
A Doma Racional não é mágica ou encantamento. É uma técnica que utiliza inteligência e liderança para adestrar cavalos. Esse tipo de prática vem ganhando espaço e sendo utilizada por muitos domadores em todo o país. O cavalo é um dos animais mais fascinantes da terra. Há milênios é parceiro do homem, pois proporciona alegria, divertimento, aventura e adrenalina em competições. Assim, a integração homem e cavalo deve ser buscada da melhor forma possível. Esta aproximação não precisa ser traumática para o animal, mas proporcionar um treinamento onde os cavalos possam se sentir confortáveis e protegidos pelo ser humano.
O domador e criador de cavalos do Centro de Treinamento, Mauro Leite (Rancho CTML), ministra cursos em diversos lugares do Brasil repassando a técnica.
Para domar um cavalo utilizando essa técnica o domador deve conhecer a natureza do animal, ou seja, entender como o cavalo se comporta na manada, como reage à ação de predadores e do ser humano. O treinador Mauro Leite explica que a técnica visa mostrar harmonia entre homem e cavalo. “Esse método quer mostrar que cavalo e homem são parceiros e é a confiança que deve gerar este relacionamento. O animal deve se sentir confiante e seguro com o treinador, percebendo-o como o líder da manada, que o protege de predadores e mostra o caminho onde todos devem ir”, descreve. Segundo ele, essa técnica pode ser usada em qualquer raça, pois o comportamento dos animais é igual. “A técnica pode ser utilizada independente da raça. O importante é a interação homem e animal. Desta forma, dentro de uma hora, o animal concorda em receber os comandos do domador, pois entende que estas ações não colocam em risco sua vida. Assim, tudo o que for ensinado ao cavalo ele irá repetir”, relata. O treinador afirma que respeita todos os tipos de doma, mas pretende passar esse tipo de trabalho para frente, tanto que é procurado por vários sindicatos, sociedades rurais entre outras associações para ministrar cursos.
O curso é didático, claro e mostra que um animal pode ser domado sem violência.
Esse tipo de técnica prevê o homem como um líder, portanto o animal deve se sentir à vontade e seguir os comandos do treinador. Foto: Toninho Anhaia
O curso, de acordo com Mauro, é didático e claro, mostrando que um animal pode ser domado sem violência. Ele explica que o treinador precisa mostrar que sua presença não traz risco e sim parceria. “O treinador deve demonstrar amizade e liderança, assim o animal se sente seguro. Outros métodos não fazem isso, usam pressão e contenção, o que acaba assustando o animal. O curso foi inteiramente didático e pudemos mostrar às pessoas que podemos encilhar o cavalo deixando-o inteiramente livre”, descreve.
Para Mauro, esse tipo de doma deixa o cavalo mais dócil e apto a receber todos os comandos necessários. Desta forma, homem e cavalo vivem em estado de cooperação e parceria. “Podemos comparar esse animal como se fosse um aluno, ou seja, recebe o ensino fundamental e depois segue para definir uma carreira. O mesmo acontece com o cavalo, depois de receber bem os fundamentos ele pode se dar bem em qualquer modalidade. Portanto, o treinador precisa observar e lapidar o animal de acordo com suas habilidades, sejam para laço, hipismo, tambor, lida de campo, enduro, entre outras”, esclarece Mauro. O curso em Ponta Grossa trabalhou o básico, ou seja, os alunos puderam aprender o manejo correto para que o cavalo responda de maneira correta os principais comandos de rédeas. “Depois dos fundamentos é que temos os treinamentos específicos que poderão ser aprendidos em uma outra etapa”, explica. Portanto, cavalos não são máquinas que podem ser consertadas ou fabricadas em série. Cada animal tem sua própria personalidade. Desta forma, é importante ter respeito e paciência com o animal, entendendo sua expressão corporal para que o treinamento seja completo.