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Estudo inédito traz a erva-mate para a agenda global de discussões sobre o clima

A erva-mate é o principal produto florestal não madeireiro da região Sul do Brasil. Segundo dados do IBGE, o Estado do Paraná, onde acontece o projeto, em 2019 foi responsável por praticamente 60% da produção de erva-mate do País. Do total de 939.580 toneladas, 559.408 foram produzidas no Estado.

Por: Redação
08/11/2021 às 21h12
Estudo inédito traz a erva-mate para a agenda global de discussões sobre o clima
“Análise de sensibilidade de sistemas de produção de erva-mate com ênfase para o balanço de carbono, produtividade e renda”.

A Embrapa Florestas e a Fundação Solidaridad estão desenvolvendo o projeto “Análise de sensibilidade de sistemas de produção de erva-mate com ênfase para o balanço de carbono, produtividade e renda”, para estimar o balanço de carbono de dois sistemas produtivos de erva-mate: adensado e a pleno sol. Esse tipo de estudo é inédito para a cultura da erva-mate.

O objetivo é projetar cenários e identificar quais variáveis agronômicas exercem maior influência na mitigação das emissões de gases de efeito estufa (GEE) com os sistemas estudados, contribuindo para a adaptação e aumento da resiliência climática dos sistemas produtivos mais usuais para o cultivo da erva-mate, frente aos desafios impostos pelas mudanças climáticas. Os estoques de carbono dos ervais avaliados também serão correlacionados às performances produtivas e de geração de renda por meio de uma análise de viabilidade econômica.

Iniciado em outubro de 2021, o projeto abrange propriedades rurais localizadas nos municípios de Cruz Machado e Bituruna, no Paraná.  Todas as propriedades são de pequeno ou médio porte e implantaram o erval há mais de dez anos. Os demais critérios técnicos de seleção das propriedades estabelecidos foram o tipo climático, solo, posição da paisagem, declividade e sistemas de cultivo e manejo dos ervais. 

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Como explica Marcos Rachwal, pesquisador da Embrapa Florestas responsável pelo projeto, “cada sistema de produção tem características próprias que certamente influenciarão a emissão de gases de efeito estufa e o sequestro de carbono. Assim, será possível avaliar as fontes de emissão ou captura de carbono, considerando variáveis como a produção de biomassa; altura média das plantas de erva-mate; percentual de sombra; densidade de plantio; sistema de poda e destinação do resíduo; práticas de manejo do solo e utilização de insumos”. Com isso, será possível quantificar o balanço de carbono do cultivo de erva-mate e entender como estes sistemas de produção podem contribuir no cenário das mudanças climáticas.

Segundo Josileia Zanatta, também pesquisadora da Embrapa Florestas, “existe demanda por um maior entendimento sobre a relação da produção da erva-mate com a mitigação de emissões de gases de efeito estufa, por meio do armazenamento de carbono, podendo ser também importantes informações para gerar estratégias de agregação de valor a erva-mate num futuro breve”. 

O engenheiro agrônomo Gabriel Dedini, coordenador de projetos da Solidaridad, complementa que “demonstrar o potencial agroclimático da erva-mate proporciona ao setor a possibilidade do desenvolvimento de estratégias e ações para atrair investimentos e projetos, dentro de perspectivas globais de atuação. Porém, ainda mais importante, é a contribuição do estudo para demonstrar a viabilidade de modelagens agronômicas climaticamente mais eficientes, na mesma proporção que rentáveis, com o intuito de preservar o futuro, de uma dentre as mais importantes cadeias da nossa sociobiodiversidade”.

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Produtividade e renda

A erva-mate é o principal produto florestal não madeireiro da região Sul do Brasil. Segundo dados do IBGE, o Estado do Paraná, onde acontece o projeto, em 2019 foi responsável por praticamente 60% da produção de erva-mate do País. Do total de 939.580 toneladas, 559.408 foram produzidas no Estado. 

Os sistemas com erva-mate também serão analisados financeiramente, com o objetivo de avaliar a viabilidade técnica e financeira de cada sistema de produção ao longo de 20 anos. Além de conhecer os principais indicadores financeiros, como valor presente líquido, tempo de retorno do investimento, relação benefício custo, entre outros, o agricultor precisará organizar suas atividades de campo e planejar suas atividades de manejo e a melhor forma de comercialização. Fonte Embrapa.

Segundo o pesquisador Marcelo Arco Verde, da Embrapa Florestas, “após a realização das análises financeiras, os sistemas com erva-mate passarão por simulações de cenários onde o agricultor verá o comportamento da erva-mate diante de variações nos custos de mão de obra e insumos, variações nos preços de venda e variações na produtividade e perdas nas podas de colheitas. Após analisar as várias opções apresentadas, o agricultor poderá escolher como cultivar a erva-mate de acordo com seu perfil de trabalho”.

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