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Construção sustentável com madeira impulsiona economia florestal do Paraná e transforma resíduos em habitação digna

Durante a primeira Press Trip da APRE Florestas, jornalistas conheceram a cadeia produtiva da madeira no Paraná, do viveiro à construção civil. Inovações como o CLT, desenvolvido a partir de resíduos florestais, mostram como o setor alia tecnologia, sustentabilidade e impacto social.

Por: Redação Fonte: Toninho Anhaia
17/07/2025 às 09h52
Construção sustentável com madeira impulsiona economia florestal do Paraná e transforma resíduos em habitação digna
Protótipo de casa em CLT da Águia Florestal, montada com painéis estruturais de madeira reciclada e engenharia sustentável. Fotos Toninho Anhaia

No dia 3 de julho, jornalistas especializados participaram da primeira Press Trip promovida pela Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE Florestas), em parceria com a empresa Águia Florestal. Realizada em Ponta Grossa, no Paraná, a visita técnica revelou o papel estratégico da silvicultura brasileira e especialmente a paranaense na geração de emprego, desenvolvimento sustentável e inovação na construção civil.

A comitiva percorreu toda a cadeia produtiva da madeira até a produção de painéis de madeira engenheirada, como o CLT (Cross Laminated Timber), voltado à construção de moradias sustentáveis. O evento reforçou o protagonismo do setor florestal na economia, no meio ambiente e na transformação social.

Segundo o Relatório Anual da Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ), o Brasil encerrou 2023 com 10,2 milhões de hectares de florestas plantadas, com destaque para o Paraná, que concentra 3 a 4% de seu território nesse tipo de cultivo e responde por cerca de 15% dos empregos do setor em todo o país.

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Silvicultura como motor de desenvolvimento

Para Ailson Loper, diretor executivo da APRE Florestas, o momento é de maturidade e transformação para o setor florestal. “Estamos vivendo um dos melhores momentos da história da silvicultura brasileira, contribuindo para uma sociedade melhor. Atingimos um nível de maturação que oferece soluções para substituir produtos de origem fóssil por produtos sustentáveis”, afirmou Loper.

No Paraná, a cultura do pinus predomina, abastecendo não apenas grandes indústrias, mas também pequenas e médias empresas. A cadeia florestal abrange desde a produção de celulose e papel até móveis e painéis, colocando o estado entre os líderes na exportação de produtos de madeira processada.

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“Temos uma cadeia diversificada. A produção florestal movimenta a economia, promove a distribuição de renda e fortalece a indústria. Um exemplo disso é o município de General Carneiro, que possui o maior valor bruto da silvicultura cultural no país”, completou Loper.

Além dos aspectos econômicos, o setor está cada vez mais voltado à sustentabilidade e à inovação tecnológica. A construção com madeira engenheirada, como o CLT, é uma das principais apostas para o futuro. “A construção com madeira proporciona conforto térmico e acústico, é eficiente, tem prazos previsíveis e reduz emissões. É uma tendência mundial que o Brasil tem capacidade de liderar”, defendeu o diretor executivo.

Verticalização e eficiência no campo

Durante a visita à unidade da Águia Florestal, os jornalistas acompanharam todas as etapas do processo de produção, desde a colheita até o produto final. A empresa, 100% verticalizada, se destaca pela eficiência na gestão florestal e pela aplicação de tecnologia em todas as etapas do ciclo produtivo.

Álvaro Luiz Scheffer Júnior, diretor da Águia Florestal, detalhou o funcionamento da empresa. “A Águia é verticalizada do viveiro ao porto. Produzimos mudas, manejamos as florestas com podas e desbastes seletivos, colhemos madeira de alta qualidade e transformamos em produtos nobres, como o CLT. Nosso ciclo florestal é de 28 anos”, explicou.

O objetivo da empresa é obter uma floresta de alto valor agregado, com árvores retas e madeira clara, ideal para aplicações estruturais. Esse controle rígido do processo garante qualidade e eficiência. “Buscamos uma floresta com madeira ‘clear’, ou seja, adequada para a construção civil”, resumiu Scheffer.

Outro diferencial está na utilização de tecnologia embarcada nas máquinas de colheita. Operando com inteligência artificial e transmissão de dados em tempo real, essas máquinas realizam cortes precisos conforme as demandas da indústria, reduzindo perdas e otimizando a produção. “As máquinas recebem os parâmetros exatos: diâmetro, comprimento. O operador só posiciona a tora. Isso garante produtividade com precisão”, pontuou.

CLT: de resíduo a casa sustentável

A inovação mais emblemática apresentada durante a Press Trip foi o painel estrutural de CLT, desenvolvido a partir de resíduos industriais que seriam descartados como combustível. Inspirado em modelos europeus, o projeto brasileiro propõe uma transformação ambiental e social.

Álvaro Luiz Scheffer, CEO da Águia Florestal, liderou a apresentação da novidade. “Esses retalhos, que antes viravam fumaça em caldeiras, hoje se transformam em casas duráveis e sustentáveis. Estamos falando de economia circular com impacto social real.”

O CLT da Águia é fabricado com madeira tratada, seca e aplainada, rejeitada pela exportação por motivos estéticos. Com tecnologia nacional, o painel é estruturado com resistência para durar mais de 50 anos.

Uma das casas demonstradas tem 60 m², dois quartos e foi montada em apenas sete dias úteis. O custo estimado do kit montado é de R$ 160 mil, com foco em famílias de baixa renda e áreas rurais com dificuldade de acesso à construção tradicional. “A montagem é rápida, sem entulho, e permite ampliações futuras com desmontagem e remontagem de painéis. É uma solução eficiente, limpa e escalável”, destacou Scheffer.

A empresa já projeta versões off-grid com painéis solares e baterias para garantir autonomia energética total, especialmente para comunidades isoladas. “Queremos levar habitação digna para onde o concreto não chega. Com o CLT, isso é possível”, afirmou o diretor.

Tecnologia aberta e impacto coletivo

Com visão de rede e colaboração, a Águia Florestal aposta na abertura da tecnologia como forma de ampliação do impacto. “Queremos que outras empresas repliquem, melhorem, compartilhem. A floresta sempre trabalhou em rede. A casa de CLT também deve seguir esse princípio”, afirmou Álvaro Luiz Scheffer Júnior.

A expectativa é que o modelo seja adotado por programas habitacionais públicos assim que obtiver o Documento de Avaliação Técnica (DATEC), permitindo financiamento por instituições como a Caixa Econômica Federal.

O painel CLT também pode ser usado em escolas, alojamentos, galpões e estruturas temporárias. “Até com o pior material fizemos um protótipo excelente. A madeira transmite conforto emocional e bem-estar. Arquitetos adoram a versatilidade do CLT”, destacou o CEO da empresa.

O futuro da madeira como protagonista

Para Ailson Loper, a madeira é parte essencial de uma agenda climática e urbana mais sustentável. “Substituir produtos de origem fóssil é urgente. A construção com madeira já é realidade em países como Canadá e França. O Brasil tem madeira, tecnologia e conhecimento para liderar essa revolução”, disse.

Ao final da visita, os participantes puderam observar uma operação completa de colheita, processamento e montagem dos painéis. A experiência reforçou a percepção de que o setor florestal está pronto para protagonizar a transição ecológica no país.

O Paraná, com sua base florestal consolidada, sua tradição na cultura do pinus e sua abertura à inovação, deve continuar liderando essa transformação que conecta economia, sustentabilidade e moradia acessível.

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