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Artigos MANEJO REPRODUTIVO

Rebanhos leiteiros e a importância do manejo reprodutivo

Neste artigo, o Gerente Técnico de Leite da Alta Genetics, Tiago Ferreira, comenta sobre a importância do manejo reprodutivo e da coleta de dados nos rebanhos leiteiros

06/04/2021 14h02
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Por: Redação Fonte: Tiago Ferreira
As vacas devem ficar prenhas entre 55 e 115 dias pós-parto para otimizar a produção de leite, aumentar a quantidade de bezerros nascidos por ano e minimizar abates devido a fracassos na reprodução.
As vacas devem ficar prenhas entre 55 e 115 dias pós-parto para otimizar a produção de leite, aumentar a quantidade de bezerros nascidos por ano e minimizar abates devido a fracassos na reprodução.

Acredite! Demonstrar a eficiência reprodutiva dos rebanhos leiteiros pode ser uma tarefa menos complexa do que você imagina, caso tenha, é claro, as ferramentas certas para fazê-lo. Os levantamentos de reprodutivos têm como grande objetivo demonstrar justamente essa realidade, por meio de números. Com esse tipo de estudo, é possível coletar os dados relacionados ao rebanho e o quanto a taxa de prenhez tem a chance de evoluir. A partir daí, traçar metas e indicadores torna-se uma tarefa muito mais fácil, dando ao produtor um verdadeiro raio-X de sua criação.

 

Mas, dentro desse contexto, por que é tão importante analisar a taxa de prenhez? Bem, a conta é a seguinte! Quanto maior a taxa de prenhez – somando as vacas gestantes a partir do total de aptas – maior será o impacto dos dias em lactação médio no próximo parto. Assim, é possível que o rebanho produza mais por cada vaca, em função dos dias em lactação médio ser menor, ou seja, mais próximo do pico de lactação. Essa estratégia tem correlação direta com a evolução da taxa de vacas prenhas e é o que o rebanho necessita para alcançar os tão fundamentais 25% de taxa de prenhez, que representam bom retorno financeiro para o produtor. 

 

Concept Plus Leite. 

Esse programa, levado à frente pela Alta Genetics, traz um vasto número de informações reprodutivas e produtivas da pecuária leiteira nacional. Seu foco é estabelecer referências coerentes com a realidade brasileira, e tem como objetivo discutir estratégias reprodutivas, mostrar números, indicadores e envolver pessoas de sucesso no segmento da reprodução.

 

No ano de 2019/2020, o Concept Plus Leite analisou os dados de 381 fazendas leiteiras, mais de 125 mil animais e cerca de 300 mil serviços aproveitados. Neste estudo, foram levados em consideração os fatores que afetam a fertilidade, com foco em estabelecer correlações adequadas à realidade nacional.  

 

Reprodução como fator de lucratividade das fazendas. 

As vendas de leite representam de 80% a 90% da receita nas fazendas leiteiras e a venda de bezerros e vacas de descarte representam de 10% a 20%. Por isso, o sucesso da produção de leite depende do sucesso do nascimento de um bezerro, que torna a reprodução um componente essencial em uma operação leiteira bem-sucedida. Outros fatores determinantes são o número de vacas ordenhadas, paridade, gerenciamento da propriedade e o mérito genético.

 

As vacas devem ficar prenhas entre 55 e 115 dias pós-parto para otimizar a produção de leite, aumentar a quantidade de bezerros nascidos por ano e minimizar abates devido a fracassos na reprodução. A taxa de prenhez, a taxa de detecção de cio (estro) vs. a concepção, é o fator crítico da eficiência reprodutiva. O retorno econômico associado à reprodução é ótimo quando a taxa de prenhez é superior a 25%. Para atingir esse patamar, a taxa de concepção (relação de fêmeas gestantes pelo total de fêmeas inseminadas) deve ser maior que 33% e a detecção de cio na primeira inseminação precisa ser maior do que 70%. Os gestores das fazendas devem selecionar um período de espera voluntário (PEV) entre 50 e 70 dias para otimizar a taxa de concepção e utilizar um programa de manejo para controlar a intensidade da primeira inseminação. O diagnóstico deve ser programado para controlar os dias entre as inseminações.

 

A taxa de prenhez determina o valor econômico da reprodução. 

Tiago Ferreira é Gerente Técnico de Leite da Alta Genetics

A proporção de vacas prenhas a cada 21 dias após o período voluntário de espera (PEV) determina a média de leite produzido por dia (devido à forma da curva de lactação e ao período de recobrimento). Dois pontos de controle mais importantes para atingir uma produção de 25% são a taxa de concepção do rebanho e a taxa da primeira inseminação. Portanto, as prioridades são a concepção, a intensidade da inseminação no primeiro serviço e, em seguida, a repetição da intensidade da inseminação.

 

Além da saúde da vaca, altas taxas de concepção também dependem do tempo adequado de inseminação em relação ao estro, qualidade do sêmen, bom manejo e colocação, e uso de touros com boa fertilidade.

 

Para ilustrar e trazer tudo isso para um contexto mais prático, comparamos vários indicadores do levantamento da Universidade da Pensilvânia, dos EUA e do Concept Plus leite no Brasil. Foram divididos 4 grupos por taxa de prenhez, abaixo de 25% taxa de prenhez, acima de 25% taxa de prenhez, melhores 50% de taxa de prenhez e os 10% melhores para taxa de prenhez. Confira!

 

Qual seria, portanto, o ponto crítico no manejo da reprodução do rebanho? Trata-se do controle da primeira inseminação. O monitoramento da fertilidade em vacas saudáveis estabelece a fertilidade básica no rebanho e fornece uma estimativa de bem-estar das vacas de transição e os protocolos de inseminação. Existem muitas oportunidades para esse controle, e a melhor estratégia dependerá da gestão do rebanho. Sempre importante lembrar que a evolução na eficiência reprodutiva tem impacto econômico grande no Brasil e no mundo e deve ser monitorada constantemente pelo produtor, gerente da leiteria ou veterinário.

 

*Tiago Ferreira é Gerente Técnico de Leite da Alta Genetics

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