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Queijo a peso de prata

Derivado produzido no Norte Pioneiro ficou em segundo lugar em concurso internacional, promovido na França. SENAR-PR faz parte da trajetória da família de produtores

10/12/2021 às 09h42
Por: Redação
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A participação nos cursos do Senar foi primordial para obter conhecimento e aplicar na propriedade. “São saberes que eu fui aplicando e que trago até hoje
A participação nos cursos do Senar foi primordial para obter conhecimento e aplicar na propriedade. “São saberes que eu fui aplicando e que trago até hoje", afirma Martins.

 O produtor rural Leomar Mello Martins estava em sua propriedade em Santana do Itararé, em 14 de setembro, com a atenção voltada para o outro lado do Oceano Atlântico. Um de seus queijos, o Maná Concafé Gourmet, participava do Mondial du Fromage et des Produits Laitiers de Tours, célebre concurso de lácteos realizado na França. Ligado no celular, Martins acompanhou lives transmitidas por queijeiros brasileiros que viajaram à Europa para acompanhar a disputa. Quando a lista dos vencedores saiu, o produtor teve uma grata surpresa: seu queijo especial conquistou a medalha de prata. Foi como se tivesse ficado com o topo do pódio.

“Foi como se tivesse sido o ouro. É uma conquista improvável para a região e muito importante por colocar o queijo paranaense no cenário internacional”, diz Martins.

Na Fazenda Sítio Aliança, Martins e a família se dedicam à produção de 70 quilos de queijos artesanais especiais por dia. O leite utilizado também provém da propriedade, em que os pecuaristas mantêm 38 animais da raça Jersey, das quais 18 em lactação – e que produzem 380 litros por dia. “O leite que sobra da produção de queijos, a gente comercializa com a [cooperativa] Capal”, explica Martins.

O processo de criação dos animais à fabricação dos derivados é todo familiar.

Martins e a mulher, Marisa, produzem os queijos, enquanto os filhos Lucas e Daniela cuidam do trato e da ordenha dos animais. “O nosso plano não é aumentar muito a produção, mas agregar valor. A gente quer fazer um queijo especial, personalizado, para atender a um público mais sofisticado. Tudo de forma profissional e trabalhando com a família”, conta Martins.

Medalha de prata, o Maná Concafé Gourmet, por exemplo, é um queijo maturado com 30 dias, produzido com cafés especiais da região do Norte Pioneiro. Outro detalhe que faz a diferença é o leite do Sítio Aliança, com proteínas e gordura na medida certa. “É um queijo que tem a maciez do leite Jersey, que é de altíssima qualidade. Dá aquele gostinho característico, com o plus do gostinho do café. Eu diria que aconteceu a química perfeita”, define o queijeiro.

Trajetória

Nascido em Jaguariaíva, nos Campos Gerais, Martins nem sempre foi produtor rural. Com formação de técnico agrícola e em administração de empresas, por 12 anos ele exerceu o cargo de comprador de leite pela Parmalat. Em 2003, no entanto, decidiu dar uma guinada em sua vida. Desligou-se da multinacional e comprou o sítio em Santana do Itararé. “Eu estava cansado de viajar pelo Brasil. Com dois filhos pequenos, eu queria ficar perto da família.

Comecei com sete vacas, com a ideia de focar em leite. O queijo nem passava pela minha cabeça”, conta.

Foi aí que o SENAR-PR entrou na trajetória do produtor. Martins frequentou vários cursos, com o objetivo de se profissionalizar em todas as etapas da pecuária de leite. Entre as capacitações em que foi diplomado, está a de pastagem, de boas práticas de ordenha, de manejo e de higiene. “São saberes que eu fui aplicando e que trago até hoje. Para a produção dos meus queijos, o leite tem que ser excepcional, com ótimos teores de proteína e de gordura. Foi muito importante”, revela.

Apesar de conduzir bem o negócio, em 2017, por causa da crise do setor lácteo, Martins quase foi à falência. “Eu estava à ponto de largar tudo”, resume. Foi então que os queijos, que eram produzidos para consumo próprio, passaram a ser encarados como uma alternativa econômica. Os produtos da família Martins passaram a ser vendidos na Feira Municipal do Produtor, em Santana do Itararé. Ali, os produtores viram que os derivados poderiam ser uma boa saída.

“Estávamos passando por dificuldades tremendas. E o queijo nos salvou. Fazíamos três peças por dia e, com a feira, passamos a fabricar 70. E vendíamos tudo”, relembra. “A gente chegou no fundo do poço. Mas o fundo do poço não é o fim da vida. Foi ali que vimos que o queijo era a nossa oportunidade”, acrescenta.

No ano seguinte, em 2018, outro acontecimento importante mostrou que Martins estava certo em apostar na produção de queijos especiais. Um de seus produtos venceu a etapa regional do concurso estadual. Na fase final, a família Martins ficou em segundo lugar, entre 157 concorrentes. “Nós só perdemos para um queijeiro experiente, que já tinha anos de estrada”, afirma. “O queijo foi a nossa luz. Vamos continuar fazendo tudo direitinho e levando o nome do Paraná a outros lugares. Somos um Estado que produz queijos excelentes, de padrão internacional”, conclui. Informativo Senar/PR.

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