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Após mobilização, avicultores de Cianorte conseguem reajuste dos preços recebidos

Negociações foram conduzidas no âmbito da Cadec local e mobilização contou com ampla participação dos produtores

Por: Redação Fonte: Redação
15/05/2020 às 10h01 Atualizada em 19/05/2020 às 09h52
Após mobilização, avicultores de Cianorte conseguem reajuste dos preços recebidos
As ações coordenadas surtiram efeito. A empresa chamou os produtores para uma nova rodada de negociações e, no âmbito da Cadec e aprovou seis pontos importantes para os avicultores.

Avicultores integrados de Cianorte, no Noroeste do Paraná, deram um exemplo de como a união, a mobilização e o acompanhamento dos dados da própria atividade podem levar o setor a conquistas importantes. Após uma série de ações coordenadas, que incluiu uma carreata e a paralisação dos alojamentos, os produtores conseguiram que a agroindústria integradora aprovasse, no último dia 7 de maio, um conjunto de reivindicações. Entre os itens aprovados, está o aumento dos preços pagos aos avicultores pelo quilo de frango. Toda essa negociação se tornou possível a partir do fortalecimento e da atuação da Comissão de Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração (Cadec). 

 

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As negociações dos produtores com a agroindústria – a Avenorte Avícola Cianorte – começou ainda no início do ano. Por meio da Cadec, os avicultores apresentaram à empresa uma pauta com nove itens, dos quais três foram atendidos. A questão da remuneração – um dos pontos mais sensíveis aos produtores –, no entanto, ficou de fora do acordo. Com a negativa da empresa em relação ao reajuste dos preços, os integrados promoveram uma assembleia no âmbito da Cadec, e decidiram ampliar a mobilização. 

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“Na assembleia, os produtores aprovaram a flexibilização dos itens, que seriam reapresentados à empresa. Se a agroindústria não atendesse, os avicultores decidiram que iam proceder com a parada gradativa dos aviários e promover outras manifestações. A empresa passou semanas sem se posicionar. Quando responderam, disseram que o reajuste estava fora de cogitação e que o diálogo em relação a esse ponto estava cessado. Isso os produtores não aceitaram”, relatou o coordenador da Cadec, Diener Gonçalves de Santana. 

 

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A partir de então, os avicultores começaram a paralisar gradativamente os alojamentos em seus respectivos aviários. Em outra frente, em 25 de abril, os produtores promoveram uma carreata, que reuniu mais de 120 participantes. A manifestação partiu da sede do Sindicato Rural de Cianorte, passou pelas principais avenidas do município e se encerrou em frente à sede da Avenorte. 

 

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“Até então, a mídia só expunha o lado da agroindústria, que é o lado positivo da atividade. A gente queria levar à sociedade e ao mercado consumidor o outro lado da moeda, que é as dificuldades pelas quais os avicultores estão passando”, apontou Santana. “A empresa, de maneira não geral, não acreditava que o movimento fosse ter essa dimensão, nem que nós estávamos tão bem organizados. Eles achavam que ia dar meia dúzia de produtores. Eles ficaram surpresos com a repercussão do ato e a sociedade ficou do nosso lado”, acrescentou. 

 

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As ações coordenadas surtiram efeito. A empresa chamou os produtores para uma nova rodada de negociações e, no âmbito da Cadec, aprovou os seis pontos que haviam sido rejeitados no início do ano. Para que isso ocorresse, os produtores também flexibilizaram os pedidos, chegando a um denominador comum com a agroindústria. Em relação à remuneração, o preço pago aos avicultores por quilo de frango saltou de R$ 0,27 para R$ 0,2950. A partir de outubro, os integrados vão receber R$ 0,30 por quilo. Além disso, os produtores também foram atendidos em demandas relacionadas a aspectos do alojamento. 

 

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“Foi um trabalho de mais de um ano. Desde março do ano passado, reestruturamos a Cadec e apostamos na difusão de conhecimento e dos fatos da atividade. Foi preciso que o produtor tivesse os números em mãos e entendesse como funcionava a metodologia de pagamento da empresa. Os produtores aderiram de forma muito forte e esse apoio tem sido determinante para o sucesso das negociações”, disse Santana. 

 

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Referência para outros estados

 

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Hoje, o Paraná é referência para o restante do país no que diz respeito à implantação e atuação das Cadecs. Instituídas a partir da Lei da Integração o (Lei 13.288/2016), as Cadecs funcionam como um espaço de construção de consenso e que busca o equilíbrio entra produtores rurais e a agroindústria. O Sistema FAEP/SENAR-PR tem desempenhado um papel fundamental neste ponto, com a criação de uma política de estímulo à instalação e consolidação de comissões. Representantes da Federação têm viajado todas as regiões do Estado, prestando assessorias técnica e jurídica para a constituição e consolidação dessas estruturas. 

 

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“O Estado do Paraná está adiantado no processo de formação e consolidação das Cadecs. O Sistema FAEP/SENAR-PR tem apostado nessa sensibilização, de mostrar aos produtores a importância de se consolidar as comissões, e isso tem feito a diferença. A grande contribuição dessas comissões é atuar na busca de um ponto de equilíbrio entre os integrados e os integradores, em uma relação que contribua para a sustentabilidade da atividade”, definiu a médica veterinária Mariana Assolari, técnica do Sistema FAEP/SENAR-PR. 

 

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Cada unidade produtiva da integração deve instituir sua própria Cadec, que é composta de forma paritária: até 10 produtores rurais e até 10 representantes da indústria. Na avicultura, são 20 Cadecs já constituídas. Em algumas dessas comissões, como a instituídas em algumas unidades da JBS, BRF e do Grupo Vibra, o diálogo entre produtores e agroindústria vêm avançando de forma satisfatória. Algumas empresas, no entanto, como o grupo GTFoods, as negociações têm encontrado obstáculos e o funcionamento da CADEC não atende aos preceitos legais em sua totalidade. 

 

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“Não existe resultado imediato ou avanços substanciais em curto espaço de tempo. É uma construção coletiva que depende de união, disciplina, colaboração e dedicação de todos os envolvidos para a consolidação das CADECs”, apontou Mariana. Fonte FAEP.

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