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O futuro em perigo

Presidente da AURORA COOP e vice-presidente para assuntos do agronegócio da Federação das Indústrias de SC (FIESC)

Por: Redação Fonte: Neivor Canton*
19/10/2023 às 09h17 Atualizada em 19/10/2023 às 09h22
O futuro em perigo
Neivor Canton, presidente da Aurora Coop e vice-presidente para assuntos do agronegócio da Federação das Indústrias de SC (FIESC).

Há uma questão vital e de alta relevância para o futuro de Santa Catarina, mas que, infelizmente, ainda não entrou na pauta de prioridades do governo nem está no cotidiano da sociedade. Um misto de incompreensão e ignorância – não por má fé, mas por desconhecimento de causa – faz com que essa matéria seja tratada sem a necessária atenção por gestores públicos e planejadores, empresários e investidores. É a necessidade de modal ferroviário para sustentar o desenvolvimento econômico como um todo e, em especial, para manter o vasto complexo agroindustrial catarinense. Trata-se de uma necessidade que extrapola as fronteiras estaduais e tornou-se essencial para o futuro do Sul do Brasil.

O drama da indústria de processamento de carnes instalada, em sua maior parte, no grande oeste barriga-verde é a necessidade de buscar todos os anos no exterior ou no centro-oeste do País as 6 milhões de toneladas de grãos que faltam para alimentar os imensos planteis de aves e suínos alojados em milhares de propriedades rurais. Hodiernamente, a maior parte dessa matéria-prima vem de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul pelo transporte rodoviário. Essa operação exige mais de 100.000 viagens ao ano, com grandes custos econômicos, humanos e ambientais.

A solução é a construção de ferrovia ligando o oeste catarinense ao centro-oeste brasileiro, aproveitando um trecho já existente da empresa paranaense Ferroeste. A prioridade é a construção do trecho Chapecó-Cascavel, unindo os municípios-polos do oeste de Santa Catarina e do oeste do Paraná.

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Um grupo de oito entidades empresariais – Sindicarne/Acav, ACIC, CEC, Faesc, Fiesc, Facisc, Ocesc e ABPA – patrocinou um estudo de viabilidade econômica, técnica e ambiental que comprovou a necessidade e a racionalidade do empreendimento. Simultaneamente, a Ferroeste trata de viabilizar o segmento Cascavel-Maracaju (MS), estabelecendo o tão almejado corredor do milho. Conscientes da importância da expansão dessa ferrovia, lideranças sul-rio-grandenses buscam recursos para o projeto Chapecó-Passo Fundo (RS), que, no futuro, deve atingir o porto de Rio Grande.

Paralelamente à campanha pela linha férrea norte-sul, o setor produtivo defende a necessidade de uma ferrovia em território catarinense, ligando o oeste ao litoral, para o escoamento da produção industrial aos portos marítimos. A boa notícia é que o Governo de Santa Catarina contratou a elaboração do projeto do trecho Correia Pinto-Chapecó.

Fica, assim, evidente a importância dos dois projetos que, na realidade, são complementares e jamais concorrentes. É reconfortante constatar que depois de 40 anos de retórica vazia e proselitismo, há um movimento sério e consistente. Um Grupo de Trabalho (GT) formado pelas entidades empresariais, sob coordenação da Associação Comercial e Industrial de Chapecó, está, desde o ano passado, atuando em três frentes para que os projetos ferroviários saiam do papel.

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Junto ao setor público federal, esse GT gestiona celeridade na publicação dos atos licitatórios, leilões ou contratos de PPP (parcerias público-privadas) para que a obra seja realmente iniciada. Junto ao empresariado, o GT incentiva a formação de consórcios de empresas nacionais e transnacionais para que participem das modalidades de licitação. Essa ação é estratégica porque é notório que o Estado brasileiro não tem condições de executar obras de superestrutura, sendo, portanto, necessário atrair capital internacional.

A terceira vertente de atuação do Grupo de Trabalho é convencer setores da Administração Pública sobre seu caráter essencial e imprescindível e, ao mesmo tempo, criar uma robusta e sólida convicção junto ao empresariado e à sociedade em geral sobre o papel das ferrovias para a construção do futuro da região.

Alguns tecnocratas tentaram solapar o movimento, alegando que uma ferrovia ligando Santa Catarina ao Paraná esvaziaria os portos catarinenses, gerando prejuízos à economia e ao erário público. A verdade é que, sem ferrovias, em menos de 10 anos as agroindústrias – para manter a competitividade e permanecerem no mercado – acabarão se transferindo integralmente ao centro-oeste brasileiro. Aí sim, esvaziariam os portos catarinenses!

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