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Pecuária LEITE/CEPEA

Segundo Cepea o preço do leite ao produtor atinge recorde real em agosto/20

A competição pela compra da matéria-prima e a baixa disponibilidade de leite resultaram em aumento das cotações no campo.

31/08/2020 15h44 Atualizada há 4 meses
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Por: Redação Fonte: Por Natália Grigol/Cepea
Desde o início de 2020, o preço do leite no campo apresenta alta acumulada real de 42,9% na “Média Brasil”.
Desde o início de 2020, o preço do leite no campo apresenta alta acumulada real de 42,9% na “Média Brasil”.

O preço do leite captado em julho e pago ao produtor em agosto registrou alta de 10,5% frente ao mês anterior, atingindo R$1,9426/litro na “Média Brasil” líquida, novo recorde real da série histórica do Cepea. Antes disso, o maior valor registrado era de R$ 1,7815/litro, em agosto/16, em termos reais (dados deflacionados pelo IPCA de julho/20). 

 

Desde o início de 2020, o preço do leite no campo apresenta alta acumulada real de 42,9% na “Média Brasil”. Esse avanço foi acentuado entre os meses de junho e agosto, quando os valores subiram 40,1% - nesse período, a valorização do leite ao produtor esteve atrelada à maior competição entre as indústrias de laticínios para garantir a compra de matéria-prima. A concorrência acirrada, por sua vez, está relacionada à necessidade de se refazer estoques de derivados lácteos, em um momento de oferta limitada no campo e de recuperação da demanda.

 

É importante ressaltar que existe uma tendência típica de aumento das cotações ao produtor entre março e agosto, devido à sazonalidade da produção. Nesse período, a captação de leite é prejudicada pela baixa disponibilidade de pastagens, em decorrência da diminuição das chuvas no Sudeste e no Centro-Oeste. No entanto, neste ano, a situação foi agravada por três fatores: pelas condições climáticas mais severas, que impactaram a retomada da produção leiteira (com destaque para a estiagem no Sul do País), pelo aumento nos custos de produção em relação ao ano anterior e pelos efeitos encadeados associados à pandemia de covid-19.

 

Normalmente, as indústrias empenham esforços em compor estoques antes de abril, prevendo que a captação caia nos meses posteriores. Contudo, em abril deste ano, as perspectivas negativas sobre o consumo no médio e longo prazos diante da pandemia aumentaram o nível de incertezas e fizeram com que indústrias diminuíssem seus investimentos em estoques.

 

No entanto, o consumo de lácteos se recuperou em maio e até se aqueceu nos meses posteriores, ancorado nos programas de auxílio emergencial, contexto que reduziu ainda mais os estoques. Diante disso, os preços dos derivados lácteos seguiram avançando em julho e também na primeira quinzena de agosto. O maior destaque é o queijo muçarela, derivado que registrou preço médio mensal recorde em julho – e que deve ser superado também em agosto (ver seção Derivados).

 

A competição pela compra da matéria-prima e a baixa disponibilidade de leite resultaram em aumento das cotações no campo. O valor do leite spot (negociado entre indústrias) em Minas Gerais saltou de R$ 2,24/litro na primeira quinzena de julho para R$ 2,75 na segunda quinzena de agosto, expressiva elevação de 22,6%. A média mensal de agosto, de R$ 2,66/litro, superou em 12,2% a de julho e em significativos 68,1% a de agosto de 2019, em termos reais – esse é também o maior valor da série histórica do Cepea, iniciada em julho em 2004.

 

Seria correto compreender que, com preços mais altos, a ampliação do fornecimento de concentrado e silagem seria estimulada, até que o volume de leite ofertado se equilibre à demanda – o que, por sua vez, poderia segurar o avanço nos valores do leite. De fato, essa resposta da produção tem ocorrido – conforme apontam os dados do ICAP-L, houve alta de 5,9% na captação de junho para julho. Entretanto, ao aumento da oferta tem ocorrido de forma mais lenta neste momento, devido aos efeitos desencadeados pelas incertezas no início da pandemia. A atípica queda de preços ao produtor em maio, a própria defasagem temporal no repasse das condições de mercado ao produtor (característica da cadeia do leite) e o aumento dos custos de produção em 2020 deixaram pecuaristas mais cautelosos – muitos secaram as vacas ou diminuíram os investimentos. Essas ações dificultaram a retomada do crescimento da produção, já que a atividade leiteira é diária e seu planejamento tem efeitos tanto imediatos quanto nos meses posteriores.

Gráfico 1. Série de preços médios recebidos pelo produtor (líquido), em valores reais (deflacionados pelo IPCA de julho/2020)

Fonte: Cepea-Esalq/USP.

 

Estado Mesorregião Preço líquido médio do menor estrato de produção
(< 200 l/dia)
Preço líquido médio Preço líquido médio do maior estrato de produção
(> 2000 l/dia)
Variação mensal do preço líquido médio
RS Média Rio Grande do Sul 1,6708 1,8545 2,0347 8,25%
SC Média Santa Catarina 1,7899 1,9118 2,0497 9,77%
PR Centro Oriental Paranaense 1,5715 1,8413 1,8732 12,20%
PR Oeste Paranaense 1,7498 1,9538 2,1032 11,39%
PR Média Paraná 1,6966 1,9024 2,0159 11,06%
SP São José do Rio Preto 1,7214 1,9064 2,0972 11,38%
SP Campinas 1,7101 1,8813 1,9225 10,51%
SP Média São Paulo 1,7152 1,8449 1,9652 9,69%
MG Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba 1,8262 2,0282 2,1171 8,82%
MG Sul/Sudoeste de Minas 1,7911 1,9310 1,9914 13,58%
MG Vale do Rio Doce 1,6760 1,7935 1,9080 10,47%
MG Metropolitana de Belo Horizonte 1,6538 1,9007 2,0503 9,62%
MG Zona da Mata 1,7096 1,8426 2,0221 10,23%
MG Média Minas Gerais 1,7544 1,9492 2,0529 10,09%
GO Sul Goiano 1,8410 2,0321 2,1163 13,57%
GO Média Goiás 1,9111 2,0565 2,1128 13,38%
BA Média Bahia * 1,8530 * 13,10%
BR Média BRASIL 1,7637 1,9426 2,0446 10,54%

 

Tabela 1. Preços líquidos nominais pagos aos produtores em agosto/2020 referentes ao leite captado em julho/20 nos estados que compõem a “Média Brasil”. Preços líquidos não contêm frete e impostos. Fonte: Cepea-Esalq/USP.

 

Estados que não compõem a "Média Brasil"
Estado Mesorregião Preço líquido médio do menor estrato de produção
(< 200 l/dia)
Preço líquido médio Preço líquido médio do maior estrato de produção
(> 2000 l/dia)
Variação mensal do preço líquido médio
RJ Média Rio de Janeiro 1,6587 1,7943 1,8771 11,63%
ES Média Espírito Santo 1,6391 1,7445 1,8753 10,07%
MS Média Mato Grosso do Sul 1,7056 1,7342 - 13,93%
CE Média Ceará 1,3980 1,5203 1,5941 7,41%
PE Média Pernambuco * * * -

 

Tabela 2. Preços líquidos nominais pagos aos produtores em agosto/2020 referentes ao leite captado em julho/20 nos estados que não estão incluídos na “Média Brasil” Fonte: Cepea-Esalq/USP.

Nota 1: O sinal * indica que há informações, mas que o dado não pode ser divulgado por questão de amostra limitada. O sinal - indica que não houve informação coletada. Para o cálculo da média estadual são consideradas todas as informações obtidas.

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