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Quais os impactos que o novo comando nos EUA pode gerar ao agronegócio brasileiro?

Tais medidas acenderam sinais de alerta em todo o mundo e no Brasil

Por: Redação Fonte: Por: Enilson Nogueira*
10/02/2025 às 08h24
Quais os impactos que o novo comando nos EUA pode gerar ao agronegócio brasileiro?
Quais os impactos que o novo comando nos EUA pode gerar ao agronegócio brasileiro?

No último dia 20 de janeiro, o republicano Donald Trump retornou à Casa Branca como presidente dos Estados Unidos. Logo em seu primeiro discurso de posse, o novo comandante já anunciou uma série de medidas e prometeu grandes mudanças no governo com relação a assuntos internos e externos. Tais medidas acenderam sinais de alerta em todo o mundo e no Brasil não foi diferente, afinal existem, diversos acordos comerciais entre brasileiros e os norte-americanos e um possível desentendimento poderia afetar a balança comercial principalmente a venda das commodities agrícolas àquele país.

Diante deste contexto, precisamos analisar cada cenário separadamente. Ao meu ver o primeiro ponto mais relevante a se pensar é o desdobramento de uma possível guerra comercial entre os norte-americanos e os chineses e quais seriam os seus impactos para agricultura brasileira. Voltando um pouco ao passado, em 2018, quando Trump exerceu seu primeiro mandato, houve uma série de tarifações no mercado de soja. Naquele momento o custo da oleaginosa norte-americana ficou mais cara para o importador chinês ao ponto deles recorrerem à soja brasileira e argentina.

Naquela época, os preços aqui no Brasil ficaram quase três dólares por bushel acima do que estava nos Estados Unidos. Para ter uma ideia, no câmbio atual, transformando em Reais por saca (moeda do produtor brasileiro), isso daria quase R$ 30 a mais que nos EUA, e isso impacta muito em nível de competitividade. Importante lembrar que em 2018 esse fato aconteceu apenas no mercado de soja e a tendência é que deva continuar. Contudo, a novidade nesse processo é o milho brasileiro que ganhou protagonismo nos últimos anos. A partir de 2021 os chineses habilitaram uma série de armazéns brasileiros e portos para poder ampliar a exportação do grão, e hoje, o Brasil se tornou também um produtor e fornecedor relevante de milho também.

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Olhar para o presente e futuro

Se por um lado a força e a valorização da moeda norte-americana tende a depreciar as outras moedas do mundo, por outro, deixa a exportação do Brasil mais competitiva. A nossa projeção atual é de dólar na casa dos R$ 6 oscilando um pouco abaixo ou acima, mas deve ficar em torno disso.

O segundo fator a se atentar ao governo Trump é que as políticas dos EUA podem ser um pouco mais inflacionárias em relação ao que acontecia nos últimos anos. Na prática, isso significa mais juros lá fora e um real enfraquecido aqui. O terceiro ponto também tem a ver com essa discussão inflacionária, pois se os juros lá fora não caem é difícil ver um cenário de alívio monetário no Brasil também.

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Apresentado tudo isso, a leitura que temos a curto prazo é que os juros para a cadeia agrícola fiquem mais altos. Com a Selic em elevação, próxima dos 14%, o custo financeiro do produtor rural aumenta. Tem ainda toda aquela discussão setorial de risco. Temos visto as taxas de juros para a classe produtora entre 15% e 20% , algo que é muito oneroso e negativo para o Brasil e para toda a cadeia agrícola para 2025 e 2026.

Desafios e oportunidades

Com a valorização da moeda americana, o produtor brasileiro tende a exportar mais, por outro lado, este cenário de alta não favorece a compra de insumos no mercado internacional. Portanto, fertilizantes e defensivos devem ter retomada de preço em decorrência principalmente pelo câmbio que subiu nos últimos três meses e esse impacto já deve ser sentido agora na precificação em 2025.

Diante dos riscos, o maior desafio é o custo financeiro. Os produtores que já tem dívidas de safras passadas precisam ficar atentos, pois se houver algum estresse climático eles podem cair numa armadilha de liquidez financeira. Em termos de oportunidade, o dólar a R$ 6 sustenta preço de produtos exportados.

Concluímos que em 2025, olhando pelo copo meio cheio, temos sinalização de preços melhor que 2024. A nossa geopolítica alimentar é bem estabelecida e somos fornecedores de produtos para o mundo não exclusivos dos Estados Unidos. Isso está bem estabelecido e nos dá segurança diante dos desdobramentos políticos. Certamente o produtor terá grandes desafios, porém com organização, poderão aproveitar também as oportunidades que irão surgir!

*Engenheiro agrônomo e analista de mercado da Céleres Consultoria.

Enilson Nogueira, Engenheiro agrônomo e analista de mercado da Céleres Consultoria
Divulgação Céleres

 

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