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Referência na agropecuária do Estado, IDR-Paraná comemora 50 anos de pesquisa

A solenidade reuniu, em Londrina, mais de 400 pessoas, entre autoridades, lideranças, pesquisadores e técnicos ligados à agropecuária.

Por: Redação.. Fonte: Secom Paraná
30/06/2022 às 19h09 Atualizada em 30/06/2022 às 19h10
Referência na agropecuária do Estado, IDR-Paraná comemora 50 anos de pesquisa
Foto: Gisele Barão/SEAB

O IDR-Paraná (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná-Iapar-Emater) completou nesta quinta-feira (30) 50 anos de criação numa solenidade que reuniu, em Londrina, mais de 400 pessoas, entre autoridades, lideranças, pesquisadores e técnicos ligados à agropecuária.

O secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, destacou a alta produtividade e a qualidade da agropecuária paranaense que, segundo ele, têm participação importante de servidores que atuam na pesquisa. “Estamos avançando na ciência, no conhecimento, em produtos que nos permitam fazer mais com menos, trazendo bons rendimentos aos produtores e promovendo a sustentabilidade”, afirmou.

Ele informou que em breve deve ser realizado um concurso público para a contratação de servidores para o Instituto. “O concurso não será feito agora por questões eleitorais”, explicou.

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Para Natalino Avance de Souza, presidente do IDR-Paraná, esta homenagem é um reconhecimento ao trabalho de um ciclo. “Se tomarmos o período de 1972 a 2022, nós conseguimos que o Estado tivesse uma revolução de eminentemente importador de alimentos para um Estado que é a esperança para a alimentação mundial”, disse ele. “Exportamos para 187 países, e tudo isso foi conseguido graças à pesquisa, transferência de tecnologias e um arranjo organizacional que permitiu transformar a agricultura do Paraná”, afirmou.

A diretora de Pesquisa e Inovação do IDR-Paraná, Vania Moda Cirino, também destaca as mudanças no setor rural. “A pesquisa nessas cinco décadas contribuíram efetivamente para transformar o meio rural do Paraná. De uma monocultura cafeeira, evoluímos para uma agricultura que é uma das mais diversificadas do País”, disse.

O cinquentenário remete ao aniversário do antigo Iapar (Instituto Agronômico do Paraná), centro de pesquisas voltado à agropecuária fundado em 1972 e integrado ao Instituto por reforma administrativa, em dezembro de 2019. A fusão englobou também a Emater-PR (Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural), a Codapar (Companhia de Desenvolvimento Agropecuário do Paraná) e o CPRA (Centro Paranaense de Referência em Agroecologia).

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LANÇAMENTOS– A solenidade foi marcada pela entrega de cinco novas cultivares ao setor produtivo e o lançamento de dois livros, ambos abordando a temática do manejo de plantas daninhas.

A aveia granífera IPR Andrômeda, o cártamo IPR 211 e a canola IPR 212 foram desenvolvidos com o objetivo de oferecer aos agricultores opções para a produção de grãos e obtenção de renda no inverno, enquanto que o nabo forrageiro IPR 210 prioritariamente será destinado ao uso como planta de cobertura em estratégias de manejo conservacionista do solo. 

A variedade de milho precoce IPR 216, também lançada no evento, pode ser cultivada nas duas safras do cereal e destinada tanto à produção de grãos como para ensilagem da planta inteira.

LIVROS– O livro “Plantas daninhas em pastagens do Paraná”, do pesquisador Walter Miguel Kranz, apresenta o resultado de levantamento conduzido em 167 propriedades típicas de quatro grandes regiões — Primeiro e Segundo Planaltos, Terceiro Planalto, Arenito e Campos Nativos.

Escrito pelo pesquisador Francisco Skora Neto, a redução do uso de herbicidas para controlar plantas daninhas em plantio direto é a abordagem central do segundo livro — “Manejo sustentável de plantas daninhas: fundamentos para um sistema de plantio direto sem herbicida”.

CÁPSULA DO TEMPO – Durante a cerimônia, a diretora Vania Cirino e o ex-presidente do Iapar, Florindo Dalberto, abriram uma “cápsula do tempo” instalada em 2012 junto a um relógio que, desde então, fez a contagem regressiva para as bodas de ouro da pesquisa.

HISTÓRIA E CONQUISTAS – Em meio século de atividades o IDR-Paraná ofereceu ao setor produtivo 220 cultivares para as mais diversas culturas de interesse econômico: feijão, trigo, café, milho, arroz, batata, forrageiras, frutas de clima temperado e tropical, mandioca e plantas para adubação verde e cobertura do solo.

“É uma média de quatro lançamentos por ano, que resultaram em aumento da produtividade, melhoria de vida de agricultores e consumidores, diminuição de impactos ambientais e disponibilidade de alimentos a preços compatíveis com o nível de renda da população brasileira”, afirmou Vania Cirino.

Ela destacou ainda que o Estado foi precursor em estudos sobre plantio direto no Brasil. Com abordagem em microbacias, pesquisadores do IDR-Paraná desenvolveram e adaptaram métodos de terraceamento e cultivo mínimo que possibilitaram recuperar milhares de hectares de solo cultivado, inspirando projetos similares em outras regiões brasileiras e também na América Latina e na África.

Outro exemplo é o caso dos estudos que possibilitaram manejar o cancro cítrico e viabilizar a inserção do Paraná no mapa da produção nacional e internacional de frutas cítricas, segundo a pesquisadora.

No melhoramento genético de plantas, destaca-se o desenvolvimento de cultivares de maçã apropriadas para cultivo em regiões de inverno ameno, hoje cultivadas em todos os Estados do Sul do Brasil, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia.

Também é obra do Instituto a criação da primeira raça paranaense — e a primeira no Brasil desenvolvida em um centro estadual de pesquisa — de bovino para corte, o Purunã, obtido a partir de cruzamentos envolvendo animais puros das raças Aberdeen Angus, Canchim, Caracu e Charolês.

Cirino lembra ainda a forte atuação institucional na formação de novos pesquisadores e técnicos, por meio de um mestrado em agricultura conservacionista, mantido em parceria com a UEL (Universidade Estadual de Londrina). “Também conduzimos há 30 anos um programa de iniciação científica que já acolheu 1,8 mil estudantes de graduação”, acrescentou.

Ao longo dessas cinco décadas, os pesquisadores do IDR-Paraná assinaram inúmeros artigos nos mais conceituados periódicos do meio acadêmico e publicaram mais de 600 livros e boletins técnicos direcionados à transferência de tecnologias para produtores, profissionais da assistência técnica e estudantes.

ALEP– Ainda nessa semana, a Assembleia Legislativa do Paraná dedicou o grande expediente da segunda-feira (27) para homenagear os 50 anos de pesquisa do IDR-Paraná e destacar a contribuição da ciência, tecnologia e inovação ao desenvolvimento da agricultura paranaense e melhoria da qualidade de vida no campo.

PRESENÇAS – Também participaram da solenidade os ex-presidentes do Iapar Wilson Pan, Luiz Ganassin, Gonçalo Signorelli de Farias e Marcos Vieira, além de Horácio Flaco Sperandio Juliatto, que representou seu pai, Raul Juliatto, o primeiro dirigente da instituição; Otamir Cesar Martins, diretor-presidente da Adapar (Agência de Defesa Agropecuária do Paraná); Claudio Stabile, diretor-presidente da Sanepar; Eder Eduardo Bublitz, presidente da Ceasa Paraná; Sandra Moya, representante da Casa Civil do Estado; Júlio César Damasceno, reitor da Universidade Estadual de Maringá; o ex-secretário de Agricultura e ex-governador do Paraná, Orlando Pessuti; Reinhold Stephanes, ex-ministro da Agricultura; Alexandre Lima Nepomuceno, chefe-geral da Embrapa Soja; João Mendonça, vice-prefeito de Londrina; Luzia Suzukawa, prefeita de Tamarana; José Maria Ferreira, prefeito de Ibiporã; Aílton Aparecido Maistro, prefeito de Rolândia; Onício de Souza, prefeito de Florestópolis; Sidnei Dezotti, prefeito de Guaraci e, ainda, Rafael Fuentes, Altair Sebastião Dorigo e Diniz Dias Doliveira, respectivamente diretor de integração, de negócios e de extensão rural do IDR-Paraná.

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