
Um evento online promovido pela Fazenda Capão Alto com apoio do Sindicato Rural de Castro, abordou o tema "Araucária no Séc. XXI - Potenciais econômicos e socias.", quem palestrou foi o pesquisador, professor e doutor da UFPR, Flávio Zanette. Na oportunidade ele mostrou o potencial da Araucária e salientou que a árvore em pé dá muitos frutos e afirmou que as autoridades devem incentivar o plantio e não somente proibir o corte e deixar no pinheiro o estigma de árvore maldita, ou um problema para o produtor.
O presidente do Sindicato Rural de Castro, Eduardo Medeiros Gomes, parabenizou a iniciativa da Fazenda Capão Alto, que é um Patrimônio Histórico e Cultural do Estado do Paraná, por proporcionar a palestra com o Doutor Zanette.
Zanette contou que há 36 anos faz pesquisa com Araucária e que na sua avaliação até o séc. XX, só se devastou as florestas de Araucária e a proposta para o séc. XXI é que ela não seja reconhecida só por uma questão ambiental, mas também no cunho social e econômico. " Até agora o homem devastou e o poder público só fez legislação inadequada e as consequências são ruins para o pinheiro. Esta espécie maravilhosa, este fóssil vivo está ameaçado de extinção se nada for feito. Se não mudar a política em relação a ela realmente será extinta, porque a curva atualmente é descendente, pois a cada ano temos menos araucárias. Isso ocorre, porque não se planta, uma vez que a legislação vigente a torna odiada. Acho um absurdo que se odeie uma planta tão magnífica, sagrada para os antigos ocupantes do nosso território. Em especial para os índios que se serviam dela para alimentação durante todo o inverno.", conta o professor.
Segundo o professor, uma alternativa para mudar a aceitação do pinheiro é transformá-la em uma planta econômica. "Se conseguir através de uma legislação eficiente transformar o pinheiro em uma planta econômica, que gere riqueza ao produtor, ela certamente será plantada, pois será olhada por todos os ângulos, ou seja, na questão ambiental, social e econômica. Portanto, a araucária de pé é muito importante, pois nos dá uma série de produtos, deitada ela morta, nos dá somente a madeira.", argumenta o professor.
Uma proposta apresentada na live foi usar técnica milenar de enxertia e criar viveiros na região para ofertar araucárias enxertadas com genética de pinheiros selecionados e com isso possam em 8 a 10 anos produzir pinhões. O professor destacou um exemplar de araucária do município de Caçador (SC), que produziu 674 pinhas no ano de 2015. "Se não fosse pela enxertia, como é que poderíamos salvar este patrimônio fantástico? Pela clonagem. Pelo pinhão não sei?! Vai dar macho ou fêmea. Olha o que esta técnica pode fazer, ela não é nova, já era utilizada 500 anos antes de Cristo. Só que estudada e bem trabalhada podemos selecionar matrizes de alta qualidade em todos os sentidos. A exemplo de produção com qualidade e precoce. Assim, o pinheiro será visto como uma árvore abençoada, bendita e o produtor vai querer muitas na propriedade.", argumenta o professor.
Segundo ele, os pinheiros podem ser usados em áreas consorciadas a exemplo da pecuária/floresta, reservas legais, pinheiro/erva-mate e assim, o produtor poderá comercializar o pinhão e obter mais uma fonte de renda na propriedade. "Hoje existem técnicas que podem conservar o pinhão por mais tempo e isso dá uma vida mais longa para a sua comercialização.", mostrou o professor.
O administrador da Fazenda Capão Alto - Patrimônio Histórico, Koob Petter, salienta que o pinheiro faz parte da história da fazenda, e sua existência está entrelaçada com a origem do Paraná. "A Capão Alto é uma das poucas propriedades históricas e culturais, onde existem muitos remanescentes de araucária. Por isso, é importante pensarmos em como formar um viveiro com esta espécie de araucária precoce e agregarmos uma atividade econômica viável para produzir pinhão. O pinhão é um alimento maravilhoso, com características únicas que precisa ser mais valorizado e gerar renda ao produtor rural. Acredito que o pinhão é uma culinária excelente que pode ser aproveitada pelo Brasil e mundo em diversos pratos que podem ser saboreados.", destaca Koob. Ele argumenta ainda que esta atividade pode agregar renda aos produtores, a exemplo da região do Socavão, Abapan, Cerro Azul, entre outras, onde existem grandes áreas de reserva e explorar a atividade de maneira sustentável.
Ao final da palestra o presidente do Sindicato Rural de Castro, espera reunir a equipe técnica da Fazenda Capão Alto e o SENAR para ver a grade de cursos disponíveis para capacitação de profissionais e quem sabe a criar um viveiro na fazenda para atender os produtores da região dos Campos Gerais e do Paraná interessados em plantar mudas de araucária.