
O estado do Paraná consolida-se como uma das potências florestais do Brasil, combinando tradição, tecnologia e sustentabilidade. Com 1,1 milhão de hectares de florestas plantadas o que equivale a 4% do território estadual, o setor de silvicultura tem papel estratégico na economia paranaense, respondendo pelo maior Valor Bruto da Produção (VBP) do estado e por cerca de 40% das exportações locais (2024).
Segundo Álvaro Scheffer Junior, diretor florestal da Águia Florestal Indústria de Madeiras Ltda., o Paraná ocupa uma posição de destaque nacional. “O estado é o quarto em área plantada no país e o maior produtor de pinus do Brasil. A silvicultura é fundamental para o Paraná, representando o setor com o maior VBP estadual. Cerca de 40% do que exportamos vem do setor florestal e da indústria madeireira”, afirma Scheffer.
Apesar de a área de florestas plantadas estar estabilizada nos últimos quatro anos — entre 1 milhão e 1,2 milhão de hectares — o crescimento em produtividade é notável. A razão está na incorporação de tecnologias genéticas e de manejo, que permitem produzir mais madeira em menos área.

A Águia Florestal é um exemplo de empresa que aposta em pesquisa e inovação. Scheffer explica que o foco está no melhoramento genético de pinus e eucalipto, priorizando a qualidade da madeira e não apenas o volume.
“Investimos fortemente em melhoramento genético, com novos materiais e clones. Fazemos parte do FUNPINUS, o Fundo Nacional de Melhoramento do Pinus, que busca aprimorar não só o crescimento, mas também a qualidade da madeira — mais densa, estrutural e com galhos menores”, detalha o diretor.
A empresa mantém um viveiro de produção de mudas próprias, um pomar clonal para produção de sementes, assim garantindo autonomia e controle sobre o material genético utilizado. O objetivo é produzir uma madeira de alto valor agregado, voltada especialmente para a construção civil, com ciclos de cultivo que chegam a 28 anos.
Além dos ganhos produtivos, Scheffer destaca a relevância ambiental do setor. “O setor florestal é o maior sequestrador de carbono do mundo. As florestas plantadas retiram COâ‚‚ da atmosfera e o fixam em madeira. Quando colhemos e replantamos, iniciamos um novo ciclo de absorção de carbono — é um processo contínuo e positivo para o clima”, ressalta.

O avanço tecnológico também transformou a rotina do campo. A mecanização é uma realidade consolidada nas áreas planas, mas ainda enfrenta limitações nas regiões declivosas — comuns no território paranaense.
“O Paraná tem florestas em terrenos ondulados, onde a mecanização total é mais difícil. Na silvicultura, a mecanização evolui mais lentamente do que na colheita. Já nas áreas planas, temos plantadeiras modernas que operam 24 horas, fazendo plantio, irrigação e adubação mecanizada”, explica Scheffer.
Na etapa da colheita, porém, o cenário é outro.“A colheita florestal atingiu um nível tecnológico muito alto. Hoje é possível operar em praticamente 100% das áreas com máquinas, reduzindo o uso de motosserras e o risco à mão de obra”, acrescenta.

Um dos projetos mais inovadores da Águia Florestal é o desenvolvimento de painéis CLT (Cross Laminated Timber) — madeira engenheirada usada na construção de casas sustentáveis. O sistema, já consolidado em países europeus, ganha espaço no Brasil com características adaptadas à realidade nacional.
“O projeto CLT nasceu de uma necessidade de trazer tecnologia e sustentabilidade à construção civil. Uma casa construída com painéis de madeira solida CLT, é uma construção de carbono negativo, pois armazena mais COâ‚‚ do que emite na sua produção. Além disso, é mais rápida e eficiente de montar — uma casa de 60 m² pode ficar pronta em apenas sete dias”, destaca Scheffer.
As primeiras unidades foram construídas como protótipos para atender ao déficit habitacional rural, em parceria com o governo estadual. A empresa também projeta fornecer estruturas para conjuntos habitacionais e ações emergenciais, como as moradias destinadas às famílias atingidas pelas enchentes no Rio Grande do Sul.
“Estamos industrializando a construção civil. Em vez de erguer uma casa tijolo a tijolo, saímos da fábrica com paredes prontas, garantindo qualidade, conforto térmico e acústico. É uma mudança de paradigma”, avalia.

Apesar dos avanços tecnológicos, o setor enfrenta desafios. As taxações impostas pelos Estados Unidos sobre produtos florestais brasileiros provocaram cortes de empregos e retração nas exportações.
“Essas medidas já resultaram no desligamento de cerca de 4 a 5 mil trabalhadores diretos nos últimos dois meses. O impacto é muito maior quando consideramos os empregos indiretos — caminhoneiros, prestadores de serviço, restaurantes, borracharias. Toda uma cadeia é afetada”, lamenta Scheffer.
Os números são expressivos: o setor florestal emprega diretamente entre 38 e 40 mil pessoas no Paraná, e representa 15% dos empregos de silvicultura do país. Cidades como Bituruna, por exemplo, têm até 87% da população ligada ao setor florestal.
“Mais de 90% das exportações florestais paranaenses têm como destino os Estados Unidos. Então, qualquer barreira comercial afeta profundamente a economia local. Esperamos que as autoridades busquem uma solução rápida, porque o Paraná depende muito desse setor”, afirma o diretor.

A silvicultura ocupa pouco espaço territorial, mas tem grande peso econômico e ambiental. “O setor florestal representa 40% das exportações do estado e ocupa só 4% do território. É o maior VBP do Paraná. Além disso, contribui para reduzir emissões e fixar carbono, especialmente quando a madeira é usada na construção civil”, destaca Scheffer.
O diretor vê o futuro com otimismo e aposta no avanço tecnológico aliado à sustentabilidade: “Esperamos que o governo amplie os incentivos à silvicultura. O setor pode crescer em áreas degradadas e gerar benefícios econômicos, sociais e ambientais. O Paraná tem uma cadeia produtiva completa — da tora ao móvel — e isso nos torna únicos no país”, conclui.
A cadeia florestal paranaense abrange desde o manejo das toras de maior diâmetro, destinadas à construção civil, até o aproveitamento integral da árvore, com destinações para chapas, molduras, papel, celulose e biomassa energética. Essa integração garante eficiência, geração de valor e sustentabilidade ao setor.
“No Paraná, nada se perde. Da tora mais grossa ao resíduo de biomassa, tudo é aproveitado. Essa completude é um diferencial competitivo e ambiental. Temos uma das cadeias mais completas do mundo”, finaliza Scheffer.
Com tecnologia, sustentabilidade e visão de longo prazo, a silvicultura paranaense mostra que é possível produzir mais com responsabilidade ambiental e gerar desenvolvimento em todas as regiões do estado. Mesmo diante dos desafios externos, o setor segue como um dos pilares da economia e da inovação no campo.
Durante demonstração exclusiva, o diretor florestal Álvaro Scheffer Junior apresentou os diferentes tipos de painéis CLT produzidos pela empresa paranaense, destacando a tecnologia, a durabilidade e o potencial do uso da madeira na construção civil moderna.
O uso da madeira engenheirada na construção civil ganha cada vez mais espaço no Brasil, impulsionado por avanços tecnológicos e pela busca por soluções sustentáveis. No Paraná, a Águia Florestal Indústria de Madeiras Ltda. vem se destacando com a produção de painéis de CLT (Cross Laminated Timber) — uma inovação que alia resistência, sustentabilidade e rapidez na montagem de edificações.
Durante entrevista ao Minuto Rural, o diretor florestal Álvaro Scheffer Junior apresentou, em primeira mão, os diferentes tipos de painéis fabricados pela empresa, explicando as variações de tratamento e as aplicações práticas de cada modelo.
“Aqui temos um CLT para utilização em paredes internas, com tratamento em CCA apenas na camada do meio, e as duas camadas externas tratadas com cupinicida e retardante de chama. Esse tipo é indicado para ambientes internos, onde há contato direto das pessoas com a madeira”, detalhou Scheffer, segurando uma das peças sobre a mesa de demonstração.
O engenheiro destacou que o uso do CCA (COBRE, CROMO, ARSÊNIO) e de cupinicidas específicos é fundamental para garantir durabilidade e proteção sem comprometer o acabamento natural do material.

Logo em seguida, Scheffer mostrou outro modelo:
“Temos também um CLT de cinco camadas, utilizado na construção das paredes de banheiros e em lajes. Ele possui uma usinagem interna que permite a passagem de tubulações hidráulicas e elétricas, mantendo a integridade estrutural.”
Essa característica torna o painel extremamente versátil, permitindo que casas, edifícios e estruturas comerciais sejam montados de forma industrializada, com maior precisão e economia de tempo.

O terceiro tipo apresentado foi o painel para parede externa, que recebe um tratamento especial de resistência a intempéries.
“Esse painel é usado em fachadas e paredes externas. Tem tratamento em CCA em duas camada do meio e a externa, garantindo proteção contra cupins e outros fungos que podem danificar a madeira. A camada interna recebe pintura e um aditivo anti-chama. Assim, alcançamos uma durabilidade de cerca de 50 anos”, explicou.

O diretor reforça que a empresa está constantemente aprimorando os processos de fabricação e buscando novas certificações de desempenho ambiental e estrutural. “Essas são as diferenças dos painéis e dos produtos que a Águia vem desenvolvendo para inovar na construção civil”, concluiu Scheffer.
A utilização de madeira na contrução civil representa uma nova fase da silvicultura paranaense, unindo o manejo florestal responsável à indústria de transformação de madeira de alto valor agregado.
Cada painel CLT é formado por lâminas cruzadas de madeira maciça, coladas sob pressão, garantindo elevada estabilidade dimensional e resistência mecânica.
O processo utiliza madeiras provenientes de florestas plantadas e manejadas de forma sustentável, reforçando o compromisso do setor com a neutralização de carbono.
Além do aspecto ambiental, a madeira engenheirada vem conquistando espaço por suas vantagens construtivas.
“Uma casa feita com os painéis CLT pode ser montada em poucos dias, com conforto térmico e acústico superiores, além de reduzir o desperdício e as emissões de COâ‚‚ na obra”, explicou Scheffer em outro momento da entrevista.
O uso de painéis modulares permite a industrialização da construção civil, um conceito que vem sendo adotado em vários países e começa a ganhar corpo no Brasil. A Águia Florestal aposta na tecnologia como ferramenta para acelerar a produção de casas e reduzir o habitacional, especialmente em áreas rurais e projetos públicos de moradia sustentável.
Segundo o diretor, o CLT já deixou de ser um experimento e tornou-se um produto consolidado dentro da empresa. A meta agora é ampliar o fornecimento para obras públicas e privadas em diferentes regiões do país.
“Já temos várias obras encaminhadas e acreditamos que, em breve, veremos conjuntos habitacionais inteiros construídos com essa tecnologia”, afirmou.
O avanço do CLT acompanha uma tendência global de substituição parcial do concreto e do aço por materiais renováveis e de baixo impacto ambiental. Com a consolidação do setor florestal no Paraná — que lidera a produção nacional de pinus — o estado desponta como polo estratégico dessa nova cadeia produtiva.
Com inovação, responsabilidade ambiental e geração de emprego, a silvicultura transforma o Paraná em referência nacional. Mesmo diante dos desafios do mercado externo, o setor segue crescendo com raízes firmes em tecnologia e sustentabilidade.