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Abelhas

Meliponicultura decola com apoio do SENAR-PR

Desde 2004, mais de 5,6 mil pessoas participaram de cursos que ensinam o manejo correto das abelhas sem ferrão.

23/02/2020 19h17
Por: Redação
Fonte: Redação
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Mais de 5,6 mil pessoas em todo o Paraná já passaram pelo curso de meliponicultura do SENAR-PR, desde que a capacitação passou a ser oferecida, em 2004.
Mais de 5,6 mil pessoas em todo o Paraná já passaram pelo curso de meliponicultura do SENAR-PR, desde que a capacitação passou a ser oferecida, em 2004.

As abelhas nativas surgiram quase por acaso na vida de Benedito Antônio Uczai e de sua esposa, Salete Perin, há 14 anos. Convidados a participar de um curso do SENAR-PR que seria promovido na cidade, o casal começou na meliponicultura mais como um passatempo, como uma atividade quase terapêutica. Aos poucos, no entanto, a produção de mel e própolis foi crescendo e se sofisticando, a ponto de eles se tornarem um dos principais produtores de Paraná.

 

Quando fizeram o curso “Trabalhador na meliponicultura – abelhas indígenas sem ferrão”, em 2006, o casal mantinha uma pequena indústria de suco, vinho e geleias artesanais, que funcionava na própria chácara. Com a capacitação concluída, começaram a cultivar abelhas sem ferrão com uma única colmeia, da espécie mirim-guaçu. A dedicação à meliponicultura, no entanto, ficava em segundo plano. 

 

“Era uma atividade a que a gente se dedicava só aos domingos, para relaxar. Mas nos apaixonamos pela atividade, principalmente por ser uma produção associada ao meio ambiente, à saúde e ao bem-estar”, diz Uczai. 

 

Com o passar do tempo, o casal foi estruturando melhor a sua produção e superando entraves comuns à atividade. Adotaram caixas mais adequadas para o manejo e que, ao mesmo tempo, garantiam conforto às abelhas. Paralelamente, os dois conseguiram abrir mercado, criar alternativa de envase e desenvolver um sistema de logística de distribuição. Uczai não revela o número de colmeias que mantém hoje, mas diz que elas se contam às centenas. A produção está centrada em dez espécies diferentes, todas de abelhas endêmicas – próprias da região. 

 

Há quatro anos, Uczai, Salete e outras duas famílias fundaram sua própria marca, a Melíponas. A empresa trabalha de acordo com conceitos diretamente relacionados ao consumo consciente e sustentável e aposta em produtos que, além do mel e do própolis, incluem pomadas e protetores labiais naturais. Agora, eles se preparam para uma nova fase: construir parcerias com outros produtores do Paraná, que também adotem controle e manejos adequadamente, para construir uma cadeia. 

 

“O curso do SENAR-PR simplesmente abriu as portas para mim e para a minha esposa. Se chegamos aqui, com essa escala organizada de trabalho, de manejo, de beneficiamento e de comércio que temos hoje, quem deu essa esperança inicial foi o curso do SENAR-PR. A gente percebeu o quão apaixonante é trabalhar com abelhas nativas”, ressalta o produtor.

 

Senar/PR no desenvolvimento e aprimoramento promovendo cursos na área.

 

Benedito e Salete não são um caso isolado. Mais de 5,6 mil pessoas em todo o Paraná já passaram pelo curso de meliponicultura do SENAR-PR, desde que a capacitação passou a ser oferecida, em 2004. Para Marcos Aparecido Gonçalves, coordenador da Câmara Técnica de Meliponicultura, do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o SENAR-PR tem sido determinante para fazer com que mais e mais paranaenses ingressem na atividade. 

 

“Por ter uma atuação regionalizada, o SENAR-PR está acessível a todas as regiões do Paraná. A instituição tem papel fundamental de dar esse pontapé inicial, de iniciar os criadores na atividade e dar essa primeira formação. É um trabalho essencial”, disse Gonçalves.

 

O mapeamento dos participantes do curso do SENAR-PR aponta uma concentração maior de meliponicultores nos municípios que fazem parte da regional de Curitiba, onde mais de 2,3 mil pessoas passaram pela capacitação. Em seguida, aparecem a região de Londrina, com 669 participantes, e de Irati, com 452 veja os detalhes no infográfico.

 

Os dados revelam também uma grande concentraçãode participantes entre produtores rurais (2.708) ou seus familiares (1.755), e espalhados por diversas faixas etárias. Embora os meliponicultores se concentrem em famílias com renda entre um e três salários mínimos, há criadores em todas as camadas socioeconômicas, o que aponta a versatilidade do negócio.

 

Atividade precisa vencer alguns desafios

 

Apesar do apoio inicial do SENAR-PR, a meliponicultura ainda precisa transpor alguns entraves. Segundo Gonçalves, o setor ainda se desenvolve de forma bem artesanal, com a maioria dos produtores atuando na informalidade. O coordenador da Câmara Técnica aponta a necessidade de políticas públicas que ajudem a padronizar a produção e que possa contribuir com a profissionalização da atividade. 

 

“O maior desafio é consolidar a cadeia, de modo que possamos ter produtores organizados para ter volume de produção, de envase, capacidade produtiva e de comércio. Precisamos fornecer procedimentos e padrões para que o criador possa se sensibilizar da necessidade dessa organização. Os produtores não podem ficar isolados. Precisam se unir”, aponta Gonçalves. 

 

Outro ponto é a necessidade de ampliação do mercado. O mel das abelhas sem ferrão, por exemplo, tem sabores variados de acordo com a espécie, além de ser considerado mais saboroso e saudável – com baixo teor de açúcar e ação antibacteriana – em relação ao produzido pelas abelhas apis (com ferrão). Para Uczai, há um amplo trabalho de sensibilização a ser feito junto aos consumidores. 

 

“O brasileiro ainda não conhece a maravilha que é o mel de abelha sem ferrão. É um mel de alta complexidade, que se consome de forma diferente, e que tem propriedades medicinais. O ideal é ingerir em pequenas porções, todo dia de manhã. É diferente do mel de abelha com ferrão, que as pessoas podem usar e abusar para adoçar pães, por exemplo”, diz o meliponicultor. 

 

“A gente precisa desenvolver uma política que contemple tudo isso. Que a gente possa avançar na questão do beneficiamento do mel e, ao mesmo tempo, sensibilizar o produtor a se formalizar e a trabalharmos a questão de mercado”, acrescenta Gonçalves. Fonte Faep.

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