Quinta, 05 de Novembro de 2026
18°C 22°C
Castro, PR
Publicidade

Com produção de madeira e 500 mil mudas por ano, colégio florestal de Irati movimenta quase R$ 1 milhão

O Centro Estadual Florestal de Educação Profissional Presidente Costa e Silva alia produção florestal à formação técnica de cerca de 300 estudantes, oferecendo o curso técnico em Florestas em regime de internato. A instituição é uma das duas, entre os 31 colégios agrícolas da rede estadual, que oferecem formação voltada ao setor florestal.

Por: Redação
04/11/2026 às 13h51
Com produção de madeira e 500 mil mudas por ano, colégio florestal de Irati movimenta quase R$ 1 milhão
Com produção de madeira e 500 mil mudas por ano, colégio florestal de Irati movimenta quase R$ 1 milhão em 2026 Foto: Com produção de madeira e 500 mil mudas por ano, colégio florestal de Irati movimenta quase R$ 1 milhão em 2026

Com a produção anual de 500 mil mudas e a comercialização de madeira, o Centro Estadual Florestal de Educação Profissional Presidente Costa e Silva, em Irati, na região Centro-Sul do Paraná, já movimentou quase R$ 1 milhão em 2026. A escola alia produção florestal à formação técnica de cerca de 300 estudantes, oferecendo o curso técnico em Florestas em regime de internato.

A instituição é uma das duas, entre os 31 colégios agrícolas da rede estadual, que oferecem formação voltada ao setor florestal. Enquanto a unidade de Ortigueira, nos Campos Gerais, tem foco nas operações florestais mecanizadas, sem áreas próprias de cultivo, o colégio de Irati desenvolve o ciclo completo da produção, desde plantio e manejo das árvores até colheita e comercialização da madeira.

Segundo o secretário de Estado da Educação, Roni Miranda, a iniciativa aproxima a formação técnica das demandas do setor produtivo. “O Paraná tem forte vocação para o setor florestal e precisa de profissionais preparados para atuar com tecnologia, produtividade e responsabilidade ambiental. Quando o estudante acompanha todo esse processo dentro da escola, ele relaciona o conhecimento técnico às situações que encontrará no mundo do trabalho”, afirma.

Continua após a publicidade
Anúncio

Criado em 1973 como o primeiro colégio florestal da América Latina, o colégio de Irati tem área total de 173 hectares, o equivalente a cerca de 240 campos de futebol. Desse total, 58 hectares (34%) são destinados ao cultivo de espécies como pinus, erva-mate, araucária e eucalipto. Os 115 hectares restantes (66%) abrigam estruturas escolares, estradas, mata nativa e áreas de preservação ambiental.

CICLO PRODUTIVO DA FLORESTA

A produção florestal integra a rotina pedagógica dos estudantes, que participam de atividades de análise do solo, produção de mudas, plantio, manejo, desbaste, colheita semimecanizada e comercialização. As atividades permitem conhecer os processos e as tecnologias utilizados profissionalmente no setor.

Continua após a publicidade
Anúncio

De acordo com o diretor da Unidade Didático-Produtiva (UDP) e responsável técnico do colégio, Gilcinei Linhares, os estudantes acompanham todas as etapas da produção. “Eles aprendem a analisar o solo, produzir mudas, realizar o manejo, operar equipamentos, entender o destino comercial de cada produto, além de conhecer a legislação florestal. É uma formação que une conhecimento técnico, responsabilidade ambiental e experiência profissional”, diz.

A comercialização de madeira alcançou quase R$ 800 mil em receita bruta em 2026, atendendo indústrias de compensados, serrarias, fabricantes de painéis de MDF e empresas que utilizam lenha para geração de energia. O ciclo produtivo pode durar de sete a 30 anos, conforme a destinação da madeira, exigindo diferentes técnicas de manejo.

Para Luis Eduardo Srutkowski, de 18 anos, estudante do curso técnico em Florestas, a experiência prática é um dos principais diferenciais da formação. “Minha família sempre esteve ligada à atividade florestal, e isso influenciou minha escolha pelo curso. O diferencial daqui é aprender fazendo. Desde o primeiro ano, participamos da produção de mudas, do plantio e do manejo das árvores. São atividades que exigem conhecimento, atenção e responsabilidade, principalmente quando envolvem equipamentos como a motosserra”, conta.

A estrutura utilizada nas aulas práticas inclui serraria, marcenaria, tratores, roçadeiras, motosserras e drone de pulverização, permitindo aos estudantes conhecer técnicas de silvicultura e colheita semimecanizada, sempre sob orientação dos professores.

PRODUÇÃO DE MUDAS

O viveiro do colégio tem capacidade produtiva de 500 mil mudas por ano, entre espécies nativas e exóticas, como araucária, bracatinga, louro-pardo, cedro-rosa, pinus e erva-mate. Parte da produção é comercializada e o restante utilizado no replantio de áreas da instituição. Araucária e bracatinga representam cerca da metade das mudas produzidas.

As vendas geraram aproximadamente R$ 200 mil em receita bruta em 2026. A maior parte das mudas comercializadas foi destinada à empresa Floresta Nacional de Irati (Flona Irati Florestal), além de produtores rurais e projetos de educação ambiental. O viveiro também mantém parceria com a Fazenda Santa Maria, de Guarapuava, para fornecimento de sementes de pinus.

COOPERATIVA ESCOLAR

 Criada em 2023, a cooperativa escolar comercializa madeira, mudas e outros produtos da instituição. A receita é reinvestida integralmente em infraestrutura, equipamentos e tecnologias produtivas para o próprio colégio. Entre as iniciativas de 2026 estão a produção de mudas enxertadas de araucária e a aquisição de mudas clonais de erva-mate.

“A cooperativa ensina gestão, organização e responsabilidade. Quando os estudantes percebem que o resultado do trabalho retorna em equipamentos, melhorias e novas oportunidades para a escola, eles entendem o valor da produção coletiva e do cooperativismo”, afirma Linhares.

FORMAÇÃO PROFISSIONAL – O curso técnico em Florestas prepara profissionais para atuar em empresas de reflorestamento, indústrias madeireiras e de celulose, viveiros, cooperativas e serviços ambientais, com formação em plantio, manejo, colheita e recuperação de áreas degradadas.

Ex-aluna e atualmente professora da instituição, a engenheira agrônoma Enaiale Caroline de Paula fala sobre a importância da experiência prática. “Quando ingressei na faculdade de Agronomia, já tinha experiência em manejo do solo, topografia e silvicultura, o que facilitou muito meu aprendizado. Além do conhecimento técnico, o colégio me ensinou responsabilidade, trabalho em equipe e respeito às diferenças”, relembra.

O colégio também oferece formação em Segurança do Trabalho no período noturno e recebe estudantes de Irati e municípios da região. A instituição mantém, ainda, parceria com a Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), recebendo anualmente cerca de 30 estudantes de iniciação científica para pesquisas relacionadas à produção e ao manejo florestal.

A formação acompanha a importância econômica do setor no Paraná, segundo maior estado brasileiro em área plantada de pinus. Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), a atividade florestal movimentou R$ 9,7 bilhões no Paraná em 2025. Em Irati, a produção de pinus destinada à laminação alcançou 60 mil metros cúbicos, com Valor Bruto da Produção (VBP) de R$ 14,6 milhões.

Legenda: Primeiros experimentos foram realizados pelo naturalista sueco Alberto Lögren em 1906 (Crédito: Zig Koch)
PINUS Há 2 semanas

Pinus chega ao Brasil como experimento e 120 anos depois se estabelece como principal matéria-prima para diversos produtos

Em 1906, o naturalista sueco Alberto Löfgren registrou a presença de 16 espécies de Pinus em São Paulo e, de lá para cá, gênero se torna referência em produtividade e uma das principais bases da silvicultura brasileira

CURITIBA; 02/03/26; Certificação de madeira engenheirada do TECPAR; Foto: Hedeson Alves/TECPAR Foto: Hedeson Alves/Tecpar
MADEIRA ENGENHEIRADA Há 3 semanas

Tecpar é o primeiro órgão certificador de madeira engenheirada do Brasil

Disponível para empresas de todo o país, o selo reconhece produtos que demonstrem conformidade técnica, desempenho estrutural, boas práticas de fabricação, rastreabilidade de origem e práticas ESG. Até então, esse tipo de certificação era emitido apenas por organizações estrangeiras.

Manejo do solo impulsiona produtividade e acelera o ciclo das florestas plantadas Banco de Imagens
EUCALIPTO Há 1 mês

Manejo do solo impulsiona produtividade e acelera o ciclo das florestas plantadas

Com 8,1 milhões de hectares de eucalipto no país, condições do perfil do solo podem influenciar desenvolvimento das árvores e eficiência da produção comercial

Uma das etapas previstas pela visita foi conhecer o parque fabril da Águia Florestal (Crédito: Divulgação)
CASAS SUSTENTÁVEIS Há 1 mês

Resíduos industriais de processo produtivo do setor florestal transformam-se em casas sustentáveis

Técnicos do Sul do Brasil visitam fábrica, área de plantio e Tiny House da Águia Florestal no Paraná

Alvaro Scheffer, CEO da Águia Florestal (Crédito: Divulgação)
MADEIRA ENGENHEIRADA Há 2 meses

Construção em madeira engenheirada é uma das alternativas para enfrentar o déficit habitacional de 5,9 milhões de moradias no país

Águia Florestal faz pré-lançamento de Tiny House durante Lignum Latin America com foco na construção industrializada

Castro, PR
19°
Chuva
Mín. 18° Máx. 22°
19° Sensação
7.02 km/h Vento
97% Umidade
100% (25.84mm) Chance chuva
05h29 Nascer do sol
18h37 Pôr do sol
Sexta
22° 17°
Sábado
20° 16°
Domingo
17° 10°
Segunda
19° 7°
Terça
20° 9°
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,44 -0,32%
Euro
R$ 6,11 -0,33%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 459,191,60 -0,53%
Ibovespa
167,407,02 pts -0.09%
Publicidade
Publicidade
Enquete
Nenhuma enquete cadastrada
Publicidade