
A gente só descobre o valor de algumas coisas quando perde. Caminhar, por exemplo. No dia a dia, quase nunca pensamos no privilégio de levantar, sair, ir e vir. Basta uma fratura ou uma dor mais séria para a gente entender o quanto andar era importante. Com a respiração é a mesma coisa: inspirar e expirar parece automático, até que uma crise alérgica, uma bronquite ou um enfisema mostrem que cada fôlego tem um preço e um valor.
Muitas vezes não damos valor à agricultura familiar e à pequena propriedade. Reclamamos do preço, procuramos sempre o mais barato, trocamos o produto local por algo industrializado, sem pensar em quem está por trás daquele alimento. Mas quando a fome aparece no noticiário, quando a prateleira esvazia, quando o clima derruba a safra, a ficha cai: alguém precisou plantar, cuidar, investir e acreditar para que o nosso prato estivesse cheio.
O produtor rural é esse alguém.
É ele que produz o alimento do carnívoro e do vegano.
É ele que planta o algodão que vira roupa.
É ele que movimenta a economia da cidade pequena e abastece a cadeia do agronegócio.
E faz tudo isso com propósito, mesmo quando ninguém está vendo.
Independente do humor, do preço do insumo, da chuva que não vem ou do excesso de água que atrapalha, o produtor está lá: preparando o solo, semeando, cuidando do que ainda nem nasceu. Planta sem ter garantia, mas com fé de que a produção será melhor a cada dia.
Quando falamos em “agricultura com propósito”, não é um slogan bonito.
É reconhecer que:
No fundo, todos somos agro.
Somos agro quando escolhemos valorizar o produtor local.
Somos agro quando entendemos que a comida na mesa não começa no mercado, mas na lavoura.
Somos agro quando percebemos que, assim como caminhar e respirar, ter alimento saudável disponível todos os dias não é detalhe: é benção.
Que esta semana seja um convite à gratidão: pela saúde, pela caminhada, pela respiração… e por cada produtor rural que insiste em plantar, mesmo sem saber se vai colher, acreditando que vale a pena seguir em frente por todos nós.
Autor:
Luiz Francisco Araujo da Costa Vaz – Engenheiro Agrônomo – Colunista Minuto Rural