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Agronegócio: cultivo de feijão reduz 38% nos últimos 46 anos, mas chuvas no sertão animam os agricultores baianos

Com os altos riscos de perda de produção por causa das variações climáticas, a produção de feijão no Brasil caiu cerca de 38%, desde 1976. E pode reduzir ainda mais nos próximos anos. No sertão da Bahia, contudo, lavradores estão esperançosos de boa safra em 2023, beneficiados por chuvas e alta produtividade das terras

Por: Redação Fonte: Brasil 61
02/01/2023 às 19h14
Agronegócio: cultivo de feijão reduz 38% nos últimos 46 anos, mas chuvas no sertão animam os agricultores baianos
Plantação de feijão, em Ibititá, no sertão baiano

O cultivo de feijão teve, nos últimos 46 anos, 38% de redução da sua área de cultivo, no Brasil Segundo dados da Instituto Brasileiro de Feijão e Pulses (IBRAFE), a área destinada ao cultivo de feijão no brasil caiu de 4,5 milhões de hectares no ciclo 76/77 para 2,8 milhões de hectares na safra 22/23. De acordo com o setor, a área deve diminuir ainda mais nos próximos ciclos.  Um dos motivos é que aquela entidade  tem cobrado mais rigor da qualidade dos grãos e  incentivado a melhoria da produtividade. .

Edimar Dourado Bastos, 63 anos,  é agricultor em  Ibititá, uma pequena cidade no sertão baiano. Ele, que  também é  técnico agrícola, explica que há dois anos a produtividade de feijão por lá tem sido "excelente", mas  enfatiza que a área de plantação é muito pequena para cobrir os gastos elevados que a produção gera. 

“Tem dois anos seguidos que as chuvas estão ótimas. Isso não é tão normal para a gente. Porém, a plantada aqui é pequena, se reduziu demais por conta da falta de apoio dos governos, assistência técnica e financiamentos, principalmente para o feijão”, lamenta.



 Em virtude dos problemas enfrentados no cultivo do feijão, em todo o país,  os produtores agrícolas migram, cada vez mais,  para outros tipos de  plantações. Assim como ocorreu com Edimar Bastos, que está agora investindo mais na criação de frangos. Mesmo com a experiência no cultivo de feijão. Ele explica que muitos agricultores da microrregião de Irecê, que já foi considerada no passado "a terra do feijão", amargaram s prejuízos ao longo dos anos, em virtude das incertezas do clima, com os efeitos da seca.

“A próxima safra de feijão deve ser  excelente. A produção está muito favorável mesmo. Tanto feijão quanto milho. Inclusive a produção de milho este ano tende a bater um recorde como nunca se viu antes, pois depende menos de mão de obra. Os produtores investiram muito., enfatiza Edimar. Lamenta, contudo, que outro problema que enfrentam é a baixa oferta de trabalhadores, lembrando que isso também foi afetado pelo grande número de beneficiários de programas sociais, na região, que muitas vezes  se recusam a trabalhar duro nas lavouras. 

O economista César Lima explica que, mesmo com uma área de plantação reduzida, o consumidor não deve sentir o preço do feijão alterado nos supermercados, devido à expectativa de estabilidade do PIB no próximo ano. 

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“As comodities agrícolas sofreram um aumento significativo nos últimos dois anos por conta da pandemia, mas em 2023 teremos um aumento de no máximo 2,5%”, enfatizou. 
A produção não é atrativa apenas para os produtores, já que os custos da produção são altas pelo risco que as plantações oferecem. 

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