
O Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) lançou na quinta-feira (26) de março de 2026, em Ponta Grossa, a nova cultivar de feijão IPR Quiriquiri, uma variedade do grupo carioca que se destaca pelo escurecimento lento dos grãos, alta produtividade e excelente qualidade culinária. O lançamento ocorreu no Polo de Pesquisa e Inovação, reunindo pesquisadores, produtores, empresas de sementes e representantes do setor agrícola. A novidade atende a uma demanda histórica do mercado e promete melhorar a rentabilidade no campo e a experiência do consumidor.
Desenvolvido ao longo de anos de pesquisa, o IPR Quiriquiri surge como uma solução estratégica para toda a cadeia produtiva do feijão. A cultivar alia características agronômicas modernas, resistência a doenças e atributos comerciais valorizados, como grãos graúdos, claros por mais tempo e com excelente desempenho no cozimento.
O diretor-presidente do IDR-Paraná, Natalino Avance de Souza, destacou o papel da instituição no desenvolvimento de tecnologias voltadas ao campo e o impacto direto dessa entrega para a sociedade. “Essa é uma entrega que o IDR faz para a sociedade, para a agricultura e para os agricultores do Paraná. Nosso papel é buscar materiais mais adaptados às condições do Estado, que ajudem a aumentar a renda no campo. O Quiriquiri materializa anos de pesquisa e chega com características que interessam a toda a cadeia produtiva”, afirmou.
Segundo ele, a nova cultivar representa um avanço significativo para o Paraná, que já é o maior produtor nacional de feijão. “Estamos trazendo uma cultivar com maior produtividade, excelente cozimento e grande aceitação de mercado. Isso sinaliza ao agricultor a possibilidade real de melhorar sua renda. É um ganha-ganha para todos”, completou.

A pesquisadora Vânia Moda Cirino, especialista em melhoramento genético vegetal do IDR-Paraná, detalhou os principais atributos da nova cultivar, destacando seu diferencial mais marcante: o escurecimento lento dos grãos.
“O IPR Quiriquiri é um feijão do grupo carioca cuja principal característica é o escurecimento lento do tegumento. Ele pode ser armazenado por até 12 meses e ainda manter o aspecto de feijão novo”, explicou.
Essa característica é altamente valorizada pelo mercado, especialmente por empacotadores e varejistas, já que prolonga a vida útil do produto nas prateleiras.
Outro ponto importante é o ciclo semiprecoce da cultivar, que varia entre 74 e 84 dias. “Esse ciclo permite inserir o feijão em diferentes sistemas de produção e até ajustar a época de plantio para evitar riscos climáticos, como geadas”, destacou a pesquisadora.
A cultivar também apresenta alto potencial produtivo, podendo atingir cerca de 5 toneladas por hectare, além de excelente padrão comercial. “Cerca de 90% dos grãos são peneira 12, ou seja, grãos graúdos, que têm maior aceitação pelo consumidor”, afirmou.
Mesmo em condições adversas, como períodos de estiagem, o desempenho da planta se mantém estável. “Esse campo passou por mais de 20 dias de déficit hídrico, e ainda assim observamos vagens bem formadas e excelente produtividade. Isso mostra a adaptabilidade da cultivar”, pontuou.
A sanidade também é um diferencial importante. O Quiriquiri apresenta resistência a diversas doenças, como mosaico comum e ferrugem, além de moderada resistência a outras enfermidades que afetam a cultura. “É uma variedade com excelente sanidade, o que reduz custos e aumenta a segurança para o produtor”, completou Vânia.
Para o produtor rural Eduardo Medeiros Gomes, o lançamento atende a uma demanda antiga do setor. “O Iapar finalmente entrou no segmento do feijão carioca de escurecimento lento, que era uma demanda antiga. E entrou muito bem”, avaliou.
Ele destacou o desempenho da cultivar tanto no campo quanto na cozinha. “É um feijão com excelente produtividade, grãos grandes, mais de 90% peneirados, e com cozimento rápido, em menos de 20 minutos. Isso faz diferença para o consumidor e para o produtor”, afirmou.

O cerealista Laurival Pontarollo ressaltou a importância do escurecimento lento para o setor de empacotamento e comercialização.“Para quem trabalha com estoque, isso faz muita diferença. A gente precisa manter o produto armazenado por meses, e essa característica garante qualidade por mais tempo”, explicou.
Ele também testou o produto na prática. “O feijão teve excelente desempenho na panela e na peneira. Acredito que será um grande sucesso no mercado”, disse.
Já o representante da Marambaia Sementes, Thiago Pagano, destacou o potencial da cultivar no mercado de sementes. “É um material muito promissor, com excelente sanidade e produtividade. Para nós, é uma oportunidade de levar ao produtor uma semente de alta qualidade”, afirmou.
A qualidade na cozinha também foi comprovada. A cozinheira Salete Moura testou o feijão e aprovou. “Cozinhou muito bem, em cerca de 15 minutos. É saboroso, suculento e fica bem macio”, relatou.
Esse fator é decisivo para o consumidor final, que busca praticidade e qualidade no preparo dos alimentos.

O gerente de crédito rural do Sicredi, Guilherme Bueno, reforçou a importância de iniciativas como essa para o desenvolvimento do agronegócio. “O Sicredi participa desses eventos porque acredita na inovação no campo e na proximidade com o produtor. É assim que conseguimos apoiar o crescimento sustentável da agricultura”, destacou.
O lançamento do feijão IPR Quiriquiri representa mais do que uma nova variedade no mercado. Ele simboliza a integração entre pesquisa, produção, indústria e consumo, atendendo às necessidades de cada elo da cadeia.
Com características como escurecimento lento, alta produtividade, resistência a doenças e excelente ხარისხ culinária, a cultivar se posiciona como uma das mais promissoras do mercado brasileiro.
Além disso, reforça o protagonismo do Paraná na produção nacional de feijão e evidencia a importância do investimento contínuo em pesquisa e inovação agrícola.