
Produzimos alimento para milhões de pessoas dentro e fora do país. O campo movimenta economias regionais, gera empregos e sustenta uma parte importante da balança comercial brasileira.
Mas existe uma realidade que pouca gente conhece:
os desafios que começam quando o produtor passa da porteira da propriedade.
Quem olha de fora imagina que produzir no campo significa apenas plantar, cuidar da lavoura e colher.
Na prática, o produtor rural precisa ser muito mais do que isso.
Para sobreviver e ter lucro no campo no Brasil, o produtor precisa desenvolver um conhecimento multidisciplinar. Ele precisa entender de agronomia, mercado, gestão financeira, logística, tecnologia e, principalmente, burocracia.
Se por um lado somos líderes na produção agrícola, por outro lado também somos recordistas na criação de regras, exigências e documentos.
Para produzir, o produtor precisa lidar com uma série de autorizações e obrigações, como:
licenças sanitárias
licenças ambientais
autorização de uso da água
licenças de uso do solo
autorização de uso do subsolo
E a lista continua.
O produtor precisa declarar o Imposto Territorial Rural (ITR), manter atualizada a autodeclaração ambiental, regularizar o CCIR, enviar relatórios como o RAPP, manter cadastro no SERFLOR, cumprir regras de destinação de embalagens agrícolas, solicitar autorizações para obras simples como cascalhamento de estradas internas, além de licenças quando constrói armazéns ou instala sistemas de geração de energia.
Tudo isso exige tempo, conhecimento e responsabilidade.
Quando chega o momento de vender a produção, também surgem novas obrigações.
Hoje a nota fiscal do produtor é eletrônica, e sobre a comercialização incidem impostos e registros obrigatórios.
E os desafios continuam em outras situações:
na compra ou venda de uma propriedade existe o ITBI, e nos processos de herança entra o ITCMD.
Esses são apenas alguns exemplos de uma realidade burocrática que o produtor precisa enfrentar todos os dias.
Mesmo assim, muitas vezes se cria a narrativa de que o produtor rural vive cercado de privilégios.
A verdade é outra.
O produtor rural brasileiro está entre os trabalhadores mais resilientes do país. São pessoas que enfrentam clima, mercado, custos elevados e uma complexa estrutura burocrática — e ainda assim continuam produzindo alimento, riqueza e desenvolvimento.
E seguimos fazendo isso da forma correta.
Assim como no ensinamento bíblico em que Jesus afirma: “dai a César o que é de César”, o produtor rural cumpre suas obrigações, paga seus impostos e busca seguir a legislação.
Porque sabemos fazer bem uma coisa: produzir alimento de qualidade e gerar riqueza para o nosso país.
Para lidar com todos esses desafios além da porteira, muitos produtores buscam apoio técnico e institucional.
É nesse contexto que iniciativas como a Fundação EcoS surgem para ajudar o produtor rural a encontrar soluções, orientação e suporte em um único lugar, facilitando o acesso à informação e ao cumprimento das exigências legais.
Porque no final das contas, o objetivo do produtor sempre foi o mesmo:
produzir, trabalhar com dignidade e contribuir para o desenvolvimento do Brasil.
Luiz Francisco Araujo da Costa Vaz
Engenheiro Agrônomo
Colunista do Minuto Rural