
Quando falamos em associação, cooperativa ou qualquer forma de união, muita gente ainda enxerga isso apenas como um jeito de conseguir benefício fiscal ou acessar um edital. Esse é um erro grave. O associativismo, na sua essência, não é um CNPJ com vantagens; é uma forma de nos tornarmos realmente fortes, na prática, e não só no discurso.
Força não se constrói sozinho. Ela nasce quando temos produto de qualidade e padronizado, quando investimos em treinamento dos produtores, quando usamos a força de compra para reduzir custo e quando tornamos viável, no coletivo, aquilo que é caro no individual: uma gestão eficiente e uma consultoria especializada. Vimos isso claramente nos projetos do Coopera Paraná: o que seria inviável para um produtor isolado se torna estratégico quando o grupo decide caminhar junto.
Precisamos trabalhar o associativismo para ensinar que dividir resultado não é perder, é multiplicar. O ganho do vizinho não significa a minha perda. Na matemática da gestão, quando todos crescem, a região inteira prospera: aumenta o volume, melhora o preço, chegam novos mercados, vem infraestrutura. Não se trata de “divisão de riqueza”, mas de multiplicação de riqueza.
Temos um potencial gigantesco: agrícola, mineral, climático, de solo fértil. E, com tudo isso, ver produtor e empresário brasileiro sonhando primeiro em investir fora do país é, no mínimo, motivo de indignação. Não falta oportunidade aqui. Falta gestão, organização e visão de longo prazo para aproveitar as oportunidades internas e usar o mercado externo – e até as taxações – a nosso favor, reposicionando melhor nossos produtos.
Da pequena à grande propriedade, todos têm a mesma oportunidade: crescer na crise, no caos, na dificuldade. Agora é hora de ser criativo, eficiente e planejador, colocar cada papel em dia, profissionalizar gestão e usar as ferramentas que existem.
Existe um ditado que diz: “O dinheiro é um ótimo servo, mas um péssimo patrão.” Se não aprendermos a colocar o dinheiro no lugar certo, seremos dominados por ele – seja pela dívida, seja pela dependência eterna de programas sociais. Os ensinamentos milenares são claros: “aquele que é fiel no pouco terá muito; quem não é fiel no pouco, até o pouco que tem lhe será tirado.”
Não podemos desperdiçar a capacidade e a oportunidade que temos de produzir e prosperar aqui.
Associativismo é isso: gente que decide parar de pensar só em si e passa a construir, em conjunto, uma riqueza que permanece no território, fortalece famílias e deixa um legado para as próximas gerações.
*Autor: Luiz Francisco Araujo da Costa Vaz – Engenheiro Agrônomo e Colunista Minuto Rural