissores para posicionamento do produto em diferentes nichos de mercado.

 

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No primeiro plantio realizado em Alagoas, no município de Coruripe, a colheita foi de 70 toneladas por hectare (t/ha). A produtividade superou a média estadual, registrada como 56 t/ha, segundo dados de 2019 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apesar de ser inferior a de outras regiões, que apresentam condições mais favoráveis. Em outras regiões do País, a produção ultrapassa 100 toneladas por hectare, mesmo assim, os pesquisadores consideram os resultados bastante promissores.

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De coloração vermelha intensa, boa consistência e viscosidade de polpa, o BRS Sena tem sabor diferenciado e elevado grau brix, com equilíbrio entre doçura e acidez, o que agrada aos consumidores e também à indústria de processamento. O desafio é o cultivo em regiões de clima quente e úmido, como é o caso da Zona da Mata alagoana, onde são feitos os experimentos.

 

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A planta, originalmente adaptada a climas amenos, tem uma amplitude térmica ideal entre 10 e 30 graus Celsius. Na região nordestina testada, as temperaturas variam de 25 a 35 graus. Nesse ambiente, as plantas são submetidas a condições fisiológicas extremas. “Por isso, ninguém acreditava que seria possível produzir lá”, conta a analista Flávia Teixeira, engenheira agrônoma da Embrapa Hortaliças, que atua na Embrapa Alimentos e Territórios (AL).

 

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“É o início de um processo; estamos apenas começando”, pondera Teixeira, responsável por apoiar o desenvolvimento da horticultura no Nordeste. A região não tem tradição na produção de algumas hortaliças, em razão do calor intenso e do excesso de umidade, que propiciam a ocorrência de doenças e dificultam a produção.

 

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Os trabalhos de campo são realizados pela Embrapa no estado alagoano há três anos e incluem cultivos de cenoura, pimenta e alho, mas o tomate é o que tem chamado mais a atenção de produtores pelo seu potencial de agregação de valor.

 

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Boa aparência e resistência a doenças

 

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Frutos alongados, firmes, com peso médio de 70 gramas são características do híbrido BRS Sena. Destacam-se, ainda, a produtividade e o grau brix. Além disso, os pesquisadores apontam a resistência às doenças fúngicas causadas por Fusarium oxysporum f.sp. lycopersici, raças 1 e 2, Verticilium dahliae raça 1, à pinta-bacteriana (Pseudomonas syringae pv. tomato raça 0), aos nematoides-das-galhas (Melodoigyne javanica e M. incógnita), ao begomovírus e à mancha-bacteriana (Xanthomonas spp.).

 

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Para Klecio Santos, presidente da Cooperativa Pindorama, empresa que apoiou um plantio-piloto, a parceria com a Embrapa tende a gerar boas oportunidades para os agricultores da região, uma vez que permite ampliar o leque de produção. “A tecnologia implementada pelo órgão tem feito com que o homem do campo vença as adversidades e alcance novas conquistas”, disse. “Quanto mais produtos de qualidade no mercado, maior será a geração de emprego e renda, e o brasileiro terá uma alimentação mais segura, saudável e nutritiva”, ressalta Santos.

 

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Para o plantio-piloto do tomateiro, a Embrapa cedeu as sementes e forneceu a assistência técnica para a condução da área e as recomendações para o cultivo. As empresas parceiras arcaram com os custos de produção e foram responsáveis pelos tratos culturais e colheita. Os experimentos têm três diferentes focos: o processamento industrial, o mercado de mesa, e a produção em estufas para o consumo em nichos de mercado.

Além dos testes realizados na Cooperativa Pindorama, em Coruripe (AL), outros dois experimentos estão sendo conduzidos no estado de Alagoas, nos municípios de Barra de Santo Antônio e Marechal Deodoro, em parceria com produtores locais.

 

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O conselheiro da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) em Alagoas André Generoso apoia a iniciativa. “Agora compreendi que para se criar uma variedade como BRS Sena existe um grande número de pesquisadores que somam seus conhecimentos para gerar um produto de excelente qualidade. Sua cor, firmeza e brix alto, sem falar da sanidade em campo que o híbrido demonstra, tornam esse produto viável para nossa cozinha”, afirmou.

 

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Na opinião da produtora Carolina Carnaúba, “sendo Alagoas um polo turístico e gastronômico que ‘importa’ mais de 80% do tomate que consome, produzir o tomate Sena com o apoio da Embrapa fez sentido desde o princípio para nós. Trata-se de uma espécie diferenciada para produção de molhos e que nos surpreendeu muito positivamente, tanto que estamos ampliando a produção”.

 

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A região tem um mercado consumidor com grande potencial, de acordo com Flávia Teixeira, especialmente por sua vocação turística associada à cultura alimentar. Alagoas é importador de hortaliças produzidas em outros estados, como Bahia, Pernambuco e até mesmo no Distrito Federal.

 

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Com os primeiros resultados favoráveis, a engenheira agrônoma acredita que os experimentos conseguirão atrair mais parceiros do setor produtivo. A ideia é formalizar novas parcerias para a avaliação de outras variedades com características diferenciadas, impulsionando a produção de hortaliças no estado e no Nordeste.

 

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“A parceria entre a Embrapa Alimentos e Territórios e a Embrapa Hortaliças está sendo muito benéfica para Alagoas e para a região Nordeste”, disse o chefe-geral da Unidade sediada em Maceió, João Flávio Veloso. “Certamente outras inovações virão, e quem ganha com isso são os produtores e os consumidores de alimentos.”

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