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Cenário do trigo no mundo e os reflexos no mercado brasileiro são temas de seminário

Em um momento estratégico para a cultura do trigo no país, o evento discutiu temas pertinentes à cadeia tritícola, como as perspectivas para o cereal na próxima safra, tecnologias no campo e o manejo racional de fertilizantes

Por: Redação
08/04/2022 às 10h20
Cenário do trigo no mundo e os reflexos no mercado brasileiro são temas de seminário
O Seminário Técnico do Trigo 2022 ocorreu em Campo Mourão/PR e reuniu cerca de 350 pessoas. Foto: Divulgação Biotrigo/Ricardo Maia

Em meio ao atual contexto sócio-político mundial, envolvendo o conflito entre Rússia e Ucrânia, o qual traz para o centro das discussões a temática da segurança alimentar, a safra de trigo de 2022 ganha ainda mais destaque no Brasil. As incertezas geradas pelo conflito entre os dois países já trazem impactos sobre as exportações e o preço do cereal no mundo. E as consequências, é claro, também se estendem ao Brasil. “Grande parte do trigo que o Brasil compra vem da Argentina. E como ela disputa os mesmos mercados que a Rússia e Ucrânia, quando os preços desses países sobem, os da Argentina acompanham esse movimento. Consequentemente, o trigo importado chega muito mais caro nos portos brasileiros”, explica o gerente de relacionamentos da hEDGEpoint Global Markets, Roberto Sandoli.

O contexto do trigo no mundo e os reflexos no mercado brasileiro foram tema do Seminário Técnico do Trigo 2022, realizado nessa quinta-feira (7). O evento, promovido pela Biotrigo Genética, em Campo Mourão (PR), reuniu cerca de 350 pessoas, entre técnicos, cerealistas, produtores de sementes, multiplicadores e triticultores do Paraná, São Paulo, Cerrado e Paraguai. De acordo com Sandoli, um dos palestrantes do evento, a próxima safra de trigo representa uma ótima oportunidade de aumento de área para o país. “No mercado interno, se o produtor semear trigo, os moinhos deverão dar liquidez, pois eles têm mais segurança em comprar um trigo no mercado nacional do que importado. A perspectiva é que os preços continuem firmes e que realmente seja rentável para o agricultor”, aponta.

            Uma das principais preocupações dos produtores, que também foi amplificada com os conflitos na Ucrânia, é a originação e precificação de fertilizantes. Com isso, tanto para a safra de inverno, quanto para a safra de verão de 2022/23, é fundamental a realização de um manejo racional de insumos. Esse, inclusive, foi outro tema abordado durante o evento. Segundo o doutor em Agronomia e professor adjunto da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Marcelo Augusto Batista, o uso racional dos fertilizantes é importante para uma maior eficiência neste momento, em que há escassez e custo elevado desses produtos no mercado. “Muitas vezes, existe a inadequação nas fontes usadas, formas de aplicação, épocas de aplicação, e tudo isso influencia na eficiência. Tentamos sempre instruir a como, qual e quanto fertilizante utilizar”, conta. Contudo, para Marcelo, a safra de trigo de 2022 não deve representar problemas para os produtores em relação aos insumos. “Eles já foram comprados e entregues”, indica.

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Experiência internacional aplicada no Brasil

 

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            Outra palestra realizada no Seminário Técnico do Trigo 2022 teve como temática o uso de mix de cultivares de trigo para a produção de grãos. Rômulo Lollato, PhD em Fitotecnia pela Universidade de Oklahoma e professor associado da Kansas State University (EUA), dividiu a experiência daquela e de outras regiões com essa tecnologia, consolidada no mercado norte-americano há mais de duas décadas, especialmente na região do Kansas. “Desde os anos 2000 o percentual de área semeada na região com mixes de cultivares tem se mantido em torno de 9 a 13%”, destaca. De acordo com Lollato, a razão para tal estabilidade na área de trigo com mixes se dá por algumas vantagens que o produtor observa no uso da tecnologia em comparação com cultivares isoladas. “O principal benefício é a estabilidade de rendimento. Em anos que uma cultivar individual acabe perdendo em produção por um fator ou outro, o mix vai agir como um efeito tampão, fazendo com que essas perdas de rendimento não sejam tão grandes na mistura quanto na variedade individual”, pontua. Quanto à produtividade, Rômulo ainda ressalta que os mixes têm uma tendência de produção igual ou maior em comparação aos seus componentes isolados.

 

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Estabilidade, produtividade e qualidade em pauta

 

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            Os mixes de cultivares de trigo para a produção de grãos serão uma novidade no Brasil a partir da safra de 2023. Com o lançamento de XBIO Fusão, uma mistura entre TBIO Audaz e TBIO Sagaz, o produtor poderá contar com um produto que agrega ainda mais estabilidade produtiva e qualidade da lavoura à indústria. “Fusão se destaca principalmente em comparação aos seus componentes quando semeados individualmente, oferecendo maior estabilidade produtiva”, comenta o gerente comercial da Biotrigo para a América Latina, Fernando Michel Wagner, que tratou sobre XBIO Fusão durante o evento. Um dos avanços mais significativos de Fusão é a melhora no nível de resistência do mix ao oídio. “O produtor de trigo precisa de estabilidade, colhendo trigo todos os anos. Esse fator, além de manter a renda no inverno, faz com que o agricultor permaneça na cultura”, indica Fernando.

            TBIO Calibre, cultivar que chega aos campos de multiplicação nesta safra, teve seus resultados e posicionamento apresentados durante o Seminário Técnico do Trigo. Segundo o gerente comercial regional norte da Biotrigo, Bruno Alves, a palestra contou com o objetivo de mostrar as recomendações da cultivar, possibilitando com que o produtor usufrua do máximo potencial produtivo que a genética do material pode entregar em sua semente. “Calibre é uma cultivar com excelente pacote fitossanitário, de fácil manejo e que vem agregar ao produtor principalmente em alto potencial de rendimento no ciclo superprecoce”, afirma. A cultivar estará disponível aos produtores a partir da safra de 2023. “TBIO Calibre chega para suprir a demanda sempre que um produtor buscar cultivares de ciclo mais curto, seja para fechamento ou abertura de semeadura, em situações em que a precocidade tiver valor, sem abrir mão de rendimento”, indica.

            A rentabilidade do agricultor está diretamente ligada à produtividade de sua colheita. Em 2014, a introdução da genética francesa no mercado brasileiro representou um grande passo nesse sentido, com o lançamento de TBIO Toruk. Oito anos depois, o seminário trouxe uma evolução dessa genética, apresentando TBIO Motriz, um dos lançamentos da Biotrigo, o qual estará disponível em 2023 para os multiplicadores de sementes. “Quando comparamos Motriz com Toruk, observamos várias vantagens. Em produtividade, ele tem ganho em quase todos os ambientes. Em segurança, é uma cultivar com maior resistência, sobretudo, à mancha amarela, giberela e brusone, problemas de difícil controle na cultura”, declara o diretor e melhorista da Biotrigo, André Cunha Rosa. Para ele, a substituição de TBIO Toruk por Motriz deverá ser gradativa e natural. “Toruk foi um divisor de águas para a triticultura do Sul do Brasil e, através de um grande esforço de melhoramento genético, é com grande satisfação que trazemos essa novidade ao mercado”, assinala.

            Para se juntar a TBIO Motriz como as novidades do portfólio em 2022, e dando um olhar especial a um importante nicho de mercado, a Biotrigo lançou TBIO Capaz, cultivar de farinha branqueadora e ciclo superprecoce. Por sua cor e performance de panificação, Capaz entrega uma farinha de excelente qualidade. “TBIO Capaz tem uma alta eficiência produtiva. Com um tipo de planta arrojado e ciclo superprecoce, possui excelente potencial produtivo, comparado a TBIO Audaz, cultivar consolidada no mercado do Sul do Brasil”, afirma o melhorista da Biotrigo, Francisco Gnocato. A cultivar também estará disponível aos multiplicadores na safra de 2023 e possui um equilibrado pacote fitossanitário - tanto para doenças de folha, quanto para doenças de espiga. “Além de um elevado PH, Capaz proporciona um avanço importante em sanidade, que se traduz em mais segurança para o produtor. A cultivar apresenta uma maior resistência ao mosaico comum do trigo, mancha amarela, ferrugem da folha, bacteriose, bem como moderada resistência à giberela”, finaliza.

 

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Trigo: o guarda-costas da soja

 

            A cultura da soja representa um dos maiores ciclos econômicos do Brasil. Um dos principais desafios dentro do manejo dessa cultura está representado no combate aos nematoides. O prejuízo anual acumulado no país causado por essa praga chega à impressionante cifra de 36 bilhões de reais. “Algumas regiões, como o Paraná, o Centro-Oeste e o Matopiba, dão atenção especial a esse tema, que vem ganhando espaço nas discussões técnicas do Sul do Brasil. Porém, ainda não é um assunto tratado como prioridade em estados como o Rio Grande do Sul”, afirma o fitopatologista da Biotrigo, Paulo Kuhnem, que falou sobre a temática durante o evento. A introdução da cultura do trigo traz uma série de vantagens para o sistema produtivo. Somados à adubação de sistema, manejo de ervas daninhas e busca de rentabilidade no inverno, o manejo de nematoides com a utilização de cultivares testadas para esse fim ganha um grande reforço. “Algumas cultivares de trigo apresentam naturalmente um fator de reprodução dos nematoides da soja abaixo de um, ou seja, ele não multiplica essa população. Portanto, nós olhamos o trigo como uma ferramenta que pode ser utilizada precedendo a soja, visando um aumento de produtividade na cultura”, destaca Paulo. O Seminário Técnico do Trigo 2022 contou com o apoio de Sementes Butiá e o patrocínio de Bayer, Basf, FMC, Ihara, Syngenta e Yara.

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