
A piscicultura vem ganhando força em Castro, município do Paraná, e foi justamente para atender à demanda crescente por conhecimento técnico que o Sindicato Rural de Castro, em parceria com o Sistema Faep/Senar e a Secretaria Municipal de Agricultura, promoveu, nos dias 17 e 18 de setembro, um curso básico de piscicultura.
O treinamento, realizado para atender a Associação de Piscicultores de Castro, reuniu agricultores interessados em aprimorar ou iniciar a atividade de criação de tilápias, peixe que já se consolidou como uma alternativa de renda para famílias rurais.
O conteúdo do curso abordou temas fundamentais, como gestão da água e do solo, escolha de espécies, construção de viveiros, manejo, alimentação, despesca, processamento e comercialização. A proposta é preparar os produtores para tomar decisões assertivas, garantindo maior produtividade e qualidade no produto final que já tem destino certo: a merenda escolar das escolas municipais.
Para a tesoureira da Associação de Piscicultores de Castro, Gleice Sugahara, a piscicultura representa mais do que diversificação produtiva: é uma atividade que tem mudado a vida de famílias rurais.
“Hoje a tilápia representa uma segunda fonte de renda e, em muitos casos, já se tornou a primeira. O ciclo do peixe começa e termina em Castro, fortalecendo a economia local e garantindo que o dinheiro circule dentro do município”, explicou.
Segundo Gleice, atualmente, 18 famílias integram a associação, que é responsável por organizar a produção e entregar filés de tilápia à Secretaria Municipal de Educação, abastecendo a merenda escolar. Ela destaca que cursos como o oferecido pelo Senar são fundamentais para reduzir erros e desistências.
“Essa parceria é essencial. O curso dá a base para que os produtores ingressem na piscicultura já com o conhecimento necessário para manejar corretamente a tilápia. Isso garante mais segurança na produção e fortalece a atividade na região.”
Além disso, Gleice lembra que o Paraná ocupa o primeiro lugar no ranking nacional de produção de tilápia, e que iniciativas como essa expandem o polo da piscicultura também no Sul do estado, área que ainda engatinha na atividade por conta das condições climáticas.
“Estamos precisando de mais produtores. Hoje há falta de peixe no mercado e precisamos ampliar a produção. Quem tiver interesse pode procurar a Secretaria de Agricultura de Castro para avaliar a viabilidade da propriedade e integrar a associação. Precisamos urgentemente de mais peixes para abastecer o município, e a entrada de novos produtores é fundamental para fortalecer e expandir o nosso setor.”, convidou.
Quem também reforça a importância da integração é o veterinário da Secretaria de Agricultura de Castro, Carlos Menarin, que acompanha de perto o desenvolvimento da atividade em Castro. Ele explica que a piscicultura local não é apenas um projeto isolado, mas parte de um programa estruturado pela prefeitura, aprovado pela Câmara de Vereadores para garantir continuidade.
“O município fornece alevinos, ração e apoio na construção de tanques escavados. O produtor faz todo o ciclo de engorda e, depois, entrega os peixes para abatedouros credenciados e fiscalizados. Essa rastreabilidade garante a qualidade do produto que chega à merenda escolar”, detalhou.
Carlos ainda ressaltou que os cursos são realizados em média a cada quatro meses, sempre em parceria com o Sindicato Rural e o Senar, e que o sistema dá suporte contínuo para aumentar a produção e a adesão de novos piscicultores.

Entre os participantes do curso, estava o jovem agricultor Thiago Kluczcoswski de Souza, morador do bairro Campina Alta, que está iniciando sua atividade na piscicultura. Ele viu no treinamento uma oportunidade de aprender desde o início da maneira correta.
“A gente ainda não construiu os tanques na propriedade, mas já temos água de nascente. O curso está nos ajudando a entender como fazer tudo da forma certa: desde a escolha dos alevinos, o manejo da água, a alimentação, até a hora da filetagem. Assim, conseguimos começar com segurança e garantir qualidade na produção”, contou Thiago.
Para ele, a tilápia representa uma forma de fortalecer a agricultura familiar, além de abrir novas possibilidades de renda para sua família.
Instrutor do curso e zootecnista do Senar, Sérgio Ricardo Lopes destacou que o grande diferencial da capacitação está em preparar os produtores para produzir peixe, e não apenas “criar”.
“Criar peixe todo mundo sabe. Produzir é outra história. É preciso aprender sobre qualidade de água, manejo de arraçoamento, escalonamento da produção e até como lidar com o frio do inverno. O curso mostra tudo isso, do alevino até a entrega final”, afirmou.
Sérgio também apontou que o custo da ração é um dos grandes gargalos da cadeia produtiva podendo chegar a 70% do custo total da produção. Por isso, a capacitação busca mostrar alternativas de manejo que reduzam perdas e maximizem os resultados.

“O pequeno produtor sofre com o custo e também com a dificuldade de acesso à assistência técnica. Mas quando ele tem apoio do sindicato, da associação e da prefeitura, consegue trabalhar de forma organizada e garantir a comercialização, como no caso da merenda escolar. Isso dá sustentabilidade para a piscicultura crescer no município.”, avalia.
A piscicultura em Castro mostra que o trabalho coletivo, aliado à capacitação técnica, é capaz de gerar desenvolvimento econômico e social. Mais do que ensinar a criar tilápia, o curso promovido pelo Sindicato Rural, Senar e Secretaria de Agricultura oferece segurança para que novos produtores ingressem na atividade com conhecimento sólido e visão de futuro. Com a associação fortalecida e a merenda escolar garantida, a expectativa é de que cada vez mais famílias encontrem na água um caminho de prosperidade e renda sustentável.