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A ATRATIVIDADE DA PECUÁRIA BRASILEIRA

O Brasil, sozinho, é responsável por cerca de 15% da produção mundial da proteína. O País, os Estados Unidos e a China representam, juntos, quase 46% da produção mundial de carne bovina.

Por: Redação Fonte: Autor: Thiago Bernardino de Carvalho Pesquisador do Cepea*
22/01/2020 às 10h27
A ATRATIVIDADE DA PECUÁRIA BRASILEIRA
Para o Brasil, apesar dos custos mais elevados na recria-engorda, observa-se que parte dos produtores já busca aumentar a produtividade – que, vale lembrar, está muito aquém do potencial.

Thiago Bernardino de Carvalho

Pesquisador do Cepea

As exportações brasileiras de carne bovina in natura foram recordes em 2019, o que, atrelado ao dólar elevado, resultou em receita em Reais também recorde. E dentre os fatores que favoreceram a pecuária brasileira a atender ao aquecido mercado internacional está a sua maior competividade, o que fica evidenciado pelo custo de produção mais baixo do que os concorrentes. A redução na oferta global, com consequente preço mais alto, também favoreceu as vendas brasileiras ao longo de 2019.

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CUSTOS

Dados de 2018 apresentados na última Conferência do Agribenchmark Beef (evento anual que reúne pesquisadores do mundo todo para comparar e discutir dados zootécnicos e econômicos da pecuária de corte de diferentes países), realizado em 2019, na África, mostram que a pecuária de corte brasileira se destaca no comparativo mundial, apresentando um dos menores custos para produzir um quilograma de carne.

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Quando considerados os custos de produção de um bezerro, os países mais competitivos nesse sistema de cria são: Ucrânia, Argentina, Uruguai, Brasil, Colômbia, Paraguai, Austrália e África do Sul. É importante notar que a maioria dos países com custo baixo está na América do Sul, região que tem como característica o sistema de criação a pasto.

 

A Ucrânia registra os menores custos de produção de bezerro no mundo devido à alta qualidade do solo no país, que favorece a produtividade. Segundo dados apresentados na Conferência, o total de custos na Ucrânia para a produção de um bezerro é de aproximadamente US$ 100 a cada 100 kg de carcaça viva, enquanto no Brasil o custo médio das fazendas de cria está por volta de US$ 200/100 kg de carcaça viva. Ressalta-se que, como a pecuária nacional é bastante heterogênea, algumas fazendas levantadas no Brasil apresentam custos próximos a US$ 100 a cada 100 kg, ao passo que, em outras, os gastos estão acima de US$ 200 – com base em dados de 2018.

 

As fazendas com os maiores custos de produção de bezerro estão localizadas especialmente na Europa, o que está por trás da política de subsídios utilizada no continente.

 

Para a terminação, os países que apresentam os menores custos no sistema de recria-engorda são a Ucrânia, Argentina, Brasil, Colômbia, Paraguai, África do Sul e Namíbia. Destaca-se, mais uma vez, a maior presença dos países sul-americanos como os mais competitivos.

 

Na Ucrânia, os custos da terminação foram calculados, em 2018, como sendo abaixo de US$ 200 por 100 quilogramas de carcaça vendida. No Brasil, o patamar de custos varia de pouco mais de US$ 200 até pouco menos de US$ 100 por 100 quilos de carcaça vendida. Essa grande variação se dá pelo sistema adotado, de extensivo até o confinamento no caso brasileiro.

 

Os maiores custos, por sua vez, novamente são observados em países europeus, que, assim como o sistema de cria, demandam subsídios para a produção – posto que, na maioria dos casos da Europa, o preço de mercado não cobre os custos de produção, inviabilizando a atividade do continente.

 

Para o Brasil, apesar dos custos mais elevados na recria-engorda, observa-se que parte dos produtores já busca aumentar a produtividade – que, vale lembrar, está muito aquém do potencial. Como exemplo, os Estados Unidos detêm rebanho de 89 milhões de cabeças e a produtividade média é cerca de 133 quilos de carne por animal se bem que a um custo de US$ 356,00 a US$ 407,00/100 kg. Já o Brasil soma rebanho de mais de 200 milhões de cabeças, com produtividade de 45 kg/animal/ano, porém a custo menores, como já mencionado. O potencial de crescimento da atividade no Brasil é uma alternativa para suavizar os custos e continuar sendo um importante player no mercado internacional.

 

OFERTA GLOBAL

O Brasil, sozinho, é responsável por cerca de 15% da produção mundial da proteína. O País, os Estados Unidos e a China representam, juntos, quase 46% da produção mundial de carne bovina.

 

Os Estados Unidos são líderes em produção e grandes exportadores, mas também são grandes importadores. Já a China, apesar de ser um grande produtor, enfrenta restrição de área da produção, além de problemas sanitários – como os persistentes casos de Peste Suína Africana (PSA) – que forçam o país a buscar alternativas para compra.

 

Outros tradicionais países produtores de carne têm desafios relacionados à restrição de área (como Uruguai e Paraguai), a fatores políticos (como a Argentina), a alto custo de alimentação (caso de países europeus e Canadá) e a problemas climáticos (Austrália).

 

A Austrália, aliás, vem enfrentando intensas queimadas, que devem reforçar a já observada diminuição na oferta doméstica de carne – vale lembrar que o país já foi um importante fornecedor de carnes à China. Destaca-se, ainda, a Índia, que, apesar de possuir um grande rebanho, enfrenta dificuldades em termos sanitários e produtividade, além da questão religiosa.

*Autor: Thiago Bernardino de Carvalho, Pesquisador do Cepea.

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