
A agricultura brasileira conseguiu multiplicar sua produção nas últimas décadas utilizando apenas cerca de 10% do território nacional para cultivo, mantendo mais de dois terços da vegetação preservada. A avaliação foi apresentada durante jantar entre imprensa e diretoria da Abramilho e Bayer na noite de 12 de maio em Brasília, em evento que reuniu representantes do setor agropecuário e empresas ligadas ao agronegócio brasileiro. O encontro destacou o avanço tecnológico do campo, a expansão da produção agrícola e o papel estratégico do Brasil na segurança alimentar e energética global.
Entre os destaques da noite esteve a apresentação de Fernando Prudente, diretor executivo da Bayer Algodão e de Relacionamento com Stakeholders Brasil, que ressaltou os números da agricultura nacional e o impacto da inovação no crescimento do setor.
Segundo Prudente, o Brasil se tornou referência mundial em produtividade sustentável ao ampliar em seis vezes a produção de grãos nas últimas décadas, utilizando apenas o dobro da área cultivada.
“O Brasil já é o maior produtor de soja do mundo, o maior exportador de algodão, milho, carne, café e várias outras culturas utilizando aproximadamente 10% da área do território. Isso mostra o quanto a agricultura brasileira é sustentável”, afirmou Fernando Prudente.
O executivo destacou dados da Embrapa que apontam que cerca de 66% dos 850 milhões de hectares do território brasileiro seguem preservados. Para ele, ainda existe uma percepção equivocada no exterior sobre a produção agropecuária nacional.
“Essa é uma informação que precisamos levar mais para fora do Brasil, porque muitas vezes existe uma visão distorcida sobre a sustentabilidade do agricultor brasileiro”, pontuou.

Durante a apresentação, Prudente explicou que o país foi responsável pela maior parte do crescimento global da produção de soja nos últimos dez anos. Segundo ele, dos cerca de 110 milhões de toneladas adicionais produzidas no mundo nesse período, aproximadamente 79 milhões vieram do Brasil.
No milho, o cenário também é semelhante. O país ampliou sua participação global impulsionado pela chamada segunda safra, modelo produtivo considerado único no mundo.
“Nenhum outro país possui a capacidade produtiva do Brasil de realizar duas grandes safras no mesmo ano, de Norte a Sul”, destacou.
Ele lembrou ainda que o sistema produtivo brasileiro está diretamente ligado à evolução tecnológica no campo, com investimentos em sementes, biotecnologia, máquinas agrícolas, defensivos e fertilizantes.
De acordo com o executivo, apenas os mercados de sementes, biotecnologia e defensivos agrícolas movimentam cerca de 25 bilhões de dólares por ano no país, contribuindo para o desenvolvimento econômico de cidades do interior e regiões agrícolas.

Outro ponto destacado foi o impacto social do agronegócio. Prudente apresentou estudos que relacionam o crescimento da produção agrícola ao avanço do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) em diversas regiões produtoras.
Segundo ele, municípios que passaram a integrar grandes polos agrícolas registraram melhora significativa nos indicadores de renda, educação e infraestrutura.
“Onde a agricultura chegou com tecnologia e investimento, houve desenvolvimento humano e crescimento econômico”, afirmou.
O executivo também ressaltou que o avanço da agricultura brasileira só foi possível graças à combinação entre empreendedorismo do produtor rural, melhorias logísticas, inovação tecnológica e segurança jurídica.
A transição energética foi outro tema central da apresentação. Prudente explicou que o Brasil ocupa posição estratégica na produção de energia limpa, principalmente devido à força do agro na matriz energética nacional.
Hoje, cerca de 49% da matriz energética brasileira é composta por fontes renováveis, índice muito acima da média global, que gira em torno de 14%.
“A agricultura brasileira já contribui diretamente para a produção de energia renovável. Isso derruba o mito de que energia e produção de alimentos competem entre si”, explicou.
O executivo destacou o potencial de crescimento do biodiesel e do etanol nos próximos anos, impulsionado por metas globais de redução de emissões e aumento do uso de biocombustíveis.
Segundo ele, acordos internacionais discutidos recentemente apontam para a necessidade de quadruplicar a produção de biocombustíveis nas próximas décadas, criando novas oportunidades para culturas como soja, milho e cana-de-açúcar.

Ao encerrar sua participação, Fernando Prudente reforçou que a continuidade do crescimento agrícola brasileiro depende diretamente da inovação e da proteção à propriedade intelectual.
Ele lembrou que marcos regulatórios criados a partir da década de 1990 permitiram que empresas investissem em pesquisa, biotecnologia e desenvolvimento de novas cultivares no país.
“Sem inovação e sem tecnologia, o Brasil não teria chegado até aqui e não continuaria crescendo”, concluiu.
O jantar promovido pela Abramilho reuniu lideranças do agronegócio, representantes de empresas e jornalistas especializados, reforçando o papel estratégico da agricultura brasileira no abastecimento global de alimentos e na agenda de sustentabilidade.