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Agroindústria de SC sofre com infraestrutura ruim

Ao fazer uma avaliação do ano recém-encerrado e formular previsões para 2024 no âmbito do agronegócio – e em especial na esfera das agroindústrias da proteína animal – o dirigente manifestou preocupação com a deteriorização da infraestrutura

Por: Redação
17/01/2024 às 09h27
Agroindústria de SC sofre com infraestrutura ruim
José Antonio Ribas Junior, presidente da Sindicarne – (FOTO:UQ DESIGN)

O agravamento das deficiências infraestruturais e logísticas de Santa Catarina está determinando a fuga de investimentos das agroindústrias. Esse fato deveria acender o sinal de alerta para o Governo na avaliação do presidente do Sindicato das Indústrias da Carne e Derivados no Estado de Santa Catarina (Sindicarne), José Antonio Ribas Júnior.

Ao fazer uma avaliação do ano recém-encerrado e formular previsões para 2024 no âmbito do agronegócio – e em especial na esfera das agroindústrias da proteína animal – o dirigente manifestou preocupação com a deteriorização da infraestrutura: “Chegamos a um ponto em que agora, de fato, os investimentos não ficarão mais em Santa Catarina. Não é mais uma questão de tendência, de fazer as contas certinhas e perceber que não faz sentido investir aqui em razão do  custo futuro logístico e a perda de competitividade perante outros estados, como Mato Grosso do Sul, Paraná, Mato Grosso, que estão fazendo investimentos em logística muito maiores e que permitirão ter uma condição muito mais favorável.”

A preocupação do Sindicarne e do empresariado é que as deficiências logísticas estão afetando a competitividade do agronegócio catarinense, especialmente no que se refere às condições das rodovias, portos, aeroportos e ferrovias. “A gente enxerga um futuro que, no máximo, levará Santa Catarina a manter o tamanho que tem e não mais observar crescimentos de produção, porque não consegue ter mais competitividade que seja atrativa para novos investimentos.”

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Ribas adverte que as deficiências infraestruturais precisam ser atacadas com um grande plano de investimentos para evitar a fuga das agroindústrias. “A logística afeta diretamente o preço pago pelo consumidor final. É importante que as pessoas saibam disto. Rodovias ruins, tráfego de longo percurso com veículos de carga, carência de infraestrutura aeroportuária e praticamente inexistência do modal ferroviário no Brasil aumentam o custo dos produtos e a produtividade das empresas.”

GIGANTE

Para Ribas Júnior “só quem não conhece a dimensão do agronegócio em geral e da agroindústria catarinense, em particular, pode ignorar a gravidade da situação”. O agronegócio catarinense representa 31% do PIB estadual e contribui com 70% das exportações. Santa Catarina é o maior produtor brasileiro de suínos e detém a vice-liderança na produção de aves. Ancorado no grande oeste catarinense, o parque agroindustrial sustenta 60.000 empregos diretos e 480.000 indiretos.. Em 2022 os investimentos diretos totalizaram R$ 5 bilhões e a geração de movimento econômico chegou a R$ 7 bilhões – dinheiro que irriga a economia de centenas de municípios catarinenses.

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Depois de realçar que Santa Catarina é um estado rico com a excelência na produção de proteína de aves e suínos, liderança em exportações, as melhores certificações, os melhores mercados atendidos, lamentou que o estado sofra com absoluto descaso no investimento em estrutura logística. “Nossas rodovias estão em péssimas condições de conservação, de trafegabilidade, e continuamos andando de lado, na melhor das hipóteses, em relação a termos uma ferrovia, e com os nossos portos aí enfrentando dificuldades”. O Porto de Itajaí não está operando e as condições climáticas determinam, com certa frequência, o fechamento temporário dos outros portos.

Ribas defende um plano de Estado no horizonte de 50 anos “para virar o jogo do desenvolvimento nacional e melhorarmos a competitividade no mercado externo e, assim,  menores preços no mercado interno”. Lembra que o agronegócio catarinense está reivindicando há mais de 30 anos a construção de Ferrovias. Uma, ligando o oeste de SC ao centro-oeste brasileiro para a busca de milho; outra, ligando o oeste de SC com o litoral catarinense para acesso aos portos.

O modal ferroviário, comprovadamente, possui menores custos ao rodoviário, quando o trajeto for superior aos 350 quilômetros de distância. Para produção de proteínas, Santa Catarina traz insumos (5 milhões de toneladas/ano de milho e soja) do Mato Grosso ou Mato Grosso do Sul por modal rodoviário, em uma operação ida-volta de mais de 2.000 quilômetros. Mesmo desafio reside no escoamento da produção do Oeste catarinense para os portos do Estado. “Isso é contraproducente porque os custos se tornam elevados, por isso as duas ferrovias reivindicadas resolveriam esse gargalo.”

Para apoiar e agilizar a campanha, oito entidades empresariais criaram o Movimento Pró-Ferrovias – Sindicarne/Acav, Faesc, Fiesc, Ocesc, Acic, ABPA, Centro Empresarial e Facisc – abraçado pelo Governo do Estado.  A ferrovia é uma solução, porque o modal rodoviário de longa distância está se tornando inviável. Além disso, nos últimos 10 anos a média de emissão de novas carteiras de motoristas profissionais de carga caiu em 22% e a idade média desses profissionais subiu para 53 anos. O presidente do Sindicarne teme que “se não agirmos rapidamente, o Brasil terá um colapso logístico por falta de mão de obra e/ou elevação de custos”.

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